Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira
Bruscas oscilações parecem rotina aos papéis da Petrobras (PETR4, PETR3). Mas um olhar para a trajetória das ações da estatal desde o início do ano passado mostra um figura bem sólida, que sugere um período mais desafiador para as líderes absolutas de volume na bolsa brasileira.
De maneira geral, os papéis que dispararam entre anúncios bombásticos de novas descobertas a partir do segundo semestre do ano passado e encontraram fôlego adicional na alta do petróleo no início deste ano, recentemente, não mostram a mesma força, apesar da retomada da quinta-feira (5).
Parece perfeitamente normal que ações que passaram por tamanha valorização enfrentem um período de realização de lucros, ajustando parte dos ganhos. Para se ter uma idéia, limitando a avaliação aos últimos 365 dias - intervalo que explicita bem o trecho do meio de 2007 até o período atual -, as ações preferenciais da Petrobras ainda acumulam valorização de 105%, já computadas as perdas recentes.
Mas o movimento mais lateral das ações nos últimos pregões não se restringe a esta figura limitada a um caráter de correção e retomada. A "perda de força" vem atrelada a uma mudança no cenário que anteriormente impulsionou os ativos, incorporando fundamentos sólidos ao movimento das ações.
Sprint inicial questionado
O sprint inicial das ações no ano passado, guiado pelas descobertas, parece esquecido com a falta de dados mais concretos a respeito da viabilidade das reservas anunciadas.
Em outras palavras, investidores "mal acostumados" com seqüência tão agressiva de novidades não encontram o mesmo ritmo de notícias, e ainda vêem as jazidas gigantes já anunciadas, e já precificadas, terem sua real importância posta em xeque.
Um bom exemplo destas afirmações é a sessão do último dia 22 de maio. Com o feriado no Brasil, os ADRs - American Depositary Receipts - da Petrobras recuaram mais de 4% em Nova York, graças a um relatório do Morgan Stanley que basicamente trouxe a idéia de que as informações sobre as novas descobertas de petróleo ainda são insuficientes para embasar uma decisão de investimento.
Lado a lado com o preço do petróleo
Passada a euforia do período mais agitado do ciclo de descobertas, a disparada do petróleo assumiu a continuidade do bom desempenho das ações, já no início deste ano. E comparar a performance da cotação do barril da commodity no mercado internacional lado a lado com a das ações da estatal concretiza ainda mais esta visão.
A proximidade das curvas coloca as variações do barril de petróleo como motor principal das ações. Mas esta referência também passa por período de incertezas.
Depois de atingir a margem de US$ 133 e encontrar projeções de analistas que vislumbravam a commodity a US$ 200 por barril no próximo ano, o petróleo começou a mostrar ajuste mais expressivo, creditado pelos analistas do Banif a temores quanto ao consumo nos Estados Unidos, seu maior mercado consumidor.
Além do questionamento com as descobertas e incerteza quanto a cotação do petróleo, os últimos dias colocaram em evidência debates em torno do aumento da participação do governo no setor, fator que também pode ser atrelado ao desempenho das ações nas últimas sessões.
Como se trata de uma questão de cunho político, os prováveis movimentos se tornam praticamente imprevisíveis. Mas o cenário traz algumas pistas. É evidente o interesse da Petrobras em ampliar a fatia do governo nos novos campos, mas a ANP (Agência Nacional do Petróleo) já mostrou resistência a este interesse.
Através dos discursos de seu presidente Haroldo Lima, fica evidente que o órgão defende a elevação da taxação dos campos mais rentáveis da empresa. Para os analistas do Banif, a única certeza que fica é que "os bolsos do governo terão mais lucros vindos do petróleo."
Ciclo de ganhos pode voltar?
Assumindo estas variáveis como responsáveis pelo rumo dos papéis da estatal, uma avaliação das perspectivas quanto aos desdobramentos das mesmas pode indicar o provável rumo dos papéis. Será que o ritmo de ganhos expressivos volta ou o período de enfraquecimento perdura?
A partir destas vertentes, o saldo obtido agrada os analistas. Após conversas com a Petrobras, os estrategistas do Banif afirmaram que "mais notícias positivas podem vir do pré-sal até agosto".
E os mesmos analistas ainda disseram acreditar em uma volta no ciclo de altas do petróleo, uma vez que a temporada de furacões na América do Norte está em fase inicial.
Mostrando otimismo também em relação à viabilidade das descobertas anunciadas, o Banif ressaltou que "ainda é cedo para vender a Petrobras ou rebaixar o papel". A sugestão da instituição segue em "compra".
Preferenciais a R$ 61?
Descrentes quanto a potenciais movimentos na estrutura regulatória do setor, os analistas da corretora Itaú também olham para o rumo dos papéis com otimismo.
Também recomendando a "compra", a Itaú projeta as ações preferenciais da R$ 61 no final do ano, valor que, caso concretizado, gera ganho mais de 28%, com base na cotação do fechamento do pregão da quinta-feira.
Bruscas oscilações parecem rotina aos papéis da Petrobras (PETR4, PETR3). Mas um olhar para a trajetória das ações da estatal desde o início do ano passado mostra um figura bem sólida, que sugere um período mais desafiador para as líderes absolutas de volume na bolsa brasileira.
De maneira geral, os papéis que dispararam entre anúncios bombásticos de novas descobertas a partir do segundo semestre do ano passado e encontraram fôlego adicional na alta do petróleo no início deste ano, recentemente, não mostram a mesma força, apesar da retomada da quinta-feira (5).
Parece perfeitamente normal que ações que passaram por tamanha valorização enfrentem um período de realização de lucros, ajustando parte dos ganhos. Para se ter uma idéia, limitando a avaliação aos últimos 365 dias - intervalo que explicita bem o trecho do meio de 2007 até o período atual -, as ações preferenciais da Petrobras ainda acumulam valorização de 105%, já computadas as perdas recentes.
Mas o movimento mais lateral das ações nos últimos pregões não se restringe a esta figura limitada a um caráter de correção e retomada. A "perda de força" vem atrelada a uma mudança no cenário que anteriormente impulsionou os ativos, incorporando fundamentos sólidos ao movimento das ações.
Sprint inicial questionado
O sprint inicial das ações no ano passado, guiado pelas descobertas, parece esquecido com a falta de dados mais concretos a respeito da viabilidade das reservas anunciadas.
Em outras palavras, investidores "mal acostumados" com seqüência tão agressiva de novidades não encontram o mesmo ritmo de notícias, e ainda vêem as jazidas gigantes já anunciadas, e já precificadas, terem sua real importância posta em xeque.
Um bom exemplo destas afirmações é a sessão do último dia 22 de maio. Com o feriado no Brasil, os ADRs - American Depositary Receipts - da Petrobras recuaram mais de 4% em Nova York, graças a um relatório do Morgan Stanley que basicamente trouxe a idéia de que as informações sobre as novas descobertas de petróleo ainda são insuficientes para embasar uma decisão de investimento.
Lado a lado com o preço do petróleo
Passada a euforia do período mais agitado do ciclo de descobertas, a disparada do petróleo assumiu a continuidade do bom desempenho das ações, já no início deste ano. E comparar a performance da cotação do barril da commodity no mercado internacional lado a lado com a das ações da estatal concretiza ainda mais esta visão.

A proximidade das curvas coloca as variações do barril de petróleo como motor principal das ações. Mas esta referência também passa por período de incertezas.
Depois de atingir a margem de US$ 133 e encontrar projeções de analistas que vislumbravam a commodity a US$ 200 por barril no próximo ano, o petróleo começou a mostrar ajuste mais expressivo, creditado pelos analistas do Banif a temores quanto ao consumo nos Estados Unidos, seu maior mercado consumidor.
Além do questionamento com as descobertas e incerteza quanto a cotação do petróleo, os últimos dias colocaram em evidência debates em torno do aumento da participação do governo no setor, fator que também pode ser atrelado ao desempenho das ações nas últimas sessões.
Como se trata de uma questão de cunho político, os prováveis movimentos se tornam praticamente imprevisíveis. Mas o cenário traz algumas pistas. É evidente o interesse da Petrobras em ampliar a fatia do governo nos novos campos, mas a ANP (Agência Nacional do Petróleo) já mostrou resistência a este interesse.
Através dos discursos de seu presidente Haroldo Lima, fica evidente que o órgão defende a elevação da taxação dos campos mais rentáveis da empresa. Para os analistas do Banif, a única certeza que fica é que "os bolsos do governo terão mais lucros vindos do petróleo."
Ciclo de ganhos pode voltar?
Assumindo estas variáveis como responsáveis pelo rumo dos papéis da estatal, uma avaliação das perspectivas quanto aos desdobramentos das mesmas pode indicar o provável rumo dos papéis. Será que o ritmo de ganhos expressivos volta ou o período de enfraquecimento perdura?
A partir destas vertentes, o saldo obtido agrada os analistas. Após conversas com a Petrobras, os estrategistas do Banif afirmaram que "mais notícias positivas podem vir do pré-sal até agosto".
E os mesmos analistas ainda disseram acreditar em uma volta no ciclo de altas do petróleo, uma vez que a temporada de furacões na América do Norte está em fase inicial.
Mostrando otimismo também em relação à viabilidade das descobertas anunciadas, o Banif ressaltou que "ainda é cedo para vender a Petrobras ou rebaixar o papel". A sugestão da instituição segue em "compra".
Preferenciais a R$ 61?
Descrentes quanto a potenciais movimentos na estrutura regulatória do setor, os analistas da corretora Itaú também olham para o rumo dos papéis com otimismo.
Também recomendando a "compra", a Itaú projeta as ações preferenciais da R$ 61 no final do ano, valor que, caso concretizado, gera ganho mais de 28%, com base na cotação do fechamento do pregão da quinta-feira.