sábado, 16 de fevereiro de 2008

Oportunidades e perspectivas para 2008

Juros relativamente baixos sugerem continuidade na migração de recursos para renda variável, antecipando outro ano de ganhos para a bolsa.

Em função da perspectiva de continuidade na trajetória de queda dos juros básicos, – ao menos quando medida como tendência principal - está se tornando cada vez mais difícil encontrar boas oportunidades de rentabilidade na renda fixa, fato que já preocupa muitos investidores e gestores de recursos, até a pouco acostumados com a rentabilidade atrativa e segura proporcionada pelo CDI. A saída nesse caso, para os investidores em renda fixa, é evitar o CDI e dar preferência aos títulos prefixados, mais indicados em cenários de queda dos juros. Para o médio prazo a tendência é de que haja continuidade na migração de recursos da renda fixa para a renda variável, colocando perspectivas positivas para o desempenho da bolsa em 2008.

Setores que devem se beneficiar em 2008

Com juros e petróleo mais estáveis, crédito em expansão e crescimento esperado do PIB em 4,5%, tendem a se beneficiar aqueles setores mais sensíveis ao crescimento do mercado interno, à expansão do crédito e da renda e aos atuais níveis elevados de preços de commodities, como:

· varejo - Apesar das empresas do setor já terem apresentado bom desempenho nos últimos anos, estando algumas com múltiplos elevados, acredita-se que o atual patamar de juros ainda tem espaço para gerar efeitos positivos sobre o consumo, impulsionando o setor de varejo.

· agricultura – A forte demanda por alimentos por parte da China, além da concorrência por espaço para a produção de milho e soja para produção de ração animal e também biocombustíveis tendem a continuar favorecendo o desempenho do setor.

· mineração - O ciclo de demanda por minérios, que vem sendo puxado, principalmente pela
demanda asiática, tem boas chances de continuidade em 2008.

· siderurgia – A manutenção do ritmo de crescimento da economia brasileira, sobretudo, nos setores de construção civil, automobilístico e de máquinas e equipamentos, garantirá uma forte demanda para os produtos siderúrgicos e favorecerá a estratégia das companhias de priorizar o mercado interno, melhorando suas margens. A auto-suficiência conquistada por algumas empresas e perseguida por outras em minério reduz o impacto do aumento do produto sobre seus custos.

· automobilístico – Apesar da valorização do real nos últimos anos, o país tem se tornado cada vez mais uma plataforma de exportação de motores. Ainda, com a evolução do crédito e o aumento dos prazos de empréstimos, o setor tem apresentado taxas de crescimento robustas.

· petróleo e gás - Problemas com a confiabilidade do fornecimento de gás por parte da Bolívia, além das recentes descobertas de gás e de petróleo anunciadas pela Petrobras fazem do setor uma importante área de atração de investimentos, principalmente em um ambiente de demanda forte e pouca elasticidade de oferta como o vivenciado atualmente no mercado internacional.

· bancos e seguradoras - Com crédito ainda bastante reduzido no Brasil como porcentual do PIB, apesar do forte crescimento verificado nos últimos anos, a inadimplência tem permanecido dentro de níveis aceitáveis. Tanto o financiamento imobiliário quanto o automotivo são segmentos que apresentam forte potencial de expansão. O fim do monopólio do resseguro tende a aumentar a competição entre as seguradoras, contribuindo para a expansão da participação desse setor.

· bens de capital – O setor apresentou elevação de investimentos ao longo de 2007, com boas
perspectivas para 2008. Com a estabilidade econômica e demanda aquecida, os empresários
começam a se sentir mais confortáveis para levar adiante seus planos de investimentos.

· construção – Ressaltando os maiores investimentos previstos em infra-estrutura e saneamento devido à aprovação do marco regulatório. A construção naval também está vivendo um período de intenso crescimento.

· telecom - Dependendo do tratamento que for dado para a regulamentação do setor, além de casos pontuais de fusões e aquisições que podem ocorrer. Dessa maneira, trabalha-se com uma
expectativa de crescimento médio dos lucros das empresas do setor da ordem de 25% para 2008.

A economia brasileira, mesmo com a desaceleração prevista para os EUA e ligeira redução do ritmo de crescimento da economia mundial, tem fundamentos econômicos sólidos para manter sua atual trajetória de crescimento. Acredita-se que boa parte da correção nos mercados dos EUA e Europa também já esteja precificada nos ativos, abrindo espaço para que, em função da atual política de redução de juros, levada a cabo pelo FED, e que deve ser seguida pelo BC Europeu, os mercados tenham espaço para recuperação ao longo do ano de 2008.

Grau de Investimento
A perspectiva de obtenção do grau de investimento em um futuro próximo, também faz com que
investidores estrangeiros acompanhem mais de perto os ativos brasileiros, que ainda estão defasados em termos de indicadores de preços relativos, quando comparados com empresas de outros países emergentes que já obtiveram essa elevação em suas notas de crédito. Devido ao bom potencial de crescimento da economia brasileira para os próximos anos, muitos ativos de qualidade começam a se destacar aos olhos dos investidores entre as melhores oportunidades de investimentos a nível global. Portanto, é hora de aproveitar esse ciclo virtuoso e montar posições, visando aproveitar o salto de qualidade iminente no mercado de capitais brasileiro.