terça-feira, 1 de julho de 2008

Poupança supera a bolsa no primeiro semestre, deixando dúvidas sobre resto do ano

Por: Gabriel Ignatti Casonato

Com o primeiro semestre do ano encerrado e tendo em vista o balanço da bolsa brasileira no período, muitos investidores se perguntam qual será o rumo da renda variável do País no decorrer de 2008. A Bovespa pode retomar a trajetória robusta de ganhos observada nos anos anteriores ou os próximos meses devem confirmar prejuízos aos que se "aventuram" em ações?

Para responder esta pergunta, vale a pena dar uma olhada nos números da primeira metade do ano. E eles deixam a desejar. De janeiro até o final de junho, o Ibovespa acumula leve alta de 1,77%, performance muito aquém da verificada no mesmo período de 2007, quando a valorização acumulada do índice chegava a 22,30%.

Feita a comparação, resta saber se os fundamentos e as perspectivas tanto para o plano doméstico, mas principalmente para o cenário externo, podem guiar uma recuperação ou corroborar o pior ano para a bolsa desde 2002, quando o Índice Bovespa caiu 17%.

De olho nas duas opções
À primeira vista, a segunda opção não parece distante, já que, em meio às diversas incertezas que rondam a economia mundial e podem definir a tendência positiva ou negativa das ações, a única certeza é de que mais volatilidade ainda está por vir.

A conclusão se apóia principalmente na volta das tensões acerca do setor financeiro e as possíveis seqüelas que a crise de crédito nos Estados Unidos ainda pode trazer ao mercado doméstico, tendo em vista a forte dependência da bolsa aos negócios em Wall Street.

Por lá, as expectativas não são nada boas. Além da complicada relação entre aumento da inflação e diminuição da atividade, outros indícios negativos trazidos por boa parte dos indicadores indicam, na opinião de alguns analistas, que um quadro recessivo já se instalou no país, devendo ter sérias conseqüências na economia global no curto prazo.

No Brasil, as perspectivas econômicas não carregam tamanho pessimismo, mas ainda assim incitam cautela dado o deteriorado quadro inflacionário que se apresenta, combatido pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) com altas no juro básico doméstico, que penalizam a renda variável por onerarem investimento produtivo, crédito ao consumo e ainda elevarem a atratividade da renda fixa.

Todavia, ainda que toda dose de cautela possível não seja pouca, haja vista a fragilidade do cenário internacional, é esperada uma recuperação da bolsa brasileira nos seis últimos meses do ano, contudo, em meio a um quadro altamente volátil, amplamente sujeito às mudanças de humor externo .

Quer fugir dos riscos no curto prazo? Aplique na poupança!
Com os cenários traçados e única certeza de volatilidade por vir, outra questão que vem à tona é a aposta na renda fixa. Em tempos de maior turbulência como o atual, ganha força a visão dos mais conservadores de migrar para aplicações com relativa segurança e fugir dos riscos de se investir na bolsa.

Neste sentido, para aqueles que não estão habituados com períodos de volatilidade e não desejam amargar prejuízos, a poupança aparece como uma boa alternativa de aplicação, ainda mais se compararmos as performances em 2008 da forma mais popular de investimento com a do principal índice acionário do País.

Como já foi dito anteriormente, o Ibovespa soma uma alta de apenas 1,77% no ano, pouco para o investidor disposto a assumir riscos muito maiores do que os atrelados à renda fixa. Em contrapartida, quem investiu na poupança desde o início do ano, além de estar tranqüilo pelo risco praticamente nulo da aplicação, acumula um ganho de 3,50% no primeiro semestre, superior ao da bolsa.

Contudo, vale ressaltar que aqueles que adotaram um horizonte de investimento de longo prazo na renda variável têm bons resultados a mostrar. Nos últimos cinco anos, quem optou pela bolsa viu o Índice Bovespa subir nada menos que 401%, enquanto a poupança, no mesmo período, rendeu ganhos bem menos expressivos, de 49%.

Diversificação pode ser a chave do sucesso
Apesar de os números mostrarem o benefício do investimento em ações no longo prazo, deve-se ter em mente que rentabilidade passada não significa ganhos futuros, ou seja, não há garantias que a bolsa manterá o vigor dos últimos anos.

Assim, como o rumo do mercado acionário brasileiro é incerto, o investidor pode combinar as duas alternativas, expondo parte de seu capital às ações e o restante na segurança da renda fixa.

Vale lembrar que, para aqueles que querem se precaver, diversificar os investimentos é bastante aconselhável na medida em que eventuais perdas em determinada aplicação podem ser recompensadas, parcialmente ou integralmente, com outros investimentos.