Por: Vitor Silveira Lima Oliveira
Se os recursos são escassos, a nobre missão de economistas é orientar como alocá-los da maneira mais eficiente e justa possível. Mas nem todo o saber científico já desenvolvido torna esta uma tarefa simples e, em momentos críticos como o atual, tal dilema parece agigantar-se: É hora de o Governo gastar mais?
Para evitar as temidas recessão e deflação, autoridades responsáveis pela formulação das políticas fiscal - relativa aos gastos do governo - e monetária - relativas ao custo, oferta e circulação da moeda - têm implantado medidas de caráter expansionista, ou seja, tem buscado ampliar os investimentos públicos, aumentar a base monetária e reduzir taxas de juro de mercado.
Na cobertura da crise, grande parte da imprensa enfatiza a opinião de analistas que consideram serem estas as medidas necessárias, quando não, as únicas possíveis a serem tomadas. Compreensível, quando a recessão bate às portas dos países desenvolvidos, mas o caminho para o Brasil pode ser diferente.
A mecânica
Quando se aproxima uma reunião do Banco Central, é comum ouvirmos sobre a escolha a que está submetida a decisão de seus diretores. Crescimento e inflação opõem-se de modo quase inconciliável no curto prazo e boa parte disto deve-se à idéia de que o nível de preços da economia é dado pela oferta de moeda e a velocidade com que esta circula.
Algo semelhante ocorre com o aumento dos gastos públicos - ao investir mais em obras, por exemplo, o governo contribui para aumentar os níveis de demanda agregada, colocando pressão sobre os preços. Com isso, o contribuinte arcará posteriormente com as despesas.
Grande parte do debate gira ao redor de uma avaliação sobre os custos e benefícios deste processo. No caso de uma crise, como a atual, as autoridades de países desenvolvidos buscam os dois efeitos, uma vez que, além de aumentar a demanda agregada, visam combater uma queda exagerada nos preços, com o aumento da oferta de moeda.
No Brasil, os efeitos da crise internacional parecem menos severos, pois a palavra recessão ainda é parte somente dos vocabulários mais pessimistas, ao passo em que o BC mantém sua preocupação em domar a inflação. Neste cenário, a dose receitada aos países desenvolvidos poderá ser exagerada, trazendo nefastos efeitos colaterais para a economia, como adicionais desequilíbrios no orçamento.
A relação com o ciclo real
Todas estas ferramentas só fazem algum sentido quando levamos em consideração os ciclos à que a economia real submete-se. Neste caso, as diferentes políticas - expansionista e contracionista, seu oposto - podem ser utilizadas para minimizar as flutuações negativas e evitar algumas cruéis conseqüências.
Por mais naturais que sejam, os flagelos provocados pelo desemprego e a queda na renda não são aceitáveis. Sem milagres, é possível reduzir os problemas. "De um lado é ruim, pois muita gente sofre, muita empresa quebra. Mas tem o outro lado: o sistema, neste momento, se renova (...) Não é um piquenique - muita gente vai perder o emprego, mas será menos catastrófico que da outra vez [em 1930]", afirma o professor Dr. Evaldo Alves, da FGV-EAESP.
Agradecimentos às medidas expansionistas, mas também à adoção de medidas mais corretas, baseadas na melhor compreensão dos fenômenos econômicos. "Também por conta de algo fantástico, que tem existido hoje; uma coordenação econômica entre os países. E o interessante é que esta coordenação é informal", acrescenta Alves.
Parcimônia
Cabe, no entanto, indagar se o Brasil deve entrar na onda expansionista global de vez. Embora não tenha promovido cortes na taxa Selic, o Banco Central tem empregado medidas expansionistas, como a redução do compulsório - que libera mais recursos para o crédito -, assim como o governo central, que recentemente divulgou pacote de redução de impostos.
"As medidas que o governo brasileiro tem tomado são corretas. Mas não vamos nos iludir - isso vai minimizar [os problemas], é o que dá pra fazer", afirma Alves. A ação do Estado também deverá ser coordenada, de modo a dar suporte aos setores que mais perdem com a crise, como o de bens duráveis, cujo consumo é mais facilmente protelado em tempos de incertezas.
Sem exageros, o montante total das medidas ainda é tímido, se comparado em termos relativos ao PIB (Produto Interno Bruto) ao da expansão fiscal promovida pelos EUA, por exemplo. Desde que não provoque maiores desequilíbrios, faz sentido utilizar as reservas internacionais acumuladas durante o período de bonança - nada mais que a prática de políticas anticíclicas.
Se os recursos são escassos, a nobre missão de economistas é orientar como alocá-los da maneira mais eficiente e justa possível. Mas nem todo o saber científico já desenvolvido torna esta uma tarefa simples e, em momentos críticos como o atual, tal dilema parece agigantar-se: É hora de o Governo gastar mais?
Para evitar as temidas recessão e deflação, autoridades responsáveis pela formulação das políticas fiscal - relativa aos gastos do governo - e monetária - relativas ao custo, oferta e circulação da moeda - têm implantado medidas de caráter expansionista, ou seja, tem buscado ampliar os investimentos públicos, aumentar a base monetária e reduzir taxas de juro de mercado.
Na cobertura da crise, grande parte da imprensa enfatiza a opinião de analistas que consideram serem estas as medidas necessárias, quando não, as únicas possíveis a serem tomadas. Compreensível, quando a recessão bate às portas dos países desenvolvidos, mas o caminho para o Brasil pode ser diferente.
A mecânica
Quando se aproxima uma reunião do Banco Central, é comum ouvirmos sobre a escolha a que está submetida a decisão de seus diretores. Crescimento e inflação opõem-se de modo quase inconciliável no curto prazo e boa parte disto deve-se à idéia de que o nível de preços da economia é dado pela oferta de moeda e a velocidade com que esta circula.
Algo semelhante ocorre com o aumento dos gastos públicos - ao investir mais em obras, por exemplo, o governo contribui para aumentar os níveis de demanda agregada, colocando pressão sobre os preços. Com isso, o contribuinte arcará posteriormente com as despesas.
Grande parte do debate gira ao redor de uma avaliação sobre os custos e benefícios deste processo. No caso de uma crise, como a atual, as autoridades de países desenvolvidos buscam os dois efeitos, uma vez que, além de aumentar a demanda agregada, visam combater uma queda exagerada nos preços, com o aumento da oferta de moeda.
No Brasil, os efeitos da crise internacional parecem menos severos, pois a palavra recessão ainda é parte somente dos vocabulários mais pessimistas, ao passo em que o BC mantém sua preocupação em domar a inflação. Neste cenário, a dose receitada aos países desenvolvidos poderá ser exagerada, trazendo nefastos efeitos colaterais para a economia, como adicionais desequilíbrios no orçamento.
A relação com o ciclo real
Todas estas ferramentas só fazem algum sentido quando levamos em consideração os ciclos à que a economia real submete-se. Neste caso, as diferentes políticas - expansionista e contracionista, seu oposto - podem ser utilizadas para minimizar as flutuações negativas e evitar algumas cruéis conseqüências.
Por mais naturais que sejam, os flagelos provocados pelo desemprego e a queda na renda não são aceitáveis. Sem milagres, é possível reduzir os problemas. "De um lado é ruim, pois muita gente sofre, muita empresa quebra. Mas tem o outro lado: o sistema, neste momento, se renova (...) Não é um piquenique - muita gente vai perder o emprego, mas será menos catastrófico que da outra vez [em 1930]", afirma o professor Dr. Evaldo Alves, da FGV-EAESP.
Agradecimentos às medidas expansionistas, mas também à adoção de medidas mais corretas, baseadas na melhor compreensão dos fenômenos econômicos. "Também por conta de algo fantástico, que tem existido hoje; uma coordenação econômica entre os países. E o interessante é que esta coordenação é informal", acrescenta Alves.
Parcimônia
Cabe, no entanto, indagar se o Brasil deve entrar na onda expansionista global de vez. Embora não tenha promovido cortes na taxa Selic, o Banco Central tem empregado medidas expansionistas, como a redução do compulsório - que libera mais recursos para o crédito -, assim como o governo central, que recentemente divulgou pacote de redução de impostos.
"As medidas que o governo brasileiro tem tomado são corretas. Mas não vamos nos iludir - isso vai minimizar [os problemas], é o que dá pra fazer", afirma Alves. A ação do Estado também deverá ser coordenada, de modo a dar suporte aos setores que mais perdem com a crise, como o de bens duráveis, cujo consumo é mais facilmente protelado em tempos de incertezas.
Sem exageros, o montante total das medidas ainda é tímido, se comparado em termos relativos ao PIB (Produto Interno Bruto) ao da expansão fiscal promovida pelos EUA, por exemplo. Desde que não provoque maiores desequilíbrios, faz sentido utilizar as reservas internacionais acumuladas durante o período de bonança - nada mais que a prática de políticas anticíclicas.