Enquanto há dúvidas sobre o dólar e o futuro do poderio econômico e político dos Estados Unidos, cada vez mais olhares se debruçam sobre o futuro dos países emergentes, principalmente a China, que nos últimos anos tem crescido 10% ao ano e destina cerca de um quarto de suas exportações para os Estados Unidos. Mas a China terá dificuldades para consolidar uma posição de ponta no plano internacional, nos próximos anos, em razão do potencial de conflitos políticos e sociais que se vêm acumulando no país, decorrentes do crescimento e da urbanização.
A opinião é de Gilberto Dupas, presidente do Instituto de Estudos Econômicos internacionais (IEEI) e coordenador do Grupo de Análise de Conjuntura Internacional da USP. Com a perspectiva de obter emprego e melhor remuneração nas cidades, muitos chineses deixam o campo. E acabam, em grande número, vivendo em bolsões de miséria, que tornam as diferenças de renda claramente visíveis para a população. De outro lado, a restrição à liberdade dos chineses também pode provocar conflitos internos, o que torna o futuro do país um tanto incerto. "Há um potencial grande de confrontos internos e com o Ocidente. O Estado chinês terá de administrar muitas pressões, como se viu no caso do Tibete", diz Dupas.
O vigoroso crescimento da China, que nos últimos anos tem sido da ordem de de 10% ao ano, também dá sinais de arrefecimento. "As indicações são de que esse forte crescimento já passou, e agora a expansão será em ritmo menor. A competitividade do país vem perdendo fôlego, com a legislação trabalhista, e a indústria deverá enfrentar cada vez mais problemas ambientais", afirma Dupas. Na Índia, Dupas também vê potencial elevado de conflitos internos e menor crescimento a partir deste ano, com a expansão caindo para 6% .
O bom desempenho das commodities, impulsionado pela expansão da China e da Índia, contribuiu para a virada externa de muitos países da América Latina, entre eles o Brasil, que se tornaram credores líquidos no mercado internacional. A disparada do preço do petróleo, que deverá se estabilizar em um patamar mais alto, e a crise de alimentos posicionaram o Brasil como participante mais freqüente das discussões internacionais no setor de agroenergia, mas também traz dilemas a serem resolvidos.
A tensão entre biocombustíveis e alimentos veio para ficar. Como há dificuldade para expandir áreas agrícolas em países ricos e em outras economias, o grande espaço a ser explorado é o Brasil, que tem imensa competitividade em muitos produtos, como etanol, soja, açúcar, carnes e laranja", diz Dupas. "Isso tera efeitos sobre a Amazônia, não porque [as atividades relacionadas a]o etanol irão se expandir para lá, mas por causa da pecuária, que será pressionada e poderá ir para as franjas da região." Dupas acredita que o setor agrícola brasileiro passa por um novo processo de internacionalização, que unirá capitais externos e internos e estimulará a compra direta de terras por estrangeiros. Dois exemplos de que pode estar se desenhando uma tendência nessa direção: a British Petroleum (BP) anunciou a intenção de investir no segmento de etanol e chineses começam a prospectar terras disponíveis.
São fatores que poderão reforçar a idéia de que a vocação natural do Brasil é a produção de commodities, com prejuízo para o desenvolvimento de setores industriais dinâmicos. "Hoje estamos muito presos ao exemplo da Embraer, praticamente solitário. Com a agroenergia tendo papel de destaque no mundo, podemos estar condenados a ser produtores de bens básicos, que acrescentam pouco valor à cadeia de negócios e restringem a criação de empregos de qualidade. Isso é uma armadilha perigosa", adverte Dupas. De todo modo, para avançar no setor agrícola, no qual tem larga vantagem competitiva em vários segmentos, o Brasil terá de estar preparado para superar obstáculos protecionistas levantados nos países desenvolvidos, a começar pelos Estados Unidos. São as imposições inevitáveis do crescimento da importância econômica e política do Brasil no cenário global.
A opinião é de Gilberto Dupas, presidente do Instituto de Estudos Econômicos internacionais (IEEI) e coordenador do Grupo de Análise de Conjuntura Internacional da USP. Com a perspectiva de obter emprego e melhor remuneração nas cidades, muitos chineses deixam o campo. E acabam, em grande número, vivendo em bolsões de miséria, que tornam as diferenças de renda claramente visíveis para a população. De outro lado, a restrição à liberdade dos chineses também pode provocar conflitos internos, o que torna o futuro do país um tanto incerto. "Há um potencial grande de confrontos internos e com o Ocidente. O Estado chinês terá de administrar muitas pressões, como se viu no caso do Tibete", diz Dupas.
O vigoroso crescimento da China, que nos últimos anos tem sido da ordem de de 10% ao ano, também dá sinais de arrefecimento. "As indicações são de que esse forte crescimento já passou, e agora a expansão será em ritmo menor. A competitividade do país vem perdendo fôlego, com a legislação trabalhista, e a indústria deverá enfrentar cada vez mais problemas ambientais", afirma Dupas. Na Índia, Dupas também vê potencial elevado de conflitos internos e menor crescimento a partir deste ano, com a expansão caindo para 6% .
O bom desempenho das commodities, impulsionado pela expansão da China e da Índia, contribuiu para a virada externa de muitos países da América Latina, entre eles o Brasil, que se tornaram credores líquidos no mercado internacional. A disparada do preço do petróleo, que deverá se estabilizar em um patamar mais alto, e a crise de alimentos posicionaram o Brasil como participante mais freqüente das discussões internacionais no setor de agroenergia, mas também traz dilemas a serem resolvidos.
A tensão entre biocombustíveis e alimentos veio para ficar. Como há dificuldade para expandir áreas agrícolas em países ricos e em outras economias, o grande espaço a ser explorado é o Brasil, que tem imensa competitividade em muitos produtos, como etanol, soja, açúcar, carnes e laranja", diz Dupas. "Isso tera efeitos sobre a Amazônia, não porque [as atividades relacionadas a]o etanol irão se expandir para lá, mas por causa da pecuária, que será pressionada e poderá ir para as franjas da região." Dupas acredita que o setor agrícola brasileiro passa por um novo processo de internacionalização, que unirá capitais externos e internos e estimulará a compra direta de terras por estrangeiros. Dois exemplos de que pode estar se desenhando uma tendência nessa direção: a British Petroleum (BP) anunciou a intenção de investir no segmento de etanol e chineses começam a prospectar terras disponíveis.
São fatores que poderão reforçar a idéia de que a vocação natural do Brasil é a produção de commodities, com prejuízo para o desenvolvimento de setores industriais dinâmicos. "Hoje estamos muito presos ao exemplo da Embraer, praticamente solitário. Com a agroenergia tendo papel de destaque no mundo, podemos estar condenados a ser produtores de bens básicos, que acrescentam pouco valor à cadeia de negócios e restringem a criação de empregos de qualidade. Isso é uma armadilha perigosa", adverte Dupas. De todo modo, para avançar no setor agrícola, no qual tem larga vantagem competitiva em vários segmentos, o Brasil terá de estar preparado para superar obstáculos protecionistas levantados nos países desenvolvidos, a começar pelos Estados Unidos. São as imposições inevitáveis do crescimento da importância econômica e política do Brasil no cenário global.