sexta-feira, 16 de maio de 2008

Sobra otimismo entre o inesperado e a confirmação do grau de investimento

Por: Rodolfo Cirne Amstalden

"Não tem como estar ruim". Para Adriano Moreno, sócio da Futura Investimentos, a renda variável brasileira dá sinais inequívocos de sua força neste meio de ano. A grande razão? Um grau de investimento já dado, outro a se esperar. "O mercado aguarda ansiosamente o anúncio da Fitch".

Adriano entende como um jogo de expectativas adaptativas. "Primeiro fomos pegos de surpresa pela Standard & Poor's. Agora, todo mundo está tentando adiantar". Já Rafael Ferri, diretor de Operações da TBCS Investimentos, acha que as impressões migraram do esperado para o quase concreto: "são mais que expectativas; a possibilidade é muito, muito grande".

De large para small
Possibilidades muito grandes podem, por ironia, beneficiar quem é menor. Em meio ao BBB-, não faltam opiniões favoráveis às small caps. "O destaque agora é com papéis de menor liquidez e elevado retorno", afirma Rafael Ferri. "Aqui na Futura estamos recomendando ações de segunda e terceira linha", corrobora Adriano Moreno.

O sócio da Futura acha que as ações fora do foco serão as mais beneficiadas pela consolidação do grau de investimento. "Estamos falando de empresas que tinham muito mais dificuldade de captar recursos, principalmente lá fora. Isso tende a mudar".

Rafael Ferri descreve as construtoras e o varejo como setores em alta. Para ele, os papéis de Tenda (TEND3) e Marisa (MARI3) são exemplos claros. "Tenda subiu quase 20% na semana, e Marisa fechou a sexta-feira com ganhos de 5,08%".

Dentro do rali
Rafael enxerga o mercado entre 76 mil e 79 mil já no curto prazo. "Existe um fluxo contínuo em direção aos principais papéis do índice; a sensação é de que Vale e Petrobras sobem todo dia". Adriano define assim: "estamos dentro de um rali de alta".

Até quando e até onde vai esse rali? O sócio da Futura respeita o consenso de mercado, que "aponta o Ibovespa entre 80 mil e 85 mil pontos no final do ano". De olho no extremo superior, o diretor da TBCS lembra que "temos inclusive projeções de 90 mil para 2008".

No entanto, a euforia acumulada até aqui exige certa moderação. "É hora de um pouco de cautela; não dá para chegar acelerando neste momento", opina Adriano. "Quem está fora precisa de cuidado para entrar. Quem está dentro tem que pensar em preservar os ganhos".

Ele alerta que nosso risco-retorno não é mais tão bom. "A bolsa tem subido bastante. Por outro lado, o custo de oportunidade da Selic incomoda cada vez mais". Mesmo assim, agora, neste exato momento, "não tem como estar ruim".