sábado, 7 de junho de 2008

EUA e potências asiáticas "muito preocupados" por altos preços do petróleo

Os Estados Unidos e as quatro principais potências asiáticas expressaram suas "sérias preocupações" em relação aos novos recordes do petróleo, mas pediram pelo fim "gradual" dos subsídios aos preços dos combustíveis.

"Compartilhamos sérias preocupações sobre o atual nível dos preços de petróleo", assinalaram em um comunicado conjunto divulgado no Japão os titulares de energia dos Estados Unidos, Japão, China, Coréia do Sul, assim como um alto responsável da Índia.

"Esses preços não têm precedentes e vão contra o interesse dos países consumidores e dos produtores", acrescentaram.

O aumento dos preços "supõe uma carga pesada, particularmente para os países em desenvolvimento com escassos recursos (energéticos)", segundo o comunicado.

Os preços do petróleo - que estão cinco vezes maiores que em 2003 - alcançaram na sexta-feira um novo recorde em Nova York, ao se situarem a 138,54 dólares o barril.

Os analistas atribuíram esse aumento a uma ameaça de um responsável israelense de atacar o Irã - um importante produtor de petróleo.

No Japão, o secretário americano de Energia, Samuel Bodman, advertiu neste sábado aos produtores de petróleo que o encarecimento dos preços não será bom para eles caso a economia dos Estados Unidos continue piorando.

"Não será positivo para os países produtores ver os Estados Unidos com graves problemas econômicos, porque eles dependem que continuemos sendo um importante motor da atividade mundial", disse.

Apesar da alta, Bodman afirmou que não vê os altos preços como uma "crise" e rejeitou a necessidade de estabelecer regulamentações mais fortes nos mercados de petróleo, como pedem alguns nos Estados Unidos.

Além disso, o comunicado conjunto fez uma convocação para a redução gradual dos subsídios dos combustíveis para substituí-los, "quando possível, por melhores políticas para os beneficiários" e investimentos em energias alternativas.

A China e a Índia, em especial, mantiveram os preços dos combustíveis baixos, em um primeiro momento, graças a auxílio governamental, mas recentemente se viram obrigados a aumentá-los, desencadeando grandes manifestações.

Nesse contexto, o ministro da Índia de Petróleo, Murli Deora, cancelou sua viagem ao Japão devido a "razões internas", disse um responsável que preferiu não se identificar.

A Índia foi representada no encontro em Aomori, um importante centro de energia nuclear a 600 km ao norte de Tóquio, por seu embaixador no Japão, Hemant Krishan Singh.

As conversações prosseguirão no domingo, com uma reunião dos ministros do G8, os oito países do mundo mais industrializados.

Por sua vez, o ministro japonês de Energia, Akira Amari, declarou que os "preços altos anormais do petróleo são um importante fator de risco" para a economia mundial.

A escalada dos preços do petróleo é provocada também a atual turbulenta situação no Oriente Médio e ao aumento do consumo em gigantes emergentes como China e Índia.