sexta-feira, 27 de junho de 2008

Xstrata ou Anglo? Para banco, o mais provável é que a Vale compre as duas

Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira

Que o setor de mineração deve passar por profundo movimento de consolidação não é novidade. Desde o final do ano passado, rumores em torno de uma aquisição de grandes proporções no segmento povoaram os noticiários, e destacavam principalmente a brasileira Vale e a britânica BHP Billiton como as "compradoras".

A questão perdeu força no início deste ano, à medida que nenhum negócio foi concretizado e as notícias se tornavam escassas. Mas a oferta de ações anunciada pela Vale trouxe de volta o tema aos holofotes. A tentativa agora é de antecipar o movimento da mineradora brasileira, que, no entanto, nega estar em negociações com qualquer empresa no presente momento. Qual a melhor opção de compra para a Vale? Freeport Mcmoran, Xstrata, Anglo, Alcoa são as alternativas mais citadas pelos analistas.

Além da diversificação da produção, ganhos de sinergia e valor da aquisição são os tópicos de maior destaque nesta avaliação das possibilidades. Cada instituição traça sua aposta, e Xstrata e Anglo figuram como favoritas. Mas algo que até o momento não havia sido citado é a possibilidade da Vale comprar ambas. Na opinião do Citigroup, este movimento é o mais provável.

Xstrata vira a mesa
Para os analistas da instituição, dificilmente as grandes mineradoras européias ficarão de fora de um movimento inicial de consolidação. A diversificação de suas produções frente às rivais as torna atrativas e a qualidade e escassez de suas bases de ativos chamam a atenção. Esta afirmação praticamente restringe um negócio isolado entre Vale e as norte-americanas Anglo ou Freeport McMoran.

Volta à cena a Xstrata, mineradora anglo-suíça cujos rumores de venda para a Vale foram os mais agressivos até o momento. Na quinta-feira (26), os analistas do Lehman Brothers a consideraram como opção de perfil mais atraente à Vale.

Na opinião do Citi, porém, a forte performance dos papéis da Xstrata recentemente deixa uma provável negociação com a Vale em stand by. De maneira resumida, atualmente a Xstrata está cara para ser adquirida.
















Apesar desta consideração, a atratividade da anglo-suíça à brasileira não foi esquecida pelo Citi, que destacou os ganhos de sinergia à Vale no caso de compra da rival. "A mesa virou a favor da Xstrata, mas a Vale ainda deve voltar a 'visitar' a anglo suíça".

Primeiro a Anglo...depois a Xstrata
Com a dificuldade de um investida na Xstrata no atual momento, cresce na parada a Anglo, companhia que, de acordo com o Citi, pode prover a diversificação esperada instantaneamente à Vale.

Por questões geográficas e de exposição às commodities, uma aproximação entre Vale e Anglo foi tida como de benefício à brasileira. Mas como a "mesa virou a favor da Xstrata", um cenário de compra da Anglo pela mineradora européia entra em pauta com grandes possibilidades.

A combinação destes fatores citados traz à tona uma alternativa: para o Citi, a combinação entre Vale, Anglo e Xstrata criaria um mega conglomerado com significativo potencial de crescimento, sendo que as três se beneficiariam da diversificação e das bases regionais envolvidas. Para o Citi, esse é o cenário mais provável.

Longe de consenso
Mas a questão é que esta visão não é consenso entre os analistas. Cada instituição lista uma empresa como o alvo ideal para a Vale. Os grandes bancos de investimentos mostram divergência quanto ao tema.

Alvos mais prováveis Favorita para...
Xstrata
Maior parcela da produção voltada ao cobre, carvão, níquel e zinco. Menor exposição em alumínio, ouro, prata e chumbo Lehman Brothers e Citigroup
Anglo American
Líder mundial na produção de ouro, platina e diamante.
Participação em carvão, metais básicos e ferrosos,
minerais industriais e papel e celulose
Citigroup
Freeport McMoRan
Foco principal nos negócios com cobre e ouro UBS e Goldman Sachs
Alcoa
Líder mundial na produção de alumínio -
Norsk Hydro
Alumínio de base, produtos de alumínio,
além da produção e distribuição de energia
-


Para os analistas do banco de investimentos suíço UBS e para o norte-americano Goldman Sachs, a Freeport McMoran é a favorita. Estas instituições destacam o maior foco desta empresa no mercado de cobre, fator que pesa quanto à diversificação da produção buscada pela Vale.

Apesar de destacar o insucesso recente nas negociações, os analistas do Lehman Brothers enxergam a situação de maneira semelhante ao Citigroup. Para o Lehman, a compra da Xstrata é o movimento de perfil mais atraente para a Vale, e o anúncio da oferta pode prenunciar uma reaproximação das empresas.