terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Rumores sobre compra da Positivo: corretora vê quatro cenários possíveis ao negócio

Diante dos rumores acerca de uma possível venda da Positivo (POSI3) à norte-americana Dell ou à chinesa LeNovo, o Itaú divulgou relatório nesta terça-feira (9), no qual avalia a especulação corrente e traça panoramas possíveis para a concretização do negócio.

Apesar da operação ter vantagens potenciais, não deverá ser tão simples, graças a empecilhos legais. Por força de estatuto, a Positivo detém uma cláusula dizendo que qualquer parte possuidora de 10% de seu controle acionário, excluindo os papéis mantidos em Tesouraria, necessita propor a compra de todas ações restantes no mercado, pagando pelas mesmas a cotação mais alta dos últimos 24 meses que, no caso em questão, seria de R$ 47,15 (665% acima da cotação de fechamento da véspera). "Isto não é economicamente viável", afirmam os analistas da instituição financeira.

Caminhos a seguir
"Existem alguns caminhos interessantes frente à restrição", completam os mesmos analistas, projetando quatro cenários possíveis a compra: eliminação desta cláusula, a mudança na formulação do preço a ser pago ao restante dos papéis, comprar a participação minoritária para posteriormente vendê-la no mercado ou adquirir o controle da companhia por R$ 20,00 a ação e, após isto, pagar ao free float R$ 47,15 por ativo. Cabe ressaltar que as duas primeiras alternativas exigem mudança nos estatutos sociais, o que se traduz em aprovação por pelo menos dois terços dos minoritários.

Dentre as alternativas, a segunda e a quarta possuem maior probabilidade de ocorrência, segundo o Itaú. No tocante ao primeiro caminho, a instituição financeira vê chances remotas de cancelamento da cláusula, dado que os acionistas minoritários não se sentiriam propensos a aceitar tal mudança. Quanto à terceira possibilidade, o banco também lista empecilhos na sua concretização, ao passo que o interesse dos minoritários poderia dificultar o processo.

Já em relação ao segundo e mais provável panorama, a instituição financeira acredita que a compradora precisará oferecer aos acionistas minoritários um preço atrativo por seus ativos, para que aprovem a mudança, ou eliminação, deste patamar mais alto dos últimos dois anos. Por fim, a quarta alternativa restante possui alguns problemas, dado que os detentores do controle da Positivo venderiam sua parcela a um preço inferior.