terça-feira, 13 de maio de 2008

Planejar a aposentaria ajuda a evitar surpresas desagradáveis

Por: Patricia Alves

A maioria dos brasileiros corre risco de ter renda insuficiente na fase da aposentadoria. A conclusão faz parte da pesquisa "O Futuro da Aposentadoria - Investindo na Melhor Idade", divulgada nesta terça-feira (13), mundialmente, pelo Grupo HSBC.

Segundo o estudo, aqueles que são dependentes de uma
única fonte de renda são os que têm a maior probabilidade de cair no que é chamado de "armadilha da vulnerabilidade", já que acreditam ter condições de manter o mesmo padrão de vida na terceira idade, mas só percebem que isso não é possível quando já estão nela.

Como reverter a situação? O segredo, antes de tudo, é planejamento. Garantir, na aposentadoria, o mesmo padrão de vida usufruído durante a idade ativa não é fácil, principalmente quando se chega à conclusão às vésperas de parar de trabalhar.

Quanto antes melhor
Não existe uma "idade certa" para começar a pensar no futuro. Mas, é consenso que, quanto antes começar, maior será sua poupança e menor o seu esforço mensal. Ou seja, um jovem de 20 anos que começa, desde já, a cuidar de seu futuro financeiro, precisa dispor de muito menos, mensalmente, do que uma pessoa de 40.

Vamos imaginar uma pessoa que hoje viva com uma renda de R$ 4.500 mensais. Ao término da vida ativa, por volta dos 65 anos, dificilmente essa pessoa conseguirá esse rendimento por meio dos recursos da Previdência Social, ou seja, serão necessários outros meios para conseguir esse montante.

Antes de definirmos como conseguir esse rendimento mensalmente sem contar com o INSS, é preciso considerar algumas variáveis:
  • Expectativa de vida: vai definir ou, pelo menos, dar uma idéia de quanto tempo irá depender da renda, sem exercer nenhuma atividade remunerada, após a aposentadoria;

  • Quanto tempo tem até se aposentar: vai definir quanto terá de poupar por mês para atingir o montante necessário - aquele que será resgatado mensalmente durante x meses (definidos no item anterior);

  • Melhor aplicação: onde investir para atingir seu objetivo. Essa variável deve levar em conta, entre outras coisas, a meta final e o perfil de risco do investidor.
Na ponta do lápis
Para exemplificar, vamos utilizar as seguintes variáveis:

  • Renda mensal estimada após a aposentadoria: R$ 4.500
  • Idade de aposentadoria: 65 anos
  • Expectativa de vida: 85 anos
  • Aplicação: conservadora, rendimento de 0,60% ao mês
  • Idade no início da poupança: 20, 30, 40 e 50 anos (vamos utilizar vários exemplos para podermos comparar).

    Considerando os dados acima, calcula-se que, para atingir o rendimento mensal estipulado, a pessoa deverá poupar, até a data de aposentadoria, a quantia de R$ 625.357,24.

    A tabela abaixo estima o esforço mensal da pessoa, de acordo com tempo que ela tem até a aposentadoria:

    Idade hoje Anos até a aposentadoria Poupança mensal necessária
    20 45 R$ 154,29
    30 35 R$ 331,01
    40 25 R$ 747,29
    50 15 R$ 1.938,90


    Pela tabela, é possível comprovar que, o quanto antes começar a planejar o futuro, menor será o seu esforço de poupança mensal para atingir seu objetivo financeiro.

    Por exemplo, um jovem de 20 anos, que tem 45 anos para poupar, precisa de pouco mais de R$ 150 por mês para conseguir, durante a aposentaria, uma renda mensal de R$ 4.500.

    No entanto, uma pessoa de 50 anos, que só agora se deu conta de que seu padrão de vida pode cair, caso não faça algo, precisa investir quase R$ 2.000 por mês para garantir a renda mensal necessária.

    Vale lembrar que os cálculos acima são hipotéticos e não consideram inflação, taxas, impostos e qualquer outro desconto sobre o investimento
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