segunda-feira, 12 de maio de 2008

Grande ameaça aos negócios, inflação pode impactar ainda mais os emergentes

Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira

O caminho para a evolução do mercado doméstico parece traçado após a obtenção do grau de investimento, mas um tema ainda preocupa. Indicadores seguidos apontam para um avanço da inflação, e a questão ainda é alimentada pela disparada de preço de algumas commodities, em especial o petróleo.

Por envolver as matérias-primas necessárias para o crescimento dos diversos setores da economia, a alta de preços no mercado de commodities atrai os olhares. A grande exposição do mercado doméstico a este segmento adiciona ainda outras dúvidas sobre os desdobramentos da questão.

E o pior: na avaliação dos analistas do banco de investimentos UBS Pactual, o impacto da alta de preços em nível global tende a ser maior sobre os países emergentes. De acordo com a instituição, além desta "dependência" maior das commodities, estas nações apresentam maiores taxas de crescimento econômico e geração de empregos.

Mas o olhar do investidor busca relacionar mais diretamente quais os possíveis reflexos da questão sobre os negócios. Quais investimentos seriam mais afetados, e qual a melhor opção caso a ameaça venha à tona?

Impacto sobre os investimentos
Nas economias emergentes em que a pressão inflacionária é mais evidente, os prêmios de risco mais elevado estão sujeitos a captar retornos absolutos e relativos inferiores à tendência verificada nos últimos anos, segundo os analistas.

Este primeiro impacto, na avaliação da instituição, é seguido por um movimento de migração dos investidores, da exposição às ações para a renda fixa e apreciação cambial, fatores que tendem a alterar a estrutura do mercado e penalizar os títulos ligados às variações inflacionárias.

Títulos públicos na frente, mas ações na cola
Mas com estes impactos identificados, qual a melhor opção de investimento? Para o UBS Pactual, a primeira posição fica com os títulos governamentais, em especial de países desenvolvidos, com menores taxas de crescimento e menor exposição à ameaça da inflação.

Com o dólar em recuperação, a instituição reduz a recomendação às notas norte-americanas e da região do euro, colocando os títulos australianos como acima da média.

Mas para os mais arrojados, as ações continuam sendo boa opção, mas cuidado com os papéis atrelados ao setor financeiro, afirma o UBS Pactual. "A volatilidade tende a permanecer alta entre as ações", completa a instituição.