sexta-feira, 4 de julho de 2008

Governo lança estratégia para ampliar relações com o mercado chinês

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge; o subsecretário-geral Político do ministério das Relações Exteriores, Roberto Jaguaribe, e o secretário das Relações Internacionais do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Célio Porto, lançaram hoje (3/7) o documento "Agenda China: Ações Positivas para as Relações Econômico-Comerciais Sino-Brasileiras", durante evento realizado na Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. Também participaram do evento o presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, o embaixador chinês no Brasil, Chen Duqing, o presidente do Conselho Empresarial Brasil-China, Ernesto Heinzelmann, o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, Alessandro Teixeira, empresários e representantes de entidades setoriais.

O documento é resultado de uma série de estudos focados no fortalecimento das relações comerciais entre o Brasil e a China. A estratégia foi elaborada a partir de um trabalho coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC),
em parceria com os Ministérios das Relações Exteriores (MRE) e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), com a participação do Conselho Empresarial Brasil-China e da CNI. O texto representa o marco inicial, que se desdobrará em análises aprofundadas para determinados setores e um calendário consolidado de atividades com foco no mercado chinês.

Duas das metas previstas pelo estudo são triplicar as exportações brasileiras para a China e atrair mais investimentos chineses para o Brasil até 2010. A estratégia prevê também ações coordenadas voltadas para resultados efetivos e de reflexo favorável na balança comercial e no fluxo de investimentos. Além das ações específicas de incremento do comércio com a China, a Agenda China apresentará medidas pontuais para ampliar a atração de investimentos chineses para o Brasil.

As ações estratégicas desenvolvidas pelo grupo interministerial buscam também atenuar os desequilíbrios quantitativos e qualitativos nas transações comerciais entre o dois países. Desde 2007 a balança comercial bilateral vem sendo amplamente superavitária em favor da China. O déficit comercial com a China fechou ano passado com quase US$ 1,9 bilhão.

Agenda China

Durante a elaboração da Agenda China, foram estabelecidos alguns critérios para selecionar os produtos e setores que serão objeto das ações pontuais de promoção comercial e de atração de investimentos até 2010. A partir de uma análise dos dados do Sistema Radar Comercial do MDIC, foram listados 619 produtos, classificados como prioritários
para o Brasil no mercado chinês.

De acordo com a metodologia que norteou os trabalhos, os produtos foram primeiramente agregados setorialmente. Após essa seleção, foram identificados 48 setores com potencial exportador brasileiro e demanda chinesa, mas com pequena ou nenhuma exportações brasileiras para aquele mercado. Desses 48 setores, os que o Brasil tem competitividade mundial e que têm grande espaço para crescimento no mercado chinês serão alvo de ações de promoção comercial. Nos setores em que há grande demanda chinesa, mas que as exportações brasileiras precisam aproveitar melhor o potencial do mercado e aumentar a competitividade, as ações pontuais serão de atração de investimento.

SETORES E AÇÕES DE PROMOÇÃO COMERCIAL

Carne suína
Em 2008, a produção chinesa de carne suína deve ficar 16% abaixo da registrada em 2005. As expectativas são que nos próximos anos as importações chinesas desse produto superem os US$ 200 milhões, o que representa boas oportunidades para os exportadores brasileiros. O
Brasil é hoje o quarto produtor e exportador mundial de carne suína.
Em 2007, as exportações brasileiras do produto totalizaram US$ 1,2 bilhão, um incremento de 3,8% em relação ao desempenho de 2005.

Carne de aves
O Brasil é hoje o maior exportador mundial e o terceiro maior produtor de carne de aves. Entre 2005 e 2007, as importações chinesas de produtos do setor cresceram 183%, de US$ 323,7 milhões para US$ 916,3 milhões. Os maiores fornecedores para o mercado chinês em 2007 foram Estados Unidos (64,1%), Brasil (21,2%) e Argentina (14,7%).

Peixes e crustáceos
No período de 2005 a 2007, as importações chinesas de peixes e crustáceos aumentaram de US$ 379,2 milhões para US$ 797,2 milhões (+110,2%). Em 2007, os principais fornecedores para o mercado chinês foram Rússia (42,8%), Índia (8,1%), Tailândia (7%), Estados Unidos (5,4%) e Países Baixos (4,8%). As exportações brasileiras de peixes e crustáceos para a China somaram somente US$ 182,1 mil, o que equivale a 0,02% na participação desse mercado.

Soja (Óleos)
O Brasil é o quarto maior produtor e o segundo maior exportador mundial de óleo de soja. No triênio 2005- 2007, as importações chinesas de produtos do setor "Soja" obtiveram um aumento de 143,5%, de US$ 873,4 milhões para US$ 2,1 bilhões. No ano passado, os principais fornecedores desses produtos para o mercado chinês foram Argentina (80,1%), Brasil (14,5%) e Estados Unidos (5,2%).

Massas e preparações alimentícias
A importação chinesa de produtos do setor de massas e preparações alimentícias, entre os anos de 2005 e 2007, aumentou 25,1% - de US$ 181,8 milhões para US$ 227,6 milhões. Os principais fornecedores para mercado chinês em 2007 foram Estados Unidos (38%), Países Baixos (14,3%), Japão (5,6%), Coréia do Sul (4,4%) e Reino Unido (3,7%). Já as exportações brasileiras perfizeram US$ 229 milhões em 2007, representando crescimento de 40% frente a 2005. No mercado chinês, a participação brasileira foi de 1,4%.

Farinhas para animais
As compras totais chinesas de farinhas para animais, no triênio 2005-2007, aumentaram de US$ 116,9 milhões para US$ 140,1 milhões (+19,7%). No ano passado, os principais exportadores desses produtos para a China foram os Estados Unidos (37,7%), Austrália (6,7%), Reino Unido (6,7%), Países Baixos (6,6%) e França (6,6%). Já as exportações brasileiras desses produtos totalizaram US$ 85,1 milhões em 2007 (+21,2%), em relação a 2005, sendo que, para a China, essas vendas somaram US$ 5 milhões ou 3,5% das importações chinesas dos produtos do setor.

Produtos minerais
As importações chinesas de produtos minerais cresceram 133,9% - US$ 4,9 bilhões para US$ 11,6 bilhões – no período entre 2005 e 2007. No ano passado, os principais países que forneceram produtos minerais para a China foram Chile (25,7%), Peru (20,5%), Austrália (12,7%), Mongólia (8,0%) e Estados Unidos (7,1%). As exportações de produtos minerais em 2007 somaram US$ 1,1 bilhão, aumento de 154,6% em relação a 2005. Para a China, estas exportações somaram US$ 73,8 milhões, correspondente a 0,6% de participação no referido mercado.

Petróleo e derivados
No triênio 2005-2007, as compras chinesas de petróleo e derivados aumentaram 66,5% - de US$ 47,9 bilhões para US$ 79,7 bilhões. Em 2007, os maiores fornecedores para o mercado chinês foram Arábia Saudita (16,4%), Angola (16,1%), Irã (13,1%), Rússia (9,0%) e Omã (8,2%). As exportações brasileiras de petróleo e derivados, em 2007, para o mercado chinês somaram US$ 839,9 milhões, ou seja, uma participação de 1% naquele mercado.

Produtos químicos
As compras totais da China de produtos químicos, entre 2005 e 2007, cresceram 50,1% - de US$ 6,2 bilhões para US$ 9,3 bilhões. As principais origens das importações chinesas de produtos químicos, em 2007, foram Japão (31,4%), Coréia do Sul (19,5%), Estados Unidos (8,2%) e Alemanha (4,5%). As exportações brasileiras totais de produtos químicos totalizaram US$ 518,8 milhões, no ano, um incremento de 85,6% em relação a 2005. Desse total, US$ 69,7 milhões tiveram como destino o mercado chinês, significando uma participação de 0,75% no referido mercado.

Produtos farmacêuticos
Entre 2005 a 2007, as importações chinesas de produtos farmacêuticos aumentaram de US$ 215 milhões para US$ 334,2 milhões (+55%). Os principais fornecedores para o mercado chinês, em 2007, foram Japão (20,8%), Estados Unidos (20,7%), Irlanda (11,8%), França (9,1%) e Itália (9 %). As vendas internacionais brasileiras de produtos farmacêuticos totalizaram US$ 41,3, um incremento de 77,4% no triênio.
A participação brasileira no mercado chinês foi de 0,14% com exportações no valor de US$ 488 mil.

Tintas
As compras internacionais da China de produtos do setor de tintas aumentaram 23,7%, de US$ 562,3 milhões para US$ 695,4 milhões. Em 2007, os principais fornecedores para o mercado chinês foram Japão (29,8%), Coréia do Sul (12,9%) e Alemanha (9,7%). As exportações brasileiras de produtos do setor atingiram US$ 90,8 milhões em 2007, um incremento de 29,3% no triênio. Para a China, as vendas brasileiras alcançaram US$ 895,8 mil - uma participação de 0,13% no mercado chinês.

Higiene pessoal e cosméticos

No período de 2005 a 2007, as importações chinesas de produtos de higiene pessoal e cosméticos cresceram 86,5% - de US$ 156,6 milhões para US$ 292,1 milhões. Em 2007, os principais países que abasteceram o mercado chinês foram França (40,4%), Japão (20,7%), Estados Unidos (19,3%) e Coréia do Sul (6,8%). No triênio, as exportações brasileiras de produtos de higiene pessoal alcançaram US$ 24,9 milhões, um incremento de 100,7%. Para a China, as exportações brasileiras foram de US$ 5 mil, uma participação de 0,002% no mercado chinês.

Produtos de limpeza
As importações chinesas de produtos de limpeza, entre 2005 e 2007, foram de US$ 423,1 milhões para US$ 620,7 milhões (+46,7%). Os principais fornecedores para o mercado chinês em 2007 foram Estados Unidos (21,7%), Japão (14,5%), Rússia (12,7%), Alemanha (11,1%) e Malásia (5,5%). No mesmo ano, as exportações brasileiras desses produtos totalizaram US$ 66,8 milhões, acréscimo de 67,2% sobre 2005.
As vendas brasileiras destinadas à China somaram US$ 304,5 mil, o que equivaleu à participação de 0,05% no mercado chinês.

Colas e enzimas
No período de 2005 a 2007, as importações da China de colas e enzimas saíram de US$ 196,5 milhões para US$ 245,8 milhões (+25,1%). Em 2007, os principais fornecedores para a China foram Tailândia (20,3%), Dinamarca (15,3%), Estados Unidos (13,8%) e Finlândia (8,9%). No ano passado, as exportações brasileiras desses produtos atingiram US$ 58,2 milhões, uma alta de 83,6% sobre 2005. A participação brasileira no mercado chinês representou 0,04%, com exportações de US$ 87,9 mil em 2007.

Plásticos
As importações chinesas de produtos plásticos no triênio 2005-2007 cresceram 34,2% - de US$ 15,4 bilhões para 20,7 bilhões. Em 2007, os principais fornecedores para o mercado chinês foram Coréia do Sul (19,0%), Japão (15,0%), Estados Unidos (9,7%) e Cingapura (3,8%). No ano passado, as exportações brasileiras desses produtos chegaram a US$ 1,4 bilhão, uma alta de 51,5 % sobre o desempenho apresentado em 2005. Os embarques para a China somaram US$ 41,4 milhões, o que representou 0,2% de participação no mercado chinês.

Borracha
No período de 2005 a 2007, as importações chinesas de produtos de borracha aumentaram de US$ 1,9 bilhão para US$ 3,0 bilhões (+60,4%).
Os principais fornecedores ao mercado chinês em 2007 foram Coréia do Sul (20,5%), Japão (18,9%), Estados Unidos (10,1%) e Rússia (4,1%). As exportações brasileiras de produtos de borracha totalizaram US$ 434,5 milhões em 2007, valor 13,3% maior que o registrado em 2005. A participação brasileira nas importações chinesas desses produtos correspondeu a 1,3%, no valor de US$ 38,8 milhões.

Peles, peleteria, couros e seus artefatos
De 2005 a 2007, as compras internacionais chinesas de produtos do setor coureiro cresceram 46,6%, de US$ 1,5 bilhão para US$ 2,2 bilhões. Os principais fornecedores para o mercado chinês foram Itália (17,5%), Coréia do Sul (13,5%), Taiwan (12,7%) e Tailândia (3,9%). As exportações brasileiras desses produtos atingiram US$ 788,7 milhões, uma alta de 110,6% no triênio. As vendas do Brasil para o mercado chinês alcançaram US$ 119 milhões, com uma participação de 5,2%.

Papel e celulose
As importações da China de papel e celulose registraram aumento de 47,6% entre 2005 e 2007, saindo de US$ 2,2 bilhões para US$ 3,3 bilhões. Em 2007, os maiores fornecedores para o mercado chinês foram, além do Brasil que ocupou a segunda posição, Indonésia (24%), Estados Unidos (9,1%), Rússia (8,2%), Chile (7,6%) e Canadá (6,3%). As vendas externas brasileiras de papel e celulose somaram US$ 3,7 bilhões no ano passado, um crescimento de 41,2% sobre 2005. As exportações brasileiras para a China somaram US$ 432,1 milhões, o que equivaleu a uma participação de 12,8% no mercado chinês.

Têxteis
Entre 2005 e 2007, as compras internacionais da China de têxteis obtiveram aumento de 15,1%, de US$ 3,8 bilhões para US$ 4,4 bilhões.
Destacaram-se as exportações dos Estados Unidos (36,2%), Índia (19,6%), Uzbequistão (6,7%), Hong Kong (6,2%), Austrália (3,8%) e Burkina Faso (3,5%) em 2007. As vendas externas brasileiras atingiram US$ 678,3 milhões no mesmo ano, acréscimo de 2,1% sobre 2005. Para a China, as vendas brasileiras alcançaram US$ 34,4 milhões, com uma participação de 0,8% no mercado chinês.

Calçados
No triênio 2005-2007, o total das importações chinesas de produtos calçadistas cresceu de US$ 111,9 milhões para US$ 221,7 milhões (+ 98,0%). Em 2007, os principais fornecedores para o mercado chinês foram Vietnã (17,8%), Indonésia (15,4%), Itália (14,0%) e Tailândia (6,2%). No mesmo ano, as exportações brasileiras desses produtos alcançaram US$ 1 bilhão, um decréscimo de 5% em relação a 2005. Para a China, as vendas desses produtos foram de US$ 797,3 mil, o equivalente 0,3% do mercado chinês.

Metalúrgicos
As compras totais chinesas de produtos metalúrgicos aumentaram 78,4% de 2005 a 2007, quando saíram de US$ 1,7 bilhão para US$ 3 bilhões. Os maiores fornecedores para o mercado chinês foram Japão (32%), Estados Unidos (19,2%), Coréia do Sul (9,2%) e Alemanha (7,9%) em 2007. As vendas externas brasileiras de produtos metalúrgicos atingiram US$ 382,7 milhões em 2007, um acréscimo de 57,5% em relação a 2005. As exportações brasileiras para a China somaram US$ 9,8 milhões, com uma participação de 0,32% no mercado chinês.

Metais não ferrosos
De 2005 a 2007, as importações chinesas de metais não-ferrosos saltaram de US$ 5,7 bilhões para US$ 14,3 bilhões (+148,8%). Em 2007, os principais fornecedores para o mercado chinês foram Chile (36,1%), Japão (10,5%), Canadá (8,9%), Austrália (7,8%) e Cazaquistão (7,4%).
As vendas externas brasileiras desses produtos US$ 1,1 bilhão em 2007, um crescimento de 259,7% em relação a 2005. A participação brasileira no mercado chinês foi de 1,4%, com exportações de US$ 206,8 milhões em 2007.

Ferramentas, talheres e outras obras de metais
O total das importações chinesas de ferramentas, talheres e outras obras de metais, entre 2005 e 2007, cresceram de US$ 603,3 milhões para US$ 787,1 milhões (+30,4%). Os maiores fornecedores para o mercado chinês foram Japão (45,9%), Coréia do Sul (21,5%), Taiwan (12,1%) e Alemanha (8,1%) em 2007. As exportações brasileiras desses produtos foram de US$ 109,2 milhões em 2007, um acréscimo de 10,5% sobre 2005. Para a China, as vendas brasileiras somaram US$ 1,2 milhão, isso significou uma participação de 0,15% no mercado chinês.

Máquinas e motores
No triênio 2005- 2007, as importações chinesas de máquinas e motores registraram alta de 47,1%, quando saíram de US$ 13,7 bilhões para US$ 20,2 bilhões. Os principais fornecedores para o mercado chinês foram Japão (26,3%), Alemanha (20,1%), Estados Unidos (12,1%) e Coréia do Sul (7,4%) em 2007. No mesmo ano, as vendas externas brasileiras somaram US$ 5 bilhões, um incremento de 22,6% em relação a 2005. A participação dos produtos brasileiros no mercado chinês foi de 0,8% no período, com exportações de US$ 176,1 milhões em 2007.

Materiais elétricos e eletro-eletrônicos
As importações chinesas de materiais elétricos e eletro-eletrônicos entre 2005 e 2007 obtiveram aumento de 59,3%, saltando de US$ 16,4 bilhões para US$ 26,1 bilhões. Os principais fornecedores para o mercado chinês foram Japão (24%), Alemanha (9,4%) e Coréia do Sul (6,5%) em 2007. As exportações brasileiras desses produtos atingiram US$ 1,8 bilhão em 2007, um acréscimo de 92,4% em comparação com 2005.
Para a China, as exportações brasileiras alcançaram US$ 17,5 milhões com participação de 0,06% no mercado chinês.

Veículos e materiais para vias férreas
O total das importações chinesas de produtos do setor de veículos e materiais para vias férreas, no triênio 2005-2007, aumentou de US$ 75,3 milhões para US$ 214,3 milhões (+184,5%). Em 2007, os principais países que abasteceram o mercado chinês foram Itália (48,6%), Áustria (27,8%) e Japão (12,6%). No mesmo ano, as exportações brasileiras desses produtos alcançaram US$ 81,2 milhões, um aumento de 48,5% em relação a 2005. As exportações do Brasil para a China somaram US$ 344 mil no mesmo ano, o que equivaleu a uma participação de apenas 0,2% no referido mercado.

Veículos automotores e suas partes
Entre 2007 e 2005, as importações chinesas de veículos automotores e suas partes cresceram 16,7%, de US$ 3,4 bilhões para US$ 7,4 bilhões.
Em 2007, os principais fornecedores para o mercado chinês foram Japão (42,8%), Alemanha (29,2%), Coréia do Sul (7,7%) e Estados Unidos (4,9%). Em 2007, as vendas externas brasileiras desses produtos totalizaram US$ 2,4 bilhões, acréscimo de 33,4% em relação a 2005.
Para a China, estas exportações brasileiras alcançaram US$ 24,7 milhões, com uma participação de 0,33% no mercado chinês no mesmo ano.

Instrumentos de precisão
As importações chinesas de instrumentos de precisão registraram aumento de 28,4% entre 2005 e 2007, quando saíram de US$ 3,7 bilhões para US$ 4,8 bilhões. Os principais fornecedores para o mercado chinês foram Japão (23,3%), Estados Unidos (19,8%), Alemanha (19,6%) e Coréia do Sul (6,4%) em 2007. Já as exportações brasileiras desses produtos somaram US$ 239,1 milhões em 2007, um incremento de 34,4% com relação a 2005. Para a China, as exportações brasileiras somaram US$ 4,7 milhões, valor correspondente a 0,1% do mercado chinês no mesmo ano.

Ações de Atração de Investimentos

Em 2006, os investimentos diretos realizados pelas empresas chinesas no exterior ultrapassaram US$ 16 bilhões, representando aumento de 30% em relação a 2005. De acordo dados do governo chinês, entre 2006 e
2010, a expectativa é de que os investimentos externos alcancem US$ 60 bilhões nesses cinco anos.

No Brasil, conforme informações do Banco Central, o ingresso de Investimento Estrangeiro Direto – IED – chinês tem crescido de forma contínua desde 2004, alcançando, em 2007, US$ 24,3 milhões. Este resultado colocou a China como o 36º maior investidor no Brasil. As informações do Banco Central também indicam concentração dos investimentos de origem chinesa, em 2006, no setor de comércio (56,7 %).

O acompanhamento dos anúncios de projetos de investimento no Brasil, realizado pela Rede Nacional de Informações sobre o Investimento (Renai) do MDIC demonstra forte interesse dos chineses por investimentos produtivos no Brasil. Dentre informações registradas no banco de dados da Renai, constam projetos de investimento de empresas com capital chinês que totalizam US$ 7,3 bilhões, no período de 2005 a 2007. Entre os projetos de investimento de destaque, cita-se a joint venture firmada entre a chinesa Baosteel e a brasileira Vale, para construção de usina siderúrgica no Espírito Santo. A parceria para o projeto foi aprovada em 2007 e deverá totalizar investimentos de US$ 5,5 bilhões.

Os anúncios de investimento de empresas de capital chinês mostram grande direcionamento para o Pólo Industrial de Manaus (PIM), com concentração maior nos setores eletroeletrônico (84%) e motocicletas (11%). Dados da Suframa indicam que os investimentos em empresas de capital chinês, até o ano de 2006, totalizaram R$ 396 milhões. Além destes setores, observam-se, em outras regiões do Brasil, projetos nos
setores de telecomunicações, siderurgia e mineração.

Em virtude da estratégia nacional chinesa de garantir segurança energética, sustentabilidade de recursos e expansão de mercados externos, há expectativa de forte crescimento dos investimentos diretos chineses nos próximos anos. Os setores mais proeminentes nesse movimento de internacionalização são petróleo e mineração, seguidos por portos, energias alternativas, automotivo, bancário, telecomunicações e indústria eletrônica.

Em resumo, a estratégia brasileira de promoção de investimentos se orienta pelos seguintes pontos:

  • Atração de investimentos que agreguem valor à atual pauta de exportações do Brasil para a China;

  • Intensificação da promoção do Brasil como destino de inversões em setores nos quais os chineses já investem no país;

  • Apresentação de oportunidades de investimentos em infra-estrutura, não apenas pelo retorno financeiro do empreendimento em si, como também pelo fator estratégico da redução de custos de produtos intensamente exportados do Brasil para a China; e

  • Aproveitamento do potencial agrícola brasileiro para atração de inversões nas diversas etapas da cadeia produtiva.

SETORES POTENCIAIS

Por meio do cruzamento de informações sobre o perfil das multinacionais chinesas, o fluxo comercial sino-brasileiro e o interesse brasileiro em agregar valor aos produtos exportados para a China, foram identificados setores potenciais para recebimento de investimentos chineses.

Siderúrgico
No setor minero-metalúrgico é possível visualizar oportunidades de negócios pela associação de mineradoras brasileiras com empresas chinesas em projeto de implantação de usinas siderúrgicas no Brasil.
Esse tipo de projeto ampliaria o valor agregado das exportações de minério de ferro, gerando diversos empregos, diretos e indiretos. As siderúrgicas chinesas, por sua vez, poderiam realizar na China etapas posteriores da cadeia produtiva do aço.

Investimento em logística
Outra segmento que pode atrair os interesses de aportes chineses no Brasil são as obras de infra-estrutura e logística, como em construção de rodovias, ramais ferroviários, minerodutos, terminais portuários e, até mesmo, hidrovias.

Complexo Agrícola
Nos últimos anos, o Brasil consolidou sua posição como um dos maiores produtores e fornecedores de alimentos e fibras do mundo. Como resultado, o Brasil é o terceiro exportador mundial de produtos agrícolas, com grande potencial para expansão. A China é um parceiro
de destaque, com importações de US$ 4,7 bilhões em produtos agrícolas, no ano de 2007, o que representou 8% das exportações de produtos do agronegócio brasileiro.
Observa-se, também, crescente desejo dos chineses em atuar na produção agrícola no Brasil. Um efetivo movimento nesse sentido reforçaria o interesse daquele país em investir na logística de escoamento, ampliando, assim, o envolvimento chinês no país, na cadeia, para as atividades de produção, escoamento e exportação.

Biocombustíveis
Os chineses têm bastante interesse no potencial produtor e consumidor brasileiro de etanol. O país produziu 21,5 bilhões de litros em 2007 e exportou 3,5 bilhões de litros, com 370 unidades produtoras.
A produção de biodiesel no Brasil tornar-se-á cada vez mais competitiva, principalmente, em função da obrigatoriedade de mistura ao diesel, na proporção de 2%, a partir de 2008, chegando a 5% em 2013. Isso representa um volume de 1 bilhão de litros, com a conseqüente necessidade de novos investimentos no país.

Fonte: http://www.revistaportuaria.com.br/?home=noticias&n=zTdSU&t=governo-lanca-estrategia-para-ampliar-relaces-mercado-chins