Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira
O termo volatilidade virou rotina para quem acompanha diariamente a Bolsa brasileira. Uma brusca queda é rebatida por um movimento forte de recuperação, e por aí vai. Grandes oscilações em um curto intervalo de tempo não surpreendem mais.
No entanto, o conceito em si traz algumas ressalvas. Como definir volatilidade? A partir de quais variações uma ação pode ser considerada volátil? A resposta pode vir de diversas ferramentas, mas, grosso modo, volatilidade remete à afirmação anterior: um índice ou ativo sujeito a movimentos abruptos em breve intervalo de tempo. Para cima ou para baixo.
Na grande maioria das vezes, no entanto, volatilidade acompanha imprevisibilidade. Fica difícil apontar a tendência de tal papel no longo prazo entre uma rotina marcada por tantos altos e baixos. A partir daí que a volatilidade assume relação estreita com o risco da aplicação.
Mas tudo na Bolsa depende da estratégia de cada um. Às vezes, risco pode ser sinônimo de atratividade, pois relaciona maior potencial de ganhos. O investidor mais arrojado pode utilizar alguns indicadores para definir qual o melhor alvo para operações de day trade, por exemplo. Por outro lado, o mais conservador quer limitar a chance de perdas.
Como medir a volatilidade
Formalmente, volatilidade indica o grau médio de variação da cotação de um título ou determinado índice de subir ou cair intensamente em um curto período de tempo. Quando se afirma que uma aplicação é extremamente volátil, entende-se que esta aplicação está sujeita a fortes oscilações.
Pode-se medir a volatilidade de algum ativo de várias maneiras. Os indicadores estatísticos mais utilizados são Desvio Padrão, Variância ou o Beta. O desvio padrão indica a dispersão estatística da informação, ou seja, demonstra quanto o valor pode variar para mais ou para menos. É calculado a partir da raiz quadrada da variância.
Então, a variância mostra o quão longe em geral os valores de alguma variável se encontram do valor esperado. É o desvio em relação à média da própria variável, ou a famosa "média do quadrado dos desvios". Fugindo um pouco do marasmo da estatística pura, ambos dão idéia de dispersão.
O Beta
Na linguagem dos mercados, um indicador muito utilizado é o Beta. Relaciona basicamente o grau do retorno relativo de uma ação em relação ao retorno do mercado.
O beta do mercado é igual a 1 e todos os outros betas são calculados em relação a esse valor. Beta positivo sugere que a ação se move na mesma direção do mercado, enquanto beta negativo sugere um movimento em direção oposta. O cálculo é simples: covariância dos retornos do ativo em questão em relação aos retornos do benchmark.
O mapa da volatilidade
Com os conceitos em mãos, vale uma breve avaliação do mercado brasileiro. Voltando à estratégia de cada um, uma análise da volatilidade de cada ativo pode ajudar o investidor conservador a fugir das ações, neste sentido, mais "arriscadas"; como ajudar quem busca um bom papel para day-trade.
Considerando o comportamento das ações brasileiras nos últimos doze meses, e tomando por base de cálculo o índice de volatilidade "oficial" da Bovespa, calculado a partir do desvio padrão e que remete o valor observado no período em referência calculado em bases anuais (volatilidade do período multiplicada pela raiz quadrada de 252 - total de dias úteis em um ano), o papel mais volátil dentre todos os integrantes do Índice Bovespa é o ordinário da Rossi Residencial, com volatilidade anualizada de 62,35 pontos.
Mais e menos voláteis
*com base no fechamento do pregão de 21/08
Rossi é a mais volátil, Comgás a menos
Entre os mais voláteis, destaque também para os ativos da GOL e das imobiliárias Gafisa e Cyrela, todos com volatilidade anualizada entre 57 e 58,5 pontos.
Por outro lado, os ativos PNA da Comgás são os de menor volatilidade no período, com 26,67 pontos. Entre os "mais estáveis", chamam atenção também a energética Celesc e a Telemig Participações preferencial.
De toda a Bolsa, os papéis preferenciais da Nadir Figueiredo (NAFG4) e Americel (AMCE6) são de longe os mais voláteis, com 1.663 pontos e 1.577 pontos respectivamente. A menos volátil de toda a Bovespa é a ação ordinária da Telemig Participações (TMCP3), com 8,16 pontos.
Antes que os mais afoitos assumam estes dados para a tomada de decisão, vale lembrar que volatilidade é associada a risco, oscilações para cima e para baixo. Nunca esqueça dos velhos fundamentos.
O termo volatilidade virou rotina para quem acompanha diariamente a Bolsa brasileira. Uma brusca queda é rebatida por um movimento forte de recuperação, e por aí vai. Grandes oscilações em um curto intervalo de tempo não surpreendem mais.
No entanto, o conceito em si traz algumas ressalvas. Como definir volatilidade? A partir de quais variações uma ação pode ser considerada volátil? A resposta pode vir de diversas ferramentas, mas, grosso modo, volatilidade remete à afirmação anterior: um índice ou ativo sujeito a movimentos abruptos em breve intervalo de tempo. Para cima ou para baixo.
Na grande maioria das vezes, no entanto, volatilidade acompanha imprevisibilidade. Fica difícil apontar a tendência de tal papel no longo prazo entre uma rotina marcada por tantos altos e baixos. A partir daí que a volatilidade assume relação estreita com o risco da aplicação.
Mas tudo na Bolsa depende da estratégia de cada um. Às vezes, risco pode ser sinônimo de atratividade, pois relaciona maior potencial de ganhos. O investidor mais arrojado pode utilizar alguns indicadores para definir qual o melhor alvo para operações de day trade, por exemplo. Por outro lado, o mais conservador quer limitar a chance de perdas.
Como medir a volatilidade
Formalmente, volatilidade indica o grau médio de variação da cotação de um título ou determinado índice de subir ou cair intensamente em um curto período de tempo. Quando se afirma que uma aplicação é extremamente volátil, entende-se que esta aplicação está sujeita a fortes oscilações.
Pode-se medir a volatilidade de algum ativo de várias maneiras. Os indicadores estatísticos mais utilizados são Desvio Padrão, Variância ou o Beta. O desvio padrão indica a dispersão estatística da informação, ou seja, demonstra quanto o valor pode variar para mais ou para menos. É calculado a partir da raiz quadrada da variância.
Então, a variância mostra o quão longe em geral os valores de alguma variável se encontram do valor esperado. É o desvio em relação à média da própria variável, ou a famosa "média do quadrado dos desvios". Fugindo um pouco do marasmo da estatística pura, ambos dão idéia de dispersão.
O Beta
Na linguagem dos mercados, um indicador muito utilizado é o Beta. Relaciona basicamente o grau do retorno relativo de uma ação em relação ao retorno do mercado.
O beta do mercado é igual a 1 e todos os outros betas são calculados em relação a esse valor. Beta positivo sugere que a ação se move na mesma direção do mercado, enquanto beta negativo sugere um movimento em direção oposta. O cálculo é simples: covariância dos retornos do ativo em questão em relação aos retornos do benchmark.
O mapa da volatilidade
Com os conceitos em mãos, vale uma breve avaliação do mercado brasileiro. Voltando à estratégia de cada um, uma análise da volatilidade de cada ativo pode ajudar o investidor conservador a fugir das ações, neste sentido, mais "arriscadas"; como ajudar quem busca um bom papel para day-trade.
Considerando o comportamento das ações brasileiras nos últimos doze meses, e tomando por base de cálculo o índice de volatilidade "oficial" da Bovespa, calculado a partir do desvio padrão e que remete o valor observado no período em referência calculado em bases anuais (volatilidade do período multiplicada pela raiz quadrada de 252 - total de dias úteis em um ano), o papel mais volátil dentre todos os integrantes do Índice Bovespa é o ordinário da Rossi Residencial, com volatilidade anualizada de 62,35 pontos.
Mais e menos voláteis
| Top 5 Mais voláteis | |||||
| Companhia | Ativo | Desvio-Padrão | Volatilidade anualizada | Variação em 2008* | |
| Rossi Residencial | RSID3 | 0,039 | 62,35 | -50,98% | |
| GOL | GOLL4 | 0,036 | 58,48 | -68,20% | |
| Gafisa | GFSA3 | 0,037 | 58,47 | -26,77% | |
| JBS-Friboi | JBSS3 | 0,036 | 57,19 | +17,11% | |
| Cyrela | CYRE3 | 0,036 | 56,99 | -10,01% | |
| Top 5 Menos voláteis | |||||
| Companhia | Ativo | Desvio-Padrão | Volatilidade anualizada | Variação em 2008* | |
| Comgás | CGAS5 | 0,016 | 26,67 | +18,09% | |
| Telemig Participações | TMCP4 | 0,017 | 27,32 | -11,60% | |
| Celesc | CLSC6 | 0,018 | 28,58 | +9,58% | |
| Telesp | TLPP4 | 0,021 | 34,51 | +5,44% | |
| AmBev | AMBV4 | 0,022 | 35,94 | -19,90% | |
Rossi é a mais volátil, Comgás a menos
Entre os mais voláteis, destaque também para os ativos da GOL e das imobiliárias Gafisa e Cyrela, todos com volatilidade anualizada entre 57 e 58,5 pontos.
Por outro lado, os ativos PNA da Comgás são os de menor volatilidade no período, com 26,67 pontos. Entre os "mais estáveis", chamam atenção também a energética Celesc e a Telemig Participações preferencial.
De toda a Bolsa, os papéis preferenciais da Nadir Figueiredo (NAFG4) e Americel (AMCE6) são de longe os mais voláteis, com 1.663 pontos e 1.577 pontos respectivamente. A menos volátil de toda a Bovespa é a ação ordinária da Telemig Participações (TMCP3), com 8,16 pontos.
Antes que os mais afoitos assumam estes dados para a tomada de decisão, vale lembrar que volatilidade é associada a risco, oscilações para cima e para baixo. Nunca esqueça dos velhos fundamentos.