quinta-feira, 8 de maio de 2008

Entenda o que é o Grau de Investimento

O Grau de Investimento é uma espécie de “selo de qualidade”, concedido pelas agências de classificação de risco para a economia do País. São três as principais agências: Moody’s Service, Fitch Ratings e Standard & Poor’s.

A Standard & Poor’s trabalha com uma escala de 22 níveis, o último deles é o “D”, e significa que o país avaliado certamente vai deixar de pagar seus compromissos. O principal nível é o AAA, significa que o país que o possuí tem total capacidade de honrar com suas dívidas. Neste nível estão os Estados Unidos e a Alemanha. Na outra ponta está o Líbano, com a menor posição na escala da agência: CCC+.

O Brasil encontra-se com a classificação BBB- (após o recebimento do grau de investimento), a mesma classificação da Índia e Cazaquistão. Esse nível significa que o país possui um parâmetro de proteção adequado, ou seja, que é um país seguro para os investidores colocarem seu dinheiro, tendo condições de honrar as dívidas.

A classificação anterior do Brasil era BB+ , junto com a Colômbia e Peru, significando que ocupava uma posição “menos vulnerável à inadimplência”. O México e o Chile, países emergentes como o Brasil, têm nota BBB+ e A+, respectivamente. Portanto ainda há muito o que se fazer para subirmos mais na classificação.

Para a Moody’ e Fitch Ratings, o Brasil ainda não alcançou o Grau de Investimento, ocupando as posições Ba1 e BB+, respectivamente. Para ambas falta apenas um degrau para o País conquistar o “selo de qualidade”, algo que o mercado acredita que ocorrerá em breve.

O Grau de investimento veio em um momento em que as agências de classificação estão sendo contestadas em razão das falhas na previsão da crise imobiliária nos Estados Unidos, porém acredita-se que o problema está apenas na avaliação de papéis do sistema bancário e não na avaliação do risco soberano de um país.

O que impedia o Brasil de receber o Grau de Investimento eram problemas que ainda hoje existem, como os altos gastos do governo e o grande endividamento público. Entretanto, houve melhora no perfil das divididas, crescimento do PIB e o Banco Central vem atuando fortemente para conter a inflação.

Essa nova classificação deve trazer algumas conseqüências imediatas para o país, uma delas, incontestável, é o aumento de investimento estrangeiro. A agência S&P tem alta credibilidade e é reconhecida pelo mercado, reconhecemos que faltam ainda a melhora na classificação das outras agências, mas este fato já pode contribuir fortemente para a ampliar a entrada de recursos financeiros no país. Isso porque muitos investidores internacionais preferem investir em países seguros, e o grau de investimento garante isso. Outra vantagem é a maior facilidade do país para captação de empréstimos internacionais, com custos menores.

Uma preocupação em relação a isso está em relação ao câmbio, pois um maior volume de recursos estrangeiros no país eleva o real e desvaloriza o dólar. Dessa forma a nossa balança comercial poderá ficar negativa para o próximo ano.

Para a Bolsa brasileira o panorama é bastante positivo para 2008, as projeções para o ibovespa que antes pairavam em torno dos 70 mil pontos hoje encontra-se em 79 mil para o fim do ano. Patamar que pode até ser ultrapassado caso as outras agências de riscos (Moody’s e Fitch) dêem mais uma nova classificação ao Brasil.