Vale lembrar que os dados compilados pela consultoria não captaram a forte piora de sentimento do final desta primeira semana do mês, que resultou em perdas acentuadas para as bolsas emergentes e norte-americanas.
Entre os mercados emergentes, o destaque, pela segunda semana consecutiva, ficou com o grupo Europa, Oriente Médio e África (EMEA, na sigla em inglês), onde o entusiasmo com Rússia, país rico em reservas de petróleo, permitiu que a categoria emergentes tivesse desempenho positivo na semana.
De acordo com a consultoria americana que acompanha fundos que totalizam mais de US$ 10 trilhões em ativos, os Fundos de Ações EMEA receberam US$ 391 milhões, sétima semana seguida de desempenho positivo. Do total, os fundos dedicados à Rússia responderam por US$ 212 milhões.
Os Fundos de Ações da América Latina também tiveram desempenho positivo, mas o Brasil não foi o destaque da semana. Ajudado pela visão positiva dos agentes quanto à economia dos Estados Unidos, o México tomou a liderança na captação em novos recursos na região recebendo US$ 80 milhões.
A visão dos agentes ainda não mudou quanto à Ásia. Segundo a EPFR Global, a preocupação com a inflação e o impacto dos preços mais altos sobre as margens operacionais das companhias continua estimulando os saques. A categoria Ásia (ex-Japão) perdeu outros US$ 272 milhões na semana.
O discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, Ben Bernanke, determinou a alocação dos recursos entre os mercados desenvolvidos. Na terça-feira, dia 3, o titular do Fed defendeu um dólar mais forte e sinalizou o fim do ciclo de afrouxamento monetário nos Estados Unidos, elevando, assim, a confiança do investidor quanto ao futuro da economia norte-americana. O reflexo disso foi a entrada de US$ 3,24 bilhões nos Fundos de Ações dos EUA, melhor desempenho semanal desde meados de março.
O discurso de Bernanke também influiu diretamente na visão dos agentes sobre o Japão. Ao defender o fortalecimento do dólar, o iene perdeu valor ante a moeda norte-americana, o que favoreceu os exportadores japoneses. A EPFR não apresentou os números, mas esta foi a quinta semana consecutiva de captação positiva para os Fundos de Ações do Japão.
Na Europa, os assuntos locais têm maior peso e a crescente preocupação com a inflação, que atingiu o maior patamar em 16 anos na zona do euro, deu aval aos saques. A categoria Fundos de Ação da Europa perdeu US$ 4,59 bilhões na semana encerrada dia 4 de junho. Metade dos saques aconteceu em um único fundo alemão. No acumulado do ano, os fundos de ações europeus já perderam US$ 30 bilhões.
Entre os fundos setoriais, os destaques da semana foram Construção, categoria que recebeu US$ 509 milhões, Energia, com mais US$ 454 milhões, e Commodities, com captação de US$ 330 milhões.
Os fundos setoriais de Finanças também voltaram a captar recursos, cerca de US$ 230 milhões, mas o desempenho positivo já deve ter ficado para trás depois que o fantasma do crédito subprime (de alto risco) voltou a assombrar os bancos norte-americanos. Na semana, Morgan Stanley, Merrill Lynch e Lehman Brothers tiveram sua classificação de risco rebaixada pela Standard & Poor`s. A agência também cortou a nota AAA que tinha para as seguradoras de crédito Ambac e MBIA.
sábado, 7 de junho de 2008
Fundos de mercados emergentes seguem captando recursos; Rússia é destaque
O fluxo de recursos entre os fundos de investimentos acompanhados pela EPFR Global foi determinado pela confiança do investidor na economia norte-americana e pelo apetite por commodities. Na semana encerrada dia 4 de junho, os fundos de ações voltados para mercados emergentes, Estados Unidos e Japão receberam novos recursos.