segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Santander corta preço-alvo das ações da Vale em 50%, mas vê limite para as quedas

Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira

As perspectivas de desaceleração da economia global vêm derrubando as projeções para o mercado de minério de ferro. As estimativas para a ação d
a Vale (VALE5), conseqüentemente, sofrem o impacto. Apostando em uma correção de 25% nos preços da matéria-prima em 2009, os analistas do Santander cortaram o preço-alvo das ações da mineradora brasileira em pouco mais de 50%.

Para justificar a agressiva redução no preço-alvo, o banco citou o cenário desafiador para o mercado de commodities, que tende a passar por período de extremo desaquecimento. Mas apesar do corte significativo no preço-alvo para 2009 - que agora figura em R$ 38 por ação - a visão da instituição passa certo otimismo quanto à empresa.

A recomendação aos papéis foi mantida em compra. O Santander vê a Vale preparada para enfrentar o desafio da crise, graças à sua sólida posição de caixa e estratégia de investimentos. Ao final do terceiro trimestre, a Vale possuía US$ 15 bilhões em caixa, dezenove vezes as obrigações com vencimento previsto para os próximos doze meses.

Preços e vendas X câmbio
A
lém do recuo projetado para o preço do minério de ferro, o volume de vendas da companhia deve cair 16% no próximo ano na avaliação do Santander. Esta alteração tende a pressionar o Ebitda - geração operacional de caixa - da companhia em 17%. Mas a depreciação cambial deve compensar na outra ponta, reduzindo custos produtivos da empresa.

Para se ter uma idéia, a Vale tem cerca de 95% de suas receitas em dólar e apenas 40% de seus custos na moeda norte-americana. De acord
o com as projeções do banco suíço UBS, cada oscilação de 10% na cotação do real deve contribuir com 4% ao Ebitda da mineradora. Perde em receitas com a queda do preço e menor volume de vendas, mas ganha nas margens.

O limite das perdas
Mesmo com o cenário desafiador e as projeções reduzidas, a Vale segue recomendada pelos analistas. Nos atuais patamares da ação - acumula desvalorização de mais de 50% em 2008 -, a Vale é negociada com desconto de 25% e 34% em relação à suas principais concorrentes internacionais, respectivamente Rio Tinto e BHP Billiton.

Não bastasse o preço atrativo das ações nos atuais níveis, o Santander acredita que o limite para as perdas está próximo, haja vista que o valor dos papéis incorpora queda de 60% nos preços do minério de ferro em 2009, "ponto extremo" para os analistas.