terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Setores que devem ser priorizados em 2009

  • Bancos - O crédito mais caro e escasso tende a beneficiar os grandes bancos, que devem aumentar os seus spreads e ganhar market share dos bancos pequenos e médios, já que muitos destes encontram-se impossibilitados de realizar empréstimos por conta da crise de crédito e tiveram que vender parte de suas carteiras para bancos grandes. Estes últimos devem também continuar adquirindo outros bancos menores, dando continuidade ao processo de consolidação do setor bancário brasileiro, que deve em breve ser dominado por poucos grandes grupos, como acontece em muitos países com economias mais maduras. Além disso, os bancos brasileiros são muito menos alavancados do que os seus pares de países ricos e o crédito permanece baixo em relação ao PIB, havendo ainda espaço para crescimento, o que dá uma solidez maior ao sistema bancário brasileiro, mais seguro hoje do que o de muitos países desenvolvidos.

  • Energia Elétrica – São empresas consideradas defensivas em momentos de crise, dado que a redução dos gastos com energia não está entre as primeiras medidas a serem adotadas pelos consumidores. Seu histórico de pagar elevados dividendos é outro fator de atratividade do setor no atual momento. A expectativa de retração na atividade industrial prejudica o desempenho, porém, em menor proporção que outros segmentos e que poderá ser compensado pelos reajustes de tarifas, indexados à inflação. Dessa forma, o ideal é priorizar empresas com relações conservadoras de endividamento e menor exposição ao setor industrial.

  • Telefonia – Assim como o setor de energia elétrica, possui reajuste de tarifas atrelado à inflação e uma demanda relativamente previsível, voltada ao mercado interno, que deve sofrer menos. O setor de telefonia fixa está passando por um processo de consolidação, é maduro e bom pagador de dividendos. Na telefonia celular, o crescimento da base de clientes e a implantação da tecnologia 3G devem favorecer o desempenho, mesmo diante de uma concorrência acirrada pela portabilidade e pela possibilidade de consolidação no segmento.

  • Saneamento básico – Assim como os setores de energia elétrica e telefonia, é um setor que possui previsibilidade de reajuste de tarifas e de demanda, voltado ao mercado interno, maduro, bom pagador de dividendos e que, por ser um serviço de primeira necessidade, não deve ter redução de demanda, mas sim aumento, pois muitos lares brasileiros ainda não contam com serviços adequados de saneamento básico.

  • Bens de consumo – Devido à acentuada desvalorização do real frente ao dólar, ficará mais fácil de exportar bens de consumo, o que deve favorecer o setor no Brasil, que ainda conta com um dos menores custos de produção de proteína do mundo. A queda do preço da ração e a recente decisão da China de liberar as importações de frango ajudam nessa perspectiva. Os produtos alimentícios tendem sofrer efeito menor sobre sua demanda no atual quadro de retração da atividade econômica, do que bens duráveis e semi duráveis. Papéis de empresas com maior diversificação de produtos e de mercados, atuando em várias regiões, possuem menor risco.

  • Varejo – Também é menos impactado por tratar-se da comercialização de produtos voltados para o mercado interno, que ainda está com níveis historicamente mais elevados de renda e emprego. As empresas com maior diversificação em bens de consumo não duráveis, por exemplo, como alimentos e bebidas, devem ser priorizadas, já que sofrem menos com um quadro de maior restrição ao crédito.