terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

China tem forte participação no crescimento econômico da América do Sul

Até agora, a América do Sul "teve muitos ganhos e poucas perdas" com a explosão da economia chinesa, segundo Cristian Broda, Ph.D. em economia pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology) e professor da Universidade de Chicago.

A visão sobre os efeitos da crescente economia chinesa foi detalhada durante o evento "Chicago Global Leadership Series", no Ibmec-SP.

Broda afirma que, até o momento, os setores de maior força de exportação da China têm pouca similaridade com os países da América do Sul - o que reduz ameaças. E para os substitutos, como tecidos e aplicativos de baixa tecnologia, houve um efeito de redução de preços nos mercados internos sul-americanos, principalmente para as camadas de baixa renda.

Conforto frágil
No entanto, as similaridades vêm crescendo de forma substancial nos últimos anos, e devem trazer maiores prejuízos ao continente em médio prazo. O índice que mede esta relação entre Brasil e China subiu de 15 para 25 pontos em 16 anos, o que é uma taxa relevante, segundo Broda. Numa linha de comparação, o Brasil se encontra na zona dos países a serem beneficiados, no médio prazo, pela expansão da economia chinesa; porém, muito próximo do limite da zona dos países a serem prejudicados.

A importância da China
O economista também acredita que os chamados "efeitos de ressonância" promovidos pela China foram responsáveis por cerca de metade do crescimento que as economias sul-americanas apresentaram nos últimos anos.

As baixas taxas de juro e o alto preço de commodities - relacionados ao desempenho chinês - foram fundamentais para melhorar fundamentos macroeconômicos, tais como os termos de troca dos países da América do Sul.

No médio prazo, a região deve crescer menos, mas sustentar os preços elevados das commodities,de acordo com Broda. No caso do Brasil, a China representa principalmente um grande consumidor de combustíveis e matérias-primas, tendência que deve seguir beneficiando o País nos próximos anos. Por outro lado, a competição com setores como de maquinaria e materiais manufaturados traz algum prejuízo.

Produção de bens duráveis
Broda atenta para o fato de que a China vem deixando de ser somente a grande produtora de bens de baixa qualidade e preços muito reduzidos, para se tornar também uma grande exportadora de bens de consumo duráveis. Como exemplo disso, dados de 2006 revelam que motores de veículos e softwares foram os itens mais exportados pelo país.

A projeção de Broda para a economia chinesa em 30 anos é surpreendente. Fazendo uso de modelos matemáticos, o economista compara a curva de crescimento da atividade chinesa com as do Japão, Tailândia e Coréia, e demonstra que, dentro de 50 anos, a China deve chegar a um PIB (Produto Interno Bruto) 1,35 vezes maior que o dos Estados Unidos. No entanto, em termos per capita, a China terá apenas 0,43 do PIB norte-americano. Segundo a previsão, em 2015 a China deve alcançar o PIB de toda a América Latina.

Demanda chinesa seguirá alta
Com o contínuo desenvolvimento chinês, o volume de poupança no país tende a reduzir-se e o consumo a aumentar. Com base neste raciocínio, Broda prevê um forte aumento na importação de commodities. Para o minério de ferro, a projeção é de que a demanda chinesa chegue a 710 milhões de toneladas em 2020, contra 148 milhões em 2006, um avanço de 10% ao ano. Para a importação de carne, o cálculo de Broda aponta que a China deve comprar 4 milhões de toneladas em 2020, o que representaria um avanço anual de 20%.

"O Brasil, como importante produtor destas commodities, deve beneficiar-se, se a economia se equilibrar e redirecionar recursos e mão-de-obra dos setores que vão se contrair, entre eles o têxtil, para os que vão crescer com o impulso chinês", avalia Broda.

"Além disso, com o recente movimento de expansão global, as economias emergentes estão menos frágeis e podem enfrentar com mais propriedade os riscos que tendem a aparecer", conclui o economista.