domingo, 31 de agosto de 2008

Piora cenário para celulose no 2º semestre

André Vieira

Depois de meses sustentando cotações em alta, os produtores brasileiros de celulose sofrem fortes pressões que devem resultar na redução dos seus ganhos, segundo analistas.


A aposta é que a receita dos fabricantes comece a recuar no segundo semestre com a queda nos preços de celulose de eucalipto no mercado internacional - a primeira baixa substancial em anos.


Nesta semana, fabricantes americanos de celulose de fibra longa comunicaram reduções de preços aos clientes. A queda é esperada em torno de US$ 15 por tonelada a partir de setembro. "Quando isso acontece, é um sinal claro que virá nova baixa no preço da celulose dos produtores brasileiros", disse o analista.


Os produtores, segundo analistas, já estão sendo obrigados a conceder descontos maiores aos clientes, situação que deve se intensificar a partir de setembro. Para outubro, a expectativa é que o preço da commodity caia caso não haja reversão na apertada relação entre oferta e demanda da indústria.


Um analista disse que pelo menos um grande fabricante de celulose "está preferindo deixar de exportar" do que aceitar o preço menor para o seu produto. "O resultado é o mesmo: queda nas vendas", afirmou. Analistas esperam diminuição de US$ 30 por tonelada na celulose de eucalipto nas principais regiões no segundo semestre. Outros avaliam que o preço deve se manter estável até o fim do ano.


"O quadro não é tão positivo quanto os fabricantes querem pintar", disse outro analista. "Havia aumento de preço por causa de problemas de oferta, e não porque a demanda esteja muito forte como outras commodities, como o aço", disse.


Desde abril, o preço da celulose de eucalipto - de fibra curta - está cotado, em lista, em US$ 840 por tonelada na Europa, US$ 780 na Ásia e US$ 865 na América do Norte. O preço havia subido duas vezes neste ano para compensar a desvalorização do dólar.


Um dos motivos para a queda é que produtores de fibra da Indonésia voltaram ao mercado depois de terem reduzido sua produção por questões ligadas ao desmatamento de florestas. "Houve um reordenamento das áreas destinadas para o corte de árvores e eles estão aproveitando a proximidade com a China para reativar seus canais de exportação." Além disso, começaram a chegar com mais força ao mercado novas capacidades, como as fábricas da Suzano Papel e Celulose e da Botnia, no Uruguai, no fim de 2007.