segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Lucro líquido do setor imobiliário deve crescer 28% em 2008, projeta Citi

Por: Conrado Mazzoni Cruz

"Nossa maior questão diz respeito a quanto a demanda por imóveis irá encolher diante da queda nas perspectivas para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e da deterioração do emprego e da confiança do consumidor."

A frase escancara a cautela do Citigroup sobre as empresas do setor imobiliário latino-americano. Em relatório divulgado nesta segunda-feira (8), o banco revelou suas previsões para 2008 e 2009, considerando seis incorporadoras brasileiras listadas na BM&F Bovespa, pertencentes ao seu universo de cobertura.

Os analistas da institu
ição norte-americana projetam um lucro líquido total de R$ 1,23 bilhão neste ano, somando as previsões para Cyrela Realty (CYRE3), Gafisa (GFSA3), Brascan-Company (BISA3), PDG Realty (PDGR3), Rodobens (RDNI) e Rossi Residencial (RSID3). A cifra representaria um avanço de 28% na comparação com 2007.

Fora do agregado, as estimativas da equipe do Citi chegam a freqüentar o terreno negativo para algumas. Para Brascan e Rossi, a expectativa é fechar o ano com lucros 2,3% e 3,4%, respectivamente, menores em relação ao ano passado. Já a Cyrela deve exibir ganho semelhante a 2007, enquanto as outras desfrutam de situação mais positiva, principalmente PDG e Rodobens.

Incertezas
A indústria de construção civil já sentiu o desembarque da crise financeira internacional nos resultados do último trimestre, quando diversas empresas reportaram sinais de retração na demanda de empreendimentos de médio-alto padrão. Como é de praxe em momentos de crise.

Mas não é só o lado psicológico que irá fazer uma compra de longo prazo em período de incertezas. Também há o risco dos recursos necessários para financiamento da produção. "No lado da oferta, incertezas sobre quando a restrição de crédito irá terminar são nosso maior temor", acrescenta o banco.

Esse problema também pesa no capital de giro das incorporador
as, que aproveitaram a crise para prometer uma gestão mais "pé no chão". Mais da metade do setor (representado por 20 empresas, já considerando Brascan-Company de forma consolidada) implementou reduções nos guidances para o final do ano.

Para 2009, o Citigroup espera vendas de R$ 11,92 bilhões, ainda contemplando as seis empresas, o que significaria um aumento de 49,1% na comparação com o previsto para 2008 (R$ 7,99 bilhões). O lucro líquido do setor somará R$ 1,64 bilhão no ano que vem - alta de 33,4% -, analisa a instituição.