sexta-feira, 4 de julho de 2008

Gazprom prevê barril de petróleo a US$ 250 em breve e amplia temor no mercado

Por: Gabriel Ignatti Casonato

Além de ofuscar indicadores e pressionar as principais bolsas internacionais, a rápida ascensão dos preços do petróleo tem feito com que especialistas elevem constantemente suas projeções para as cotações dos contratos futuros da commodity.

Nesta quinta-feira (3), foi a vez do presidente do grupo russo Gazprom, Alexei Miller, apostar alto. Em entrevista ao Financial Times, o executivo impressionou ao prever que o preço do barril superará em breve o patamar de US$ 250,00.

Levando em conta as cotações desta sessão - que operam em torno dos US$ 144,00 por barril - a estimativa da empresa russa representa nada menos que uma valorização de 70% dos preços, que já acumulam expressiva alta no ano.

Críticas à Opep
Em meio às declarações, Miller também atribuiu parte da culpa da alta dos preços à Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), ao afirmar que o cartel não quis ter qualquer influência sobre os cotações da commodity.

"Não foi tomada uma única decisão que tenha realmente influenciado o mercado mundial do petróleo", disse o executivo ao periódico, referindo-se à Organização.

A despeito das críticas, o ministro do Petróleo da Arábia Saudita, maior produtor do cartel, disse nesta quinta-feira que a Opep não tem planos imediatos de expandir a produção porque não há necessidade de fazê-lo.

Especulações impulsionam os preços
O petróleo atingiu novos recordes nesta sessão durante o intraday. Em Londres, o barril tipo brent bateu a marca de US$ 146,69, enquanto em Nova York, o barril do tipo cru para entrega em agosto chegou a US$ 145,85.

Além das tradicionais variáveis que influenciam a elevação dos preços, as especulações também têm dado sua contribuição na trajetória ascendente da commodity ao longo do ano.

A crescente influência tem feito com que autoridades estudem medidas para conter a especulação no mercado de petróleo. Para alguns analistas, se os especuladores fossem banidos, o barril poderia cair para até US$ 60,00. Opinião também partilhada pela Opep.