sexta-feira, 11 de abril de 2008

Tombo das ações do setor imobiliário é oportunidade de longo prazo, opina banco

Por: Conrado Mazzoni Cruz

A turbulência dos mercados financeiros, as incertezas sobre o nível de capitalização das incorporadoras e construtoras de imóveis e o medo sobre um aumento na taxa Selic transformaram o desempenho das ações do setor imobiliário na Bovespa num festival de desvalorizações de dois dígitos em 2008.

Para os analistas do JPMorgan, nem tudo está perdido. Traçando projeções para este ano, a equipe do banco de investimentos mostra confiança com os fundamentos da construção civil brasileira e interpreta a derrocada como um interessante ponto de entrada para investidores empenhados na performance de longo prazo.

O banco lembra que, no ano passado, 14 novas empresas do ramo imobiliário ingressaram na bolsa, captando R$ 7,9 bilhões. A cifra explodiu o número de lançamentos realizados no ano anterior - aumento de 180%, para R$ 26,2 bilhões e com R$ 15 bilhões em vendas contratadas.

"O guidance previsto pelas empresas indica um potencial de 63% de crescimento em lançamentos em 2008, mas com uma distribuição mais homogênea ao longo do ano", salienta a instituição financeira. Em 2007, 52% dos empreendimentos lançados foram apresentados no último trimestre.

Projeções
No entanto, ainda que a estimativa seja de encher os olhos, os analistas alertam que o foco dos investidores interessados no setor imobiliário deve ser pautado pelo ritmo das vendas contratadas e a evolução das margens operacionais, em detrimento ao incremento da quantidade de lançamentos.

"As vendas contratadas irão sinalizar a capacidade de execução das companhias e a habilidade delas em selecionar os melhores projetos, em termos de localização e produto, frente a um ambiente mais agressivo de competição", explicam.

"Algumas companhias devem requerer um capital adicional neste ano", acrescenta JPMorgan, de olho na manutenção de uma plataforma de operações mais ampla. As incorporadoras que desfrutam de um fluxo de caixa mais confortável poderão expandir a meta de lançamentos, sem comprometer sua alavancagem.

Além disso, as projeções já incorporam a possibilidade de pressão nas margens proveniente da maior exposição ao segmento de classes de renda mais baixa por parte das companhias. Unidades com preços abaixo de R$ 200 mil, por exemplo, tendem a ocupar grande fatia dos lançamentos de Cyrela (CYRE3), Gafisa (GFSA3) e Rossi (RSID3).