terça-feira, 13 de maio de 2008

Brasil redescoberto como um novo porto seguro

A agencia S&P (Standard & Poor`s) credenciou o Brasil a ser o mais novo BBB (investment grade). O mercado internacional não entendeu qual o motivo desta classificação ter ocorrido no primeiro semestre de 2008. Já que a expectativa era para o final de 2008 ou início de 2009. Então a vitrine Brasil está sendo observada cautelosamente.

As outras duas agências, Moody`s e Fitch, ainda não se manifestaram com esta nova classificação, pois o Brasil necessita fazer urgentemente a reforma fiscal e diminuir a dívida interna que absorve quase 45% do PIB. Sendo que, nos outros países que receberam o diploma de investment grade, a dívida interna é inferior a 30% do PIB. E na América do Sul, o Peru também foi promovido.

A euforia tomou conta do mercado: o Índice Bovespa com um novo recorde de pontos, o dólar caiu mais de 2,5%, e os juros também recuaram. Os otimistas já esperam a bolsa para o final do ano a 80.000 pontos e o dólar a R$ 1,50 /1,60, caso o governo não consiga nenhuma mágica.

Se efetuarmos a comparação da nossa bolsa em dólar, no passado recente tínhamos bolsa a 30.000 pontos que, a um dólar médio de R$ 3,00, era equivalente a 10.000 pontos em dólar. Caso se concretize o Ibovespa acima 80.000 pontos, com um dólar a R$ 1,50, se chega a 53.333 pontos em dólar. É para ficar muito atento a estes números. Só veremos este capítulo no final do ano.

Agora, com esta nova realidade, o nosso ministro Guido Mantega vem novamente falar sobre o fundo soberano. No entanto, o princípio básico e válido é: ou estuda uma nova maneira de restringir ou aumentar o prazo de permanência das divisas no pais, ou aumenta os impostos.

Os exportadores estão de cabelos em pé. O mercado aguarda um grande fluxo de ingressos de divisas, mais capital especulativo e mais investimento direto, pois o atrativo continua. O Fed reduz as taxas de juros para 2% ao ano, e o Brasil eleva a Selic (meta do Bacen é 11,75% anuais). Com os índices de inflação subindo, o mercado já aguarda um novo ajuste na taxa para o Copom de junho/08. Desta forma, não tem como conter o grande fluxo de divisas e especulações.

No cenário internacional, os bancos americanos e alguns europeus continuam a contabilizar os prejuízos relativos à crise imobiliária dos EUA. E com o forte crescimento do consumo na área de alimentação, a inflação está assustando todos os mercados. Por conta da desvalorização do dólar, o barril do petróleo está a US$ 120, e alguns especialistas esperam por uma alta maior.

Viva o Brasil, porém a classificação pode ser pró e contra.

Reginaldo Siaca é gerente de Câmbio da corretora TOV e escreve mensalmente na InfoMoney, às terças-feiras.
reginaldo.siaca@infomoney.com.br