terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Mercado questiona se o sinal de vida da China é virada ou só repique à produção de aço

Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira

Depois do período de choque inicial, o mercado de aço chinês começa a dar sinais de vida. Na passagem das últimas semanas, os preços do minério de ferro no mercado spot do país mostraram elevação. Os contratos futuros de commodities como níquel e cobre também sugerem um início de virada para os metais básicos.

Mas antes de se apegar a um começo de recuperação, o investidor deve ficar atento a algumas premissas. Estes sinais recentes dados pelo mercado de aço e minério mais parecem um ajuste das condições de mercado aos cortes na produção recém anunciados pelas gigantes do setor.

A equipe de análise do Citigroup reforça este coro. Para a instituição, uma recuperação efetiva deste mercado só virá com a recuperação da demanda. Ainda longe de voltar aos volumes de vendas do cenário anterior à crise, é melhor esperar antes de precificar um movimento de retomada.

Ainda assim, o Citi destaca a velocidade destes cortes. Nesta crise, as grandes do setor mostraram maior prontidão para admitir que a situação realmente havia mudado. No bear market de 2001, as maciças reduções de produção anunciadas pela BHP Billiton ajudaram a guiar um rali de preço ao minério de ferro em 2002.

Virada ou repique?
Mas esta crise possui alguns ingredientes extras. O elevado nível de estoques acumulado nos últimos períodos de recordes de produção levaram a um processo de desestocagem significativo. Para os analistas do Bradesco, estes sinais recentes do mercado chinês podem indicar que a onda de desestocagem pode estar próxima do final.

Apesar desta consideração, são enfáticos: "ainda é muito cedo para afirmar se o movimento verificado indica uma recuperação ou apenas um repique do mercado".