Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira
O tamanho da crise pediu por medidas extremas. Além de surpreender, o movimento do Fed desta terça-feira (16) levou a principal arma do Banco Central norte-americano ao extremo. Ao puxar o juro básico para a banda entre 0% e 0,25% ao ano, o Fed chegou aonde nunca havia ido em seus quase 100 anos de história. Mas por atingir o extremo, não conta mais com a taxa básica de juro para estimular a economia. Que alternativas restam para o Fed?
No próprio comunicado do corte, o Fed já assumiu que vai continuar atuando bem próximo dos mercados: "vamos utilizar todos os instrumentos disponíveis para promover a retomada do crescimento e a estabilidade dos preços".
A expectativa pelo corte no juro básico norte-americano também acompanhou a expectativa já por medidas extras. Lá fora, especulava-se que a autoridade monetária deveria partir para as compras; adquirir ativos imobiliários, dívidas e papéis públicos de longo prazo - o que ajuda a explicar a virada dos Treasuries no final do dia.
Impressão de dinheiro
À agência Bloomberg, Willian Poole, ex-presidente do Fed de St. Louis, afirmou que a autoridade já deu indícios de que deve "imprimir dinheiro". Irá emitir moeda para injetar na economia até que o sistema dê sinais mais concretos de estabilização.
Além das medidas citadas, o Fed pode estender suas linhas emergenciais de crédito a pessoa física e pequenas empresas ou utilizar de medidas de afrouxamento quantitativo, com o uso de recursos de sua carteira para prover liquidez ao sistema financeiro.
9 cortes, 14 meses e a armadilha de liquidez
A extensão até os 0% impressiona. Ameaçada pelos efeitos da crise, a autoridade monetária realizou nove cortes no juro básico norte-americano nos últimos quatorze meses. Não bastasse, já gastou quase US$ 1,5 trilhão em aportes ao sistema financeiro; ajuda a bancos, financiadoras, seguradoras.
O onda de cortes nos juros básicos pelo mundo remete à atuação do Banco Central japonês no início da década. Desde 2001 o Bank of Japan mantém a taxa de juros de referência da segunda maior economia do mundo próxima dos 0% ao ano.
Antes do corte desta terça-feira, o mercado já sinalizava certa desconfiança com o efetivo valor de mais uma redução no juro básico. Remete à armadilha de liquidez, conceito destacado por John Maynard Keynes no século passado para definir situações em que o juro encontra-se em taxas tão baixas que movimentos não rendem a resposta esperada do mercado.
Mais expectativas que realidade
Reforçando este coro, a LCA Consultores comentou que a redução para a banda entre 0% e 0,25% ao ano pouco contribuirá para reverter o ciclo recessivo da economia norte-americana.
Quanto à prontidão demonstrada pelo Fed em utilizar de todas as ferramentas que lhe restaram, para a instituição, "parece ter o intuito de consolidar expectativas mais favoráveis, num contexto em que a confiança pessoal e corporativa permanece muito debilitada".
Apesar da restrição do juro básico, o Fed tenta mostrar que ainda possui muitas ferramentas e as deve utilizar. Nem tanto por seu efetivo impacto, mais pelo impacto sobre as expectativas.
O tamanho da crise pediu por medidas extremas. Além de surpreender, o movimento do Fed desta terça-feira (16) levou a principal arma do Banco Central norte-americano ao extremo. Ao puxar o juro básico para a banda entre 0% e 0,25% ao ano, o Fed chegou aonde nunca havia ido em seus quase 100 anos de história. Mas por atingir o extremo, não conta mais com a taxa básica de juro para estimular a economia. Que alternativas restam para o Fed?
No próprio comunicado do corte, o Fed já assumiu que vai continuar atuando bem próximo dos mercados: "vamos utilizar todos os instrumentos disponíveis para promover a retomada do crescimento e a estabilidade dos preços".
A expectativa pelo corte no juro básico norte-americano também acompanhou a expectativa já por medidas extras. Lá fora, especulava-se que a autoridade monetária deveria partir para as compras; adquirir ativos imobiliários, dívidas e papéis públicos de longo prazo - o que ajuda a explicar a virada dos Treasuries no final do dia.
Impressão de dinheiro
À agência Bloomberg, Willian Poole, ex-presidente do Fed de St. Louis, afirmou que a autoridade já deu indícios de que deve "imprimir dinheiro". Irá emitir moeda para injetar na economia até que o sistema dê sinais mais concretos de estabilização.
Além das medidas citadas, o Fed pode estender suas linhas emergenciais de crédito a pessoa física e pequenas empresas ou utilizar de medidas de afrouxamento quantitativo, com o uso de recursos de sua carteira para prover liquidez ao sistema financeiro.
9 cortes, 14 meses e a armadilha de liquidez
A extensão até os 0% impressiona. Ameaçada pelos efeitos da crise, a autoridade monetária realizou nove cortes no juro básico norte-americano nos últimos quatorze meses. Não bastasse, já gastou quase US$ 1,5 trilhão em aportes ao sistema financeiro; ajuda a bancos, financiadoras, seguradoras.
O onda de cortes nos juros básicos pelo mundo remete à atuação do Banco Central japonês no início da década. Desde 2001 o Bank of Japan mantém a taxa de juros de referência da segunda maior economia do mundo próxima dos 0% ao ano.
Antes do corte desta terça-feira, o mercado já sinalizava certa desconfiança com o efetivo valor de mais uma redução no juro básico. Remete à armadilha de liquidez, conceito destacado por John Maynard Keynes no século passado para definir situações em que o juro encontra-se em taxas tão baixas que movimentos não rendem a resposta esperada do mercado.
Mais expectativas que realidade
Reforçando este coro, a LCA Consultores comentou que a redução para a banda entre 0% e 0,25% ao ano pouco contribuirá para reverter o ciclo recessivo da economia norte-americana.
Quanto à prontidão demonstrada pelo Fed em utilizar de todas as ferramentas que lhe restaram, para a instituição, "parece ter o intuito de consolidar expectativas mais favoráveis, num contexto em que a confiança pessoal e corporativa permanece muito debilitada".
Apesar da restrição do juro básico, o Fed tenta mostrar que ainda possui muitas ferramentas e as deve utilizar. Nem tanto por seu efetivo impacto, mais pelo impacto sobre as expectativas.