Mariana Segala - AE Pensar no retorno ao longo dos anos ou aproveitar a possibilidade de lucro no curto prazo? Alguns investidores vivem de operar no dia-a-dia e não passam mais do que dez horas com o mesmo papel em carteira. Outros, porém, compram as ações e esquecem que as detêm. Mas há ainda um terceiro tipo, os que compram e vendem antes de um ano e que são considerados por muitos analistas como investidores de curto prazo.
Em geral, os analistas recomendam investimentos para, no mínimo, dois, três anos, principalmente para os novatos. Essa idéia, no entanto, não é unanimidade. “Precisamos perder essa impressão de que a compra de ações para o curto prazo é algo ruim”, defende o diretor do Modal Asset Management, Alexandre Póvoa. “Não vejo nada de mais neste perfil de investidor pessoa física. Devemos comemorar o fato de haver vários tipos de aplicador no nosso mercado.”
São os investidores de curto prazo – os especuladores, e não manipuladores, ressalta Póvoa – que ajudam a dar liquidez ao mercado de ações. “Sem o especulador, um investidor de médio ou longo prazo terá dificuldades para vender seus papéis quando quiser”, explica. “É problemático ter apenas um tipo de aplicador.”
Curto Prazo
Uma pesquisa da consultoria BrandAnalytics confirma que boa parte dos investidores tem foco no curto prazo. Dos cem investidores pesquisados, 42% deles vendem os papéis que adquirem na Bolsa de Valores de São Paulo em, no máximo, um ano. Nem todos os especialistas concordam com essa estratégia. “É necessário dar tempo para o empreendimento em que você escolheu investir transforme suas atividades em lucro”, diz o diretor-executivo da BI Invest, Reinaldo Zakalski.
Para Zakalski, a preferência do brasileiro pela aplicação de curto prazo embute um componente “sócio-cultural”. Por causa da inflação, gerações sempre viram nos investimentos apenas uma maneira de proteger o dinheiro. “É algo que ainda está no nosso DNA,” diz.
Enquanto uma boa parte guarda as ações por períodos curtos, um terço dos investidores afirma manter os papéis nas mãos por mais dois anos. “Nos Estados Unidos, é praxe as pessoas comprarem ações pensando na aposentadoria”, exemplifica o diretor da BrandAnalytics, Eduardo Tomiya. Apesar das divergências quanto ao tempo da aplicação, os especialistas concordam que há espaço para todo perfil de investidor no mercado.