segunda-feira, 26 de maio de 2008

Rating diminui o custo de investir

Empresas brasileiras com grau de investimento barateiam acesso ao capital para financiar ciclo de investimento A conquista do grau de investimento por diversas empresas brasileiras está reduzindo o custo de capital e aumentando a capacidade de financiamento dos grandes grupos nacionais. Mais de 20 empresas estabelecidas no Brasil (incluindo filiais de multinacionais e bancos) têm grau de investimento da Standard & Poor’s (S&P), a agência que elevou, no dia 30 de abril, o Brasil a BBB-, o rating mínimo para ter aquele status. A Moody’s e a Fitch, as outras duas principais agências de rating, também já deram grau de investimento para várias empresas do Brasil, mas não ainda para o próprio País.

Na Vale, a primeira empresa brasileira a obter grau de investimento, em julho de 2005, concedido pela Moody’s, o custo de capital caiu de 7,9% ao ano, à época, para 5,2%, no primeiro trimestre de 2008. O diretor de relações com investidores da Vale, Roberto Castello Branco, credita uma boa parte da queda ao grau de investimento, que hoje a Vale tem das três agências. “O mercado acredita na gente e percebe um risco menor”, ele diz. Na Aracruz Celulose, a redução do custo de capital após a obtenção do grau de investimento (também das três agências) foi de 1,8 ponto porcentual, de 10% para 8,2% ao ano.

O menor custo de capital, na esteira do grau de investimento, ajuda a explicar os maciços investimentos que estão sendo tocados por algumas das maiores empresas brasileiras. Na Petrobrás, segundo Almir Barbassa, diretor-financeiro e de relações com investidores, os investimentos atingiram R$ 45 bilhões em 2007 e devem chegar a R$ 50 bilhões em 2008. A Petrobrás tem um rating de Baa1 na agência Moody’s, dois degraus acima do grau de investimento e o nível mais alto já atingido por qualquer empresa no Brasil. A estatal tem grau de investimento nas duas outras agências. Na Vale, o investimento nos últimos cinco anos atingiu US$ 40 bilhões e o programa de 2008 a 2012 é de US$ 59 bilhões. A Aracruz vem investindo cerca de US$ 1 bilhão por ano e planeja duplicar a produção nos próximos oito anos, de 3,3 milhões de toneladas de celulose para 7 milhões. “O grau de investimento facilita a tomada de decisão sobre novos investimentos, já que eles passam a ter maior retorno”, diz o diretor financeiro, Isac Zagury.

Mesmo já tendo atingido o grau de investimento, empresas estabelecidas no Brasil acham que a obtenção dessa classificação é um fator positivo. “Apesar de não estarmos buscando dinheiro hoje, a conquista do grau de investimento pelo Brasil é um marco e deve se refletir em juros mais próximos do nível internacional”, diz Franklin Feder, presidente da Alcoa América Latina e Caribe. A Alcoa Alumínio é classificada como BBB pela Fitch. As condições de custo de capital também estão melhorando para empresas brasileiras que ainda não chegaram ao grau de investimento, mas estão próximas.

A Braskem, por exemplo, é classificada como BB+ pela Standard & Poor’s. Marcelo Lyra, vice-presidente de relações institucionais da empresa, acha que a promoção do Brasil ao grau de investimento pela S&P pode beneficiar empresas nacionais com estratégia de internacionalização, como a Braskem. Já Antônio Sérgio Alfano, diretor-financeiro e de planejamento da Klabin, do setor de papel e celulose, com classificação de BB pela S&P, considera que a evolução do rating depende primordialmente da situação econômico-financeira de cada empresa. Ele espera que o rating melhore agora que os investimento recentes da empresa, especialmente na unidade Monte Alegre, no Paraná, vão resultar em aumento da produção. A S&P revisou para positiva a perspectiva do rating da Klabin em junho de 2007.