segunda-feira, 7 de julho de 2008

Dentre os Brics, China e India apresentam melhores perspectivas, diz Deutsche

Por: Giulia Santos Camillo

Apesar da resiliência mostrada por todos os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) frente às turbulências no mercado norte-americano, as projeções de crescimento para esses países são bastante distintas. Conforme análise do Deutsche Bank, quem sai ganhando nesse sentido são Índia e China.

Os analistas do banco consideram três pontos para determinar as estimativas de crescimento econômico do mercado, baseado em fatores estruturais: mercado de trabalho, entrada de capital e PTF (Produtividade Total dos Fatores), que inclui progressos tecnológicos e eficiência de ganhos.

Mercado de trabalho
Nesse ponto, os principais favorecidos são Índia e Brasil, devido às tendências demográficas e baixas taxas de urbanização. De acordo com os analistas, nesses dois países as projeções apontam continuidade de crescimento da população ativa até a metade deste século.

Já na China e na Rússia, as estimativas são bem diferentes. Para o primeiro, a população ativa deve apresentar declínio depois de 2015, enquanto a Rússia apresenta risco de colapso, com previsões da ONU (Organização das Nações Unidas) de que a população ativa do país caia de 97 milhões em 2005 para 47 milhões em 2050.

"De um ponto de vista puramente demográfico, a Índia é quem apresenta as melhores projeções, combinando sólido crescimento populacional e baixo grau de urbanização. Enquanto isso pode gerar desafios (em termos de desenvolvimento urbano e infra-estrutura), será um apoio às dinâmicas de crescimento", afirma Markus Jaeger, analista do DB.

Acumulação de capital
Considerando o fator de entrada de capital, os países que se apresentam mais bem posicionados são China e Índia, com projeções de taxas de investimento superiores às dos demais Brics. Atualmente, os dois mercados apresentam taxas de investimento entre 30% e 40% do PIB (Produto Interno Bruto), enquanto na Rússia e no Brasil o número cai para 20% ou menos.

Porém, é importante destacar que as projeções do banco consideram um aumento dos investimentos na Rússia devido ao acúmulo de reservas em meio ao boom das commodities. Já o Brasil, que apresentou uma elevação mais modesta das reservas, não deve apresentar um crescimento expressivo na taxa de investimento.

Para Jaeger, após a análise fica claro que a acumulação de capital na Índia e na China será muito mais rápida do que na Rússia e no Brasil, aí adicionado o fato de que os dois primeiros apresentam crescimento mais acelerado do que os dois últimos.

Produtividade total dos fatores
Por fim, o banco estima que todos os quatro países devem melhorar os níveis de PTF, levando em consideração a qualidade do ambiente econômico e a eficiência no uso do capital e do mercado de trabalho.

Embora ressalte que o PTF é o fator mais difícil de estimar, as projeções do analista sugerem que também nesse ponto a Índia e a China apresentam melhores perspectivas do que a Rússia e o Brasil.