terça-feira, 26 de agosto de 2008

Merrill Lynch minimiza recuperação recente e vê commodities pressionadas

Por: Gabriel Ignatti Casonato

Depois de um intenso período de perdas, a forte recuperação das commodities observada na última semana animou os investidores domésticos, principalmente por guiar expressiva valorização às principais blue chips brasileiras no período.

Contudo, no que depender da avaliação feita pelos analistas da Merrill Lynch, o otimismo do mercado deve novamente dar lugar a cautela, já que o movimento ascendente nos preços das matérias-primas não deve se repetir nos próximos dias.

E para aqueles que ainda estão na espera por uma recuperação mais consistente da Bolsa brasileira neste ano, a projeção da equipe do banco não poderia ser mais negativa, dada a grande exposição do Ibovespa aos ativos ligados às commodities.

Pressão vem dos EUA e sua moeda
Para corroborar a perspectiva de nova rodada de queda aos insumos, a instituição se utiliza de razões já bastante conhecidas pelos investidores, que vem acompanhando cada vez mais o dia-a-dia e as oscilações nos preços dos produtos.

A primeira delas é a expectativa de valorização do dólar, que deve manter trajetória ascendente frente às outras divisas até o final do ano, avalia a Merrill Lynch. Como as commodities são cotadas na moeda norte-americana, os insumos se tornam menos atrativos como investimento especulativo na medida em que o dólar ganha valor.

Outro ponto é a fragilidade econômica dos EUA, maior consumidor de commodities do mundo. Isto porque uma economia norte-americana mais fraca pressiona negativamente as cotações das matérias-primas por significar um menor consumo das mesmas.