terça-feira, 26 de agosto de 2008

Ágora revisa projeções e reduz preço-alvo para o Ibovespa

Por: Rafael de Souza Ribeiro

"Nunca houve tanta certeza de que temos mais incertezas pela frente", já previam os analistas da Ágora em relatório postado no final de 2007, colocando em xeque a manutenção do viés altista
do Ibovespa após cinco anos consecutivos de ganhos.

No meio do caminho, vieram os aguardados investment grades, promovidos pelas agência de classificação de risco Standard & Poor's em 30 de abril e Fitch Ratings em 29 de maio, que elevaram as perspectivas de valorização para a renda variável doméstica.

Porém, foi no cume que os investidores perceberam o quão valorizados estavam os papéis e que o cenário internacional tinha se deteriorado bastante. A partir do estopim, um processo intenso de correção perdurou no mercado, resultando em uma desvalorização anual de 14% do principal índice de ações da Bovespa até a última segunda-feira (25).

Revisão das estimativas
Em meio ao descontínuo fluxo de recursos aos mercados acionários, em especial dos investidores estrangeiros, aliado à magnitude da crise do setor subprime e as incertezas quanto à economia mundial, que vem sofrendo por demais com a inflação, os analistas da Ágora reduziram para 70 mil pontos o preço-alvo para o Ibovespa até dezembro de 2008.

Espera-se também um ajuste para cima em 2008 e 2009 para o IGP-M e o IPCA, que no acumulado ano deverão encerrar, respectivamente, com variações de 12% e 6,5%.

Para completar, os analistas estimam que a taxa Selic encerre o acumulado do ano em 14,75%, com um leve retrocesso para 14% ao ano em 2009.

Quanto ao PIB (Produto Interno Bruto), a projeção de crescimento real ficou em 4,8% em 2008, enquanto para o próximo ano, espera-se um incremento de 3,5%.

Os fatos
Como principal vilã da história, a crise do setor subprime. Além de subtrair bilhões das financeiras mundiais, os ativos contribuíram também para reduzir o nível de renda dos norte-americanos, desacelerando a maior economia do mundo.

Além do arrefecimento dos EUA, pesa contra o desempenho mundial a escalada dos preços das commodities, que respinga nos níveis de preços praticados. Fato este que força os Bancos Centrais reverterem sua política monetária expansionista, desfavorecendo o investimento.