Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira
Depois de uma semana de recuperação, a bolsa ficou longe daqueles 29.435 pontos vistos no dia 27 de outubro. A cautela não foi embora, mas a dúvida sobre a chegada do fundo do poço aos poucos é esquecida. Agora, o mercado tenta pontuar uma recuperação; quando a bolsa vai engatar uma tendência de alta consistente. Resgatando aquela velha pergunta, será que o pior realmente passou?
Uma questão importante é que o mercado parece não se surpreender mais. Depois da quebra de bancos centenários e pacotes de US$ 700 bilhões, o fluxo de notícias segue negativo, mas sem causar tanto impacto. Abre espaço para revisões nas estimativas. Para 2009, diversas equipes de análise já projetam recuperação, incluindo as de Credit Suisse, Deutsche Bank, Goldman Sachs e Merrill Lynch.
Mesmo com a indefinição sobre o futuro das montadoras, a extrema volatilidade de uns meses atrás não aparece mais. Cresce também o sentimento do rali de final de ano, com gestores de investimento às compras para melhorar o desempenho acumulado por seus fundos.
Roubini: bem mais embaixo
Apesar deste foco, os mais pessimistas continuam apostando que o fundo do poço é bem mais embaixo. Expoente principal desta corrente de pensamento, o economista turco Nouriel Roubini acredita que estamos apenas no meio da turbulência.
O cenário projetado pelo "Dr. Doom" aponta para a possibilidade do índice Dow Jones voltar a 4 mil pontos. Para se ter uma idéia, é menos da metade dos 8.500 pontos que o indicador contorna nesta segunda-feira (15). Além da projeção de perdas profundas para as ações, Roubini ainda prevê uma bolha no mercado de títulos do Tesouro norte-americano e escassez de alimentos à frente.
Sinais de mudança
Para o Ibovespa, aqueles 29.435 pontos começam a soar como o fundo do poço. O índice já opera 10 mil pontos acima daquele nível, recuperou 32% desde a segunda-feira de 27 de outubro. André Mello, analista da TOV Corretora, acredita que só uma catástrofe muito grande desbanca este patamar.
Os Bancos Centrais já mostraram-se unidos, o Brasil mostrou uma indústria sólida, há a perspectiva de corte na produção da Opep (Organização dos Países Produtores de Petróleo) para ajudar na cotação das commodities; são alguns dos argumentos.
Para o analista, o grosso da fuga de capital para os "safe heavens" já passou. Para se ter uma idéia, o rendimento de Treasuries de curto prazo chegou a ficar negativo em um leilão realizado pelo Tesouro norte-americano na semana passada. Mello acredita que como este capital já se abastecer, "deve começar um movimento inverso, (..), volta da busca por rentabilidade". Tudo nos mercados é antecipado; para o analista, o "mercado exagerou na queda".
Depois dos bancos, quebra de pessoas físicas
Mas alguns ingredientes adicionam incerteza extra às projeções. Um bom exemplo é a megafraude em hedge funds que estourou no final da semana passada. Alguns elementos ainda podem pressionar os mercados, trazer uma onda de perdas contábeis adicionais.
Mais cautelosa, Catarina Pedrosa, do Banif, lembra do problema dos cartões de crédito. Após bancos, financiadoras de hipotecas e seguradoras, o próximo grupo de falências pode vir das pessoas físicas dos Estados Unidos. "Os bancos estão extremamente alavancados", diz a analista.
A onda de inadimplência que atingiu o setor imobiliário tende a aparecer sobre as vendas com cartões de crédito."Quando os bancos começarem a soltar isto...", questiona Pedrosa. Perguntada se o pior já passou, a analista prefere deixar a questão em aberto: "50% de chance para cada lado".
Depois de uma semana de recuperação, a bolsa ficou longe daqueles 29.435 pontos vistos no dia 27 de outubro. A cautela não foi embora, mas a dúvida sobre a chegada do fundo do poço aos poucos é esquecida. Agora, o mercado tenta pontuar uma recuperação; quando a bolsa vai engatar uma tendência de alta consistente. Resgatando aquela velha pergunta, será que o pior realmente passou?
Uma questão importante é que o mercado parece não se surpreender mais. Depois da quebra de bancos centenários e pacotes de US$ 700 bilhões, o fluxo de notícias segue negativo, mas sem causar tanto impacto. Abre espaço para revisões nas estimativas. Para 2009, diversas equipes de análise já projetam recuperação, incluindo as de Credit Suisse, Deutsche Bank, Goldman Sachs e Merrill Lynch.
Mesmo com a indefinição sobre o futuro das montadoras, a extrema volatilidade de uns meses atrás não aparece mais. Cresce também o sentimento do rali de final de ano, com gestores de investimento às compras para melhorar o desempenho acumulado por seus fundos.
Roubini: bem mais embaixo
Apesar deste foco, os mais pessimistas continuam apostando que o fundo do poço é bem mais embaixo. Expoente principal desta corrente de pensamento, o economista turco Nouriel Roubini acredita que estamos apenas no meio da turbulência.
O cenário projetado pelo "Dr. Doom" aponta para a possibilidade do índice Dow Jones voltar a 4 mil pontos. Para se ter uma idéia, é menos da metade dos 8.500 pontos que o indicador contorna nesta segunda-feira (15). Além da projeção de perdas profundas para as ações, Roubini ainda prevê uma bolha no mercado de títulos do Tesouro norte-americano e escassez de alimentos à frente.
Sinais de mudança
Para o Ibovespa, aqueles 29.435 pontos começam a soar como o fundo do poço. O índice já opera 10 mil pontos acima daquele nível, recuperou 32% desde a segunda-feira de 27 de outubro. André Mello, analista da TOV Corretora, acredita que só uma catástrofe muito grande desbanca este patamar.
Os Bancos Centrais já mostraram-se unidos, o Brasil mostrou uma indústria sólida, há a perspectiva de corte na produção da Opep (Organização dos Países Produtores de Petróleo) para ajudar na cotação das commodities; são alguns dos argumentos.
Para o analista, o grosso da fuga de capital para os "safe heavens" já passou. Para se ter uma idéia, o rendimento de Treasuries de curto prazo chegou a ficar negativo em um leilão realizado pelo Tesouro norte-americano na semana passada. Mello acredita que como este capital já se abastecer, "deve começar um movimento inverso, (..), volta da busca por rentabilidade". Tudo nos mercados é antecipado; para o analista, o "mercado exagerou na queda".
Depois dos bancos, quebra de pessoas físicas
Mas alguns ingredientes adicionam incerteza extra às projeções. Um bom exemplo é a megafraude em hedge funds que estourou no final da semana passada. Alguns elementos ainda podem pressionar os mercados, trazer uma onda de perdas contábeis adicionais.
Mais cautelosa, Catarina Pedrosa, do Banif, lembra do problema dos cartões de crédito. Após bancos, financiadoras de hipotecas e seguradoras, o próximo grupo de falências pode vir das pessoas físicas dos Estados Unidos. "Os bancos estão extremamente alavancados", diz a analista.
A onda de inadimplência que atingiu o setor imobiliário tende a aparecer sobre as vendas com cartões de crédito."Quando os bancos começarem a soltar isto...", questiona Pedrosa. Perguntada se o pior já passou, a analista prefere deixar a questão em aberto: "50% de chance para cada lado".