segunda-feira, 12 de maio de 2008

Segundo Citi, condições para mercado latino-americano estão mais favoráveis

Por: Nathália A. Terra Pereira

Após forte deterioração nos meses de janeiro e março deste ano, as condições em torno das principais praças bursáteis latino-americanos voltaram a se apresentar positivas, segundo a visão dos analistas do Citi, expressa em relatório divulgado na última sexta-feira (9).

De acordo com a equipe do banco de investimentos, vários são os indicadores que comprovam tal visão. Um deles é o fluxo de capitais entre a América Latina em relação ao restante do mundo, que após ter atingido no final de março a saída de US$ 20,1 bilhões, agora registra um ingresso de US$ 387 milhões.

Ademais, a percentagem de papéis latino-americanos operando acima de suas médias móveis referentes a um período de 200 dias cresceu significativamente frente ao começo do ano, em um desempenho liderado pelas bolsas do Brasil e México, que têm, respectivamente, 56% e 55% de suas ações dentro de tal perfil.

Entretanto, o otimismo não está isento de projeções cautelosas, pelo contrário. O Citi observa que a parcela de recomendações de "compra" para os ativos da região vem sofrendo forte declínio, ocasionado por resultados decepcionantes advindos principalmente de empresas de telecomunicações, o setor com as piores perspectivas no continente.

Brasil: poderia ser melhor
A cautela se estende também ao mercado acionário brasileiro. Embora reconheça que o advento do investment grade tenha melhorado as condições na bolsa por aqui, a equipe do Citi pondera que o ambiente de risco ainda se encontra mais elevado do que no começo do ano.

Na visão dos analistas, a volatilidade segue predominante nas principais praças financeiras externas, o que acaba por penalizar o desempenho do risco-país, mesmo após a elevação do rating ao país pela Standard & Poor's.

Além disso, o Citi observa que, embora 56% dos papéis brasileiros operam acima de suas médias móveis, tal desempenho poderia ser melhor, visto que o México apresenta parcela similar de 55%, e ainda assim, sua bolsa não opera em torno de recordes históricos, como opera o Ibovespa.

Recomendações
Neste contexto, os analistas do banco escolhem seus papéis preferidos na renda variável brasileira. Confira os eleitos e suas projeções:

Empresa Código Preço-alvo Upside*
Ambev (ADR) ABV US$ 88,00 18%
Aracruz (ADR) ARA US$ 93,00 14%
Embraer (ADR) ERJ US$ 65,00 59%
Gerdau GGBR4 R$ 78,00 6%
Itaú ITAU4 R$ 57,00 21%
Lojas Americanas LAME4 R$ 22,20 70%
TAM TAM US$ 40,00 79%
Transmissão Paulista TRPL4 R$ 54,10 20%
Vale RIO_p US$ 41,00 26%
*Potencial de valorização visando dezembro de 2008, com base na cotação de fechamento do último pregão