sexta-feira, 27 de junho de 2008

Analistas de ações não precisarão mais de registro na CVM

Os analistas de valores mobiliários devem ser dispensados da exigência de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). É o que prevê, entre outras determinações, a minuta de instrução sobre o tema divulgada hoje pela própria autarquia. A proposta de regulamentação ficará em audiência pública até o próximo dia 25 de julho.

De acordo com o documento em que apresenta a minuta, com o fim da exigência de registro a CVM quer estimular a auto-regulação no setor e reduzir os "custos atualmente inerentes ao exercício da atividade de analistas". Pelos termos da minuta, bastará então a pessoa se registrar em uma entidade credenciadora de analistas, como é o caso hoje da Apimec. Atualmente, existe um duplo registro, tanto na entidade quanto na CVM.

Ao mesmo tempo em que transfere essa responsabilidade de controle cadastral para auto-regulação, a CVM deve aumentar a supervisão indireta sobre o trabalho dos analistas, seja via entidade credenciadora, ou por meio da instituição financeira que contratar o analista.

Entre as exigências para os credenciadores estão a existência de código de conduta e a fiscalização e punição dos analistas, a submissão dos testes de qualificação à autarquia e a criação de um programa de educação continuada para averiguar periodicamente a capacidade técnica dos profissionais.

Para as gestoras de recursos e distribuidoras de valores que contratarem analistas, haverá a obrigação de manter o cadastro de cada profissional atualizado, de segregar fisicamente as instalações onde a equipe de análise trabalha das demais atividades da empresa, além de identificar, administrar e eliminar, formalmente, eventuais conflitos de interesses que comprometam a imparcialidade do analista.

A CVM havia divulgado uma minuta sobre a regulamentação da atividade dos analistas no final do ano passado. Mas diante da reação do mercado, as alterações propostas foram tantas que o órgão optou por fazer novamente a fase de audiência pública.

A autarquia desistiu, por exemplo, da idéia de criar níveis distintos - júnior, pleno e sênior - de analistas.

A idéia era uma saída para contornar o problema da demora no processo de credenciamento e registro dos analistas, ao mesmo tempo em que o mercado de capitais passa por um processo de crescimento significativo.

Como alternativa, além do fim do registro, a CVM pretende permitir dar tempo para que as instituições financeiras credenciem seus analistas. A determinação é para que um mínimo de 30% do total de profissionais de cada empresa sejam credenciado até o final deste ano. Este índice sobe para 50% no ano fim do ano que vem e para 70% em dezembro de 2010.

Outra desistência da autarquia se refere ao ponto que tratava dos jornalistas. A CVM desistiu de criar regras específicas para a profissão, que fariam uma diferenciação entre o jornalista que escreve de forma genérica sobre o mercado e aquele que fala de um ativo específico. "De um lado, os analistas, por meio de sua entidade representativa, argumentaram que não há justificativa para o tratamento privilegiado dos jornalistas, se estes exercerem atividades típicas de analistas. De outro lado, os jornalistas não viram vantagens no tratamento diferenciado proposto pela minuta de 2007", disse o texto da CVM.