Conheça histórias de pequenos investidores que se inspiram nos exemplos dos bilionários do mercado financeiro
Mariana Segala - AE
Dois grandes investidores do mercado financeiro acumularam fortunas bilionárias durante a vida com estratégias completamente diferentes. Warren Buffett, hoje no topo da lista dos mais ricos do mundo, conquistou sua fortuna analisando cada empresa de que comprou ações, pensando no longo prazo. George Soros ficou conhecido como um grande especulador, que apostava em posições de curto prazo. Hoje, depois de muitos livros lançados na tentativa de destrinchar as minúcias de cada estilo, os dois inspiram os brasileiros que começam a se embrenhar no mundo dos investimentos. E você, investe como Buffett ou como Soros?O portal AE Investimentos fez essa pergunta aos seus leitores. E o perfil de Buffett foi o preferido por 129 internautas que participaram da enquete, conquistando 66,8% dos votos. O gosto pelo estilo fundamentalista e pela visão de longo prazo fizeram de Tasso Pacheco, de 22 anos, um dos “seguidores” do bilionário norte-americano. “Gosto das teorias dele porque também acredito que a compra de uma ação deva ser avaliada pela empresa”, afirma. “Estudo indicadores fundamentalistas, como as informações dos balanços, a posição da empresa no seu segmento, seu potencial de crescimento e de competitividade.”
O cearense, que entrou no mercado de ações há apenas um mês, pretende levar a fundo um dos ensinamentos do mestre Buffett. “Você deveria investir como um católico se casa: para o resto da vida”, já disse o bilionário. Talvez as aplicações de Pacheco nas ações da Vale e da Petrobras, as primeiras que comprou, não durem tanto tempo assim, mas ele assegura que não pensa em vendê-las logo que conseguir algum lucro. “Minha perspectiva é de ficar com elas no mínimo por 10 anos”, conta.
Mas nem só certezas os conselhos de Buffett trazem a Pacheco. O investidor hoje se divide entre diversificar as ações em que investe, trazendo mais empresas para seu portfolio, ou seguir a máxima do bilionário de que “a diversificação é uma proteção contra a ignorância”. “Não posso negar que tenho receio”, conta. “Mas espero estar mais maduro, daqui a um tempo, para conseguir investir apenas em poucos papéis.”
Já o estilo Soros, de ações rápidas e mais especulativas, foi o preferido por 33,2% dos participantes da enquete do portal AE Investimentos, com 64 votos. É com o perfil desse bilionário que o investidor André Pisetta Santana, de 19 anos, se identifica mais. “Ele é muito mais flexível que o Buffett. Muda de posição com mais rapidez”, aponta. “Tento seguir essa linha com meus investimentos.”
Assim como Soros, Santana procura avaliar as grandes variáveis da economia para decidir onde apostar. Tudo na sua devida proporção, é claro. O estudante de biotecnologia investe o dinheiro de uma velha poupança feita pelos pais quando ainda era criança, e transformada por ele, aos 14 anos, em uma aplicação num fundo de ações. Aquela economia cresceu e deu fôlego para que, nos últimos dois anos, Santana passasse a fazer por si mesmo investimentos especulativos em ações e, mais recentemente, também em derivativos.
Com ações, ele costuma fazer operações curtas e até day trade (compra e venda dos mesmos papéis, na mesma quantidade e no mesmo dia). Os derivativos, contratos futuros que Santana compra na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), em geral não passam mais que uma semana nas suas mãos. Assim como Soros apostou nos mercados de moedas, o estudante também compra contratos futuros de dólar. “Já perdi dinheiro, principalmente no começo”, admite. “Mas é preciso perder para aprender a ganhar.”