Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira
A disparada do petróleo já figura entre as principais ameaças aos mercados globais, por suas implicações inflacionárias. Mas o sentimento negativo gerado pela questão revela por trás alguns desdobramentos favoráveis, que passam em grande parte desapercebidos ao olhar do investidor.
Basicamente, a alta das commodities traz reflexos positivos aos mercados acionários. É evidente que a elevação do preço de um combustível, por exemplo, impacta inicialmente na estrutura de custos de uma empresa, depois no valor do produto vendido pela mesma e, no final da cadeia, no comportamento do consumidor.
Esta relação remete diretamente a setores como o varejista e o industrial, por exemplo. O aumento dos custos operacionais penalizaria as margens e conseqüentemente os papéis destas companhias, assim como a alta dos preços dos produtos finais pressionaria o consumo e o volume de vendas.
Mas a mesma variação de preços que impacta negativamente estes segmentos traz consigo benefícios a outros setores, como o dos próprios produtores das matérias-primas. Resta saber o "peso" desta alta sobre cada setor, e seus desdobramentos aos índices acionários em geral.
O lado bom para os mercados
Uma análise abrangente dos mercados mostra que a parte dos benefícios na maioria das vezes se sobrepõe à das perdas. Os analistas do banco de investimentos UBS ressaltaram este ponto destacando que no índice Standard & Poor's 500, por exemplo, as ações atreladas ao setor de energia são as de maior participação sobre os ganhos do índice.
Para se ter uma idéia, um estudo do UBS apontou para o fato de que as commodities representam "apenas" 2% a 3% dos custos finais de uma empresa que não responda ao setor de energia ou alimentos, e o impacto sobre consumidores, companhias energéticas e varejistas com maior exposição aos alimentos gira em torno de 15%.
Este retrato fica ainda mais evidente sobre a bolsa brasileira. Líderes absolutos em volume de negócios e participação no Índice Bovespa, os papéis de Petrobras e Vale representam dois casos específicos de fortes ganhos associados à disparada do petróleo e do preço do minério de ferro.
O banco suíço ainda trouxe a tona afirmações importantes para o momento: historicamente, períodos de alta no preço das commodities são de ganhos ao índice S&P, e o preço das matérias-primas pode ser considerado um dos melhores termômetros do crescimento econômico global.
Termômetro do crescimento global
Os reflexos sobre o crescimento econômico global geraram uma elevação nas projeções do UBS para o próximo ano, que na avaliação da instituição deve passar de 3,3% em 2008 para algo mais próximo de 3,5% em 2009, graças às expectativas quanto aos ganhos proporcionados pela evolução do preço das commodities.
Sobre o mercado norte-americano, mais especificamente sobre o índice Standard & Poor's 500, o UBS acredita que o setor financeiro tende a ser o mais penalizado pela elevação das cotações no mercado das matérias-primas, por relacionar ainda maiores custos com crédito.
As expectativas acerca dos ganhos das empresas do segmento foram reduzidas em 10%, levando as projeções quanto ao ganho por ação do índice a US$ 92 este ano, de US$ 96 anteriores. Para 2009, a projeção é de US$ 102 por ação.
A disparada do petróleo já figura entre as principais ameaças aos mercados globais, por suas implicações inflacionárias. Mas o sentimento negativo gerado pela questão revela por trás alguns desdobramentos favoráveis, que passam em grande parte desapercebidos ao olhar do investidor.
Basicamente, a alta das commodities traz reflexos positivos aos mercados acionários. É evidente que a elevação do preço de um combustível, por exemplo, impacta inicialmente na estrutura de custos de uma empresa, depois no valor do produto vendido pela mesma e, no final da cadeia, no comportamento do consumidor.
Esta relação remete diretamente a setores como o varejista e o industrial, por exemplo. O aumento dos custos operacionais penalizaria as margens e conseqüentemente os papéis destas companhias, assim como a alta dos preços dos produtos finais pressionaria o consumo e o volume de vendas.
Mas a mesma variação de preços que impacta negativamente estes segmentos traz consigo benefícios a outros setores, como o dos próprios produtores das matérias-primas. Resta saber o "peso" desta alta sobre cada setor, e seus desdobramentos aos índices acionários em geral.
O lado bom para os mercados
Uma análise abrangente dos mercados mostra que a parte dos benefícios na maioria das vezes se sobrepõe à das perdas. Os analistas do banco de investimentos UBS ressaltaram este ponto destacando que no índice Standard & Poor's 500, por exemplo, as ações atreladas ao setor de energia são as de maior participação sobre os ganhos do índice.
Para se ter uma idéia, um estudo do UBS apontou para o fato de que as commodities representam "apenas" 2% a 3% dos custos finais de uma empresa que não responda ao setor de energia ou alimentos, e o impacto sobre consumidores, companhias energéticas e varejistas com maior exposição aos alimentos gira em torno de 15%.
Este retrato fica ainda mais evidente sobre a bolsa brasileira. Líderes absolutos em volume de negócios e participação no Índice Bovespa, os papéis de Petrobras e Vale representam dois casos específicos de fortes ganhos associados à disparada do petróleo e do preço do minério de ferro.
O banco suíço ainda trouxe a tona afirmações importantes para o momento: historicamente, períodos de alta no preço das commodities são de ganhos ao índice S&P, e o preço das matérias-primas pode ser considerado um dos melhores termômetros do crescimento econômico global.
Termômetro do crescimento global
Os reflexos sobre o crescimento econômico global geraram uma elevação nas projeções do UBS para o próximo ano, que na avaliação da instituição deve passar de 3,3% em 2008 para algo mais próximo de 3,5% em 2009, graças às expectativas quanto aos ganhos proporcionados pela evolução do preço das commodities.
Sobre o mercado norte-americano, mais especificamente sobre o índice Standard & Poor's 500, o UBS acredita que o setor financeiro tende a ser o mais penalizado pela elevação das cotações no mercado das matérias-primas, por relacionar ainda maiores custos com crédito.
As expectativas acerca dos ganhos das empresas do segmento foram reduzidas em 10%, levando as projeções quanto ao ganho por ação do índice a US$ 92 este ano, de US$ 96 anteriores. Para 2009, a projeção é de US$ 102 por ação.