segunda-feira, 7 de julho de 2008

EUA: economia ainda não se recuperou, mas dá sinais de melhora, diz banco

Por: Giulia Santos Camillo

Trabalho difícil o de traçar perspectivas para um cenário tão turbulento quanto o dos EUA. Mas diante dos dados mais recentes, a equipe de análise do banco RBC acredita em uma melhora do panorama da economia norte-americana, principalmente no terceiro trimestre.

Para começar, a impressão sobre a economia dos EUA melhorou após informações sobre o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do País no primeiro trimestre, que surpreendeu positivamente alcançando 1%, frente ao resultado do trimestre anterior, de avanço de 0,6%.

Além disso, há o sentimento de que as medidas adotadas pelo Federal Reserve começam a mostrar eficiência, com destaque para o corte de 325 pontos-base no juro básico do país desde agosto do ano passado. Os sinais mais claros, segundo os analistas do banco, são a redução dos spreads de títulos corporativos e taxas de financiamento, que indicam que as companhias estão recuperando a capacidade de levantar fundos.

Perspectivas
As previsões dos analistas são de que a economia norte-americana cresça 1,5% em 2008, o que leva em consideração a projeção de crescimento praticamente nulo no segundo trimestre, recuperação no terceiro e nova queda no quarto.

Na base das estimativas está a crença de que a combinação entre a política monetária e os estímulos fiscais irá impulsionar os ganhos do PIB no terceiro trimestre, mas voltará a arrefecer no último quarto do ano, quando a previsão aponta para nova desaceleração, com avanço de 1%.

"Essa desaceleração pode ser até maior se o preço do petróleo continuarem altos, embora nossa previsão presuma que o preço do WTI cairá para US$ 90 por barril no próximo ano", afirmam os analistas.

Apesar das perspectivas de crescimento, a equipe do RBC não descarta uma piora no cenário. Enquanto os bancos seguem apertando os padrões para empréstimos comerciais e industriais, o histórico mostra que essa situação costuma ser um presságio de desaceleração da produção industrial, gastos em máquinas e equipamentos e cortes nos salários.

E o juro, cai?
O mercado já precifica uma nova trajetória de elevação da taxa básica de juro dos EUA neste ano, principalmente com o aumento das preocupações em relação ao risco inflacionário. Contudo, na última reunião, em 25 de junho, o Fed optou pela manutenção da taxa em 2% ao ano, indicando que ainda há risco para o crescimento da economia, embora seja menor.

Nesse contexto, ao contrário do mercado, os analistas do BMO acreditam que uma alta no juro básico ainda está longe de acontecer. Para eles, o fato de o Fed ainda estar injetando bilhões de dólares no mercado de capitais é um sinal de que o aperto da política monetária não deve acontecer logo.

Para eles, uma elevação no juro básico ainda neste ano só seria considerada se houvesse uma aumento surpreendente do risco inflacionário. Mas, no sentido oposto, os analistas acreditam que novas reduções no gasto do consumidor levarão o crescimento do PIB a um hiato, levando as expectativas do mercado por altas no juro básico apenas para o final de 2009.