terça-feira, 27 de maio de 2008

Desequilíbrio entre oferta e demanda continuará a pressionar petróleo, diz FMI

Por: Gabriel Ignatti Casonato

Acompanhando a trajetória descendente das taxas de juro nos EUA e a contínua depreciação do dólar, os preços do petróleo iniciaram uma escalada recente, com o barril marcando recordes atrás de recordes nas últimas semanas.

Em meio à atual conjunta econômica mundial, o FMI (Fundo Monetário Internacional) questiona até quando as cotações da commodity continuarão subindo e avalia as possibilidades para o movimento dos preços nos próximos meses.

Apesar do recente movimento de alta das commodities em geral, o Fundo alerta que o enfraquecimento das condições financeiras em algumas das principais economias do mundo pode interromper a ascensão dos preços, na medida em que uma eventual recessão econômica possa prejudicar a demanda pelos produtos.

Alto preço enfraquece demanda e pressiona inflação
Além disso, o FMI aponta para as implicações dos elevados preços do óleo. O alto patamar do barril pode vir a desestimular a sua procura, além de ser um fator de peso para a aceleração da inflação, ponto que tem gerado grandes preocupações entre as autoridades monetárias.

Neste sentido, ganha importância a postura dos principais bancos centrais, especialmente do Fed, que nas últimas reuniões tem optado pelo afrouxamento do juro básico norte-americano, atualmente em 2% ao ano, embora já acene com a interrupção do ciclo de cortes.

Escassez de oferta preocupa
Por outro lado, o Fundo também destaca a importância dos níveis dos estoques do petróleo, que vêm impulsionando as cotações do barril nas últimas semanas ao surpreenderem os analistas com inesperadas quedas, principalmente em relação às reservas dos EUA, maior consumidor mundial.

A preocupação com a escassez de oferta também ganha corpo com os persistentes conflitos no Oriente Médio, região que mais produz petróleo no mundo, já que os contínuos ataques de militantes têm prejudicado a produção de diversas petrolíferas.

E na opinião do FMI, mesmo em meio aos eventos que possam vir a pressionar os preços da commodity, o cenário de curtíssimo prazo continua favorecendo a expansão do barril, justamente em função deste desequilíbrio entre oferta e demanda.

Sem projeções
Em suma, o Fundo Monetário Internacional acredita que são vários os fatores que vão determinar o rumo dos preços do petróleo nos próximos meses, indo desde as variáveis econômicas até movimentos especulativos dos investidores.

Sendo assim, antes de realizar alguma projeção para as cotações do barril, o Fundo considera mais prudente aguardar por uma melhor definição dos cenários.