sexta-feira, 16 de maio de 2008

Disparada do petróleo pode ter raízes além da oferta, no capital especulativo

Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira

Um ano atrás, parecia absurdo projetar o valor do barril de petróleo na casa de três dígitos, mas a realidade é outra nos dias atuais. Diversos fatores podem estar associados à disparada da commodity no mercado internacional, mas alguns chamam a atenção.

Este mercado é marcado pela forte influência da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Por controlar cerca de dois terços das reservas globais, o poder do cartel é questionado e atribuído, por muitos, à possibilidade de manipulação das cotações.

Outro bom exemplo é a atuação do capital especulativo: o volume crescente de negócios nas bolsas de futuros evidencia que muita gente que participa deste mercado não tem relação direta com o produto nos patamares negociados. Entre estas premissas, a influência "natural" da relação entre a oferta e demanda pelo produto vem se distanciando do movimento diário do valor do barril.

Mas a atuação citada do capital especulativo chama mais a atenção. Parte da valorização dos contratos pode ser alheia da relação oferta/demanda, sendo uma mera resposta dos investidores às constantes projeções de alta no valor do produto. Resumindo: com perspectiva de alta, os investidores vão atrás e impulsionam o preço do barril.

Goldman Sachs encabeça movimento
Em especial, um ator pode ser considerado principal neste ambiente: o banco de investimentos norte-americano Goldman Sachs. Quando ninguém apostava em altas exorbitantes, os analistas da instituição estavam entre os poucos a visualizar o preço acima de três dígitos em dólar.

E a aposta foi certeira. Hoje, a quase US$ 127 por barril, o difícil é ver projeções que não mencionem os "três dígitos" lançados pela instituição. Alguns analistas de mercado já associam parte do rali recente do petróleo a esta expectativa criada em torno da valorização dos contratos, e liderada pelo Goldman Sachs.

Caso esta teoria se confirme, o preço não deve parar por aí. Semanas atrás o banco de investimentos voltou a atrair o olhar dos mercados ao projetar a commodity acima de US$ 200 em intervalo de 6 meses a 2 anos.

Para o segundo semestre deste ano, as estimativas da instituição foram elevadas, de US$ 107 anteriores para a margem de US$ 141.