Por: Vitor Silveira Lima Oliveira
Com os sinais de que mudanças estão por vir na regulação do setor petrolífero, analistas têm divergido sobre os cenários mais prováveis para o mercado brasileiro, em especial os efeitos para os acionistas da Petrobras.
Após as descobertas de grandes recursos petrolíferos na camada pré-sal, avolumaram-se as discussões em torno de alterações no quadro que regula as atividades exploratórias no País, bem como da fatia dos lucros que cabe ao Estado brasileiro.
Como principal agente do setor, controlada pelo Governo, mas destaque entre as companhias de capital aberto no País, a Petrobras (PETR3, PETR4) encontra-se sob o fogo cruzado dos que defendem a ampliação da presença pública em um setor estratégico e a defesa dos interesses legítimos da empresa.
No fim das contas...
Para os analistas do Bradesco, a questão é mais simples do que aparenta ser pelas profusas discussões via imprensa, pois o mais importante é a quantidade de recursos recebida pelo governo.
Ademais, a criação de uma empresa completamente estatal ofereceria maior flexibilidade ao Governo, o que leva provavelmente à coexistência de dois quadros reguladores, sendo o atual mantido para os blocos já licitados da camada pré-sal.
Dúvidas
Embora o discurso das autoridades seja pautado pelo respeito aos contratos previamente firmados, a equipe da Itaú Corretora ressalta alguns pontos que põem em dúvida as afirmações, com efeitos distintos para a Petrobras.
Mesmo que não exproprie as áreas já licitadas ao setor privado, o Governo deverá buscar ampliar a taxação - especialmente via "participação especial", cobrada dos poços de maior rendimento, que pode ser facilmente alterada por um decreto presidencial, contrariando a visão de que os acionistas estariam imunes às alterações.
Contra-ataque
Por outro lado, os analistas da Itaú entendem que a confirmação da interconexão entre as diferentes áreas exploratórias do pré-sal poderá favorecer a Petrobras, pois as áreas não licitadas seriam extensões dos blocos atuais, devendo ser incluídas nos blocos já leiloados.
Ademais, a proposta de que o Governo amplie sua participação no pré-sal via aumento de capital na Petrobras, caso ocorra, também favoreceria a empresa, podendo evitar a criação de uma nova companhia no setor, em que pesem possíveis pressões adicionais para que a empresa faça investimentos compensatórios, "como em refinarias no meio do nada", ressaltam os analistas.
Pouco importa
Embora se inspire no modelo exploratório norueguês, a equipe do Bradesco ressalta que o Estado brasileiro não possui recursos para investir na camada pré-sal como produtor. "Parece inútil discutir se o governo irá produzir ou não óleo, quando é muito bem remunerado por contratar companhias privadas (...), e também por haver muitas áreas públicas com necessidade de investimentos infinitamente maior", afirma.
Ademais, os analistas ressaltam que mesmo com seu grande tamanho, a companhia de capital misto não teria, sozinha, capacidade financeira suficiente para custear a exploração de suas descobertas, ainda que maior precisão sobre este aspecto somente seja possível após o novo plano de expansão da empresa ser anunciado.
Com os sinais de que mudanças estão por vir na regulação do setor petrolífero, analistas têm divergido sobre os cenários mais prováveis para o mercado brasileiro, em especial os efeitos para os acionistas da Petrobras.
Após as descobertas de grandes recursos petrolíferos na camada pré-sal, avolumaram-se as discussões em torno de alterações no quadro que regula as atividades exploratórias no País, bem como da fatia dos lucros que cabe ao Estado brasileiro.
Como principal agente do setor, controlada pelo Governo, mas destaque entre as companhias de capital aberto no País, a Petrobras (PETR3, PETR4) encontra-se sob o fogo cruzado dos que defendem a ampliação da presença pública em um setor estratégico e a defesa dos interesses legítimos da empresa.
No fim das contas...
Para os analistas do Bradesco, a questão é mais simples do que aparenta ser pelas profusas discussões via imprensa, pois o mais importante é a quantidade de recursos recebida pelo governo.
Ademais, a criação de uma empresa completamente estatal ofereceria maior flexibilidade ao Governo, o que leva provavelmente à coexistência de dois quadros reguladores, sendo o atual mantido para os blocos já licitados da camada pré-sal.
Dúvidas
Embora o discurso das autoridades seja pautado pelo respeito aos contratos previamente firmados, a equipe da Itaú Corretora ressalta alguns pontos que põem em dúvida as afirmações, com efeitos distintos para a Petrobras.
Mesmo que não exproprie as áreas já licitadas ao setor privado, o Governo deverá buscar ampliar a taxação - especialmente via "participação especial", cobrada dos poços de maior rendimento, que pode ser facilmente alterada por um decreto presidencial, contrariando a visão de que os acionistas estariam imunes às alterações.
Contra-ataque
Por outro lado, os analistas da Itaú entendem que a confirmação da interconexão entre as diferentes áreas exploratórias do pré-sal poderá favorecer a Petrobras, pois as áreas não licitadas seriam extensões dos blocos atuais, devendo ser incluídas nos blocos já leiloados.
Ademais, a proposta de que o Governo amplie sua participação no pré-sal via aumento de capital na Petrobras, caso ocorra, também favoreceria a empresa, podendo evitar a criação de uma nova companhia no setor, em que pesem possíveis pressões adicionais para que a empresa faça investimentos compensatórios, "como em refinarias no meio do nada", ressaltam os analistas.
Pouco importa
Embora se inspire no modelo exploratório norueguês, a equipe do Bradesco ressalta que o Estado brasileiro não possui recursos para investir na camada pré-sal como produtor. "Parece inútil discutir se o governo irá produzir ou não óleo, quando é muito bem remunerado por contratar companhias privadas (...), e também por haver muitas áreas públicas com necessidade de investimentos infinitamente maior", afirma.
Ademais, os analistas ressaltam que mesmo com seu grande tamanho, a companhia de capital misto não teria, sozinha, capacidade financeira suficiente para custear a exploração de suas descobertas, ainda que maior precisão sobre este aspecto somente seja possível após o novo plano de expansão da empresa ser anunciado.