Por: Giulia Santos Camillo
O que pode dar errado em 2009, ano em que grande parte dos analistas prevê uma recuperação da economia dos EUA? É nessa pergunta que o economista-chefe da Merrill Lynch, David Rosenberg, baseia seu mais recente relatório sobre a economia do país. Apesar de trazer implícitos diversos argumentos, a resposta é bastante simples. Segundo o economista, o risco é que o consenso possa estar errado mais uma vez.
"Nesta mesma época do ano passado, o consenso previa um crescimento anualizado de 1,3% para o PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre de 2008 (que na verdade foi de 0,9%), 1,9% para o segundo trimestre (que foi de 2,8%), 2,3% para o terceiro trimestre (que foi de -0,5%) e 2,6% para o quarto trimestre (parece que será de -6% ou possivelmente pior)", avalia Rosenberg.
Para o economista da Merrill Lynch, um dos grandes problemas da comunidade econômica é sua tendência otimista, que já se mostrou errada em 2008. Para este ano, o consenso indica uma contração de 2,4% do PIB norte-americano no primeiro trimestre e crescimento de 0,5%, 1,3% e 1,8% nos subsequentes. Mais pessimista, a Merrill Lynch prevê dados positivos apenas no primeiro trimestre de 2010.
O que pode dar errado
Entre as principais preocupações de David Rosenberg está o aumento da taxa de poupança dos cidadãos norte-americanos, levados principalmente pelo maior desemprego, redução da renda real e, acima de tudo, destruição da riqueza. Conforme os cálculos da instituição, até o quarto trimestre de 2008, as perdas de riqueza somavam US$ 13 trilhões.
Embora o Federal Reserve já tenha expandido seu balanço geral para mais de US$ 2 trilhões e possa ultrapassar os US$ 3 trilhões com a continuidade da injeção de capital, o cenário retratado pelo economista indica que os pacotes de estímulo do governo dos EUA provavelmente servirão apenas para amortecer os problemas.
Outro ponto ressaltado por Rosenberg é o papel que a deflação terá ao longo deste ano. Esse é um tema que, segundo a Merrill Lynch, será muito mais importante do que muitos imaginam, impulsionado pela queda nos preços dos imóveis, aumento da taxa de poupança da população e desequilíbrio entre oferta e demanda. "Este ciclo deflacionário pode ter ainda dois anos pela frente", afirma o economista.
Projeções pessimistas
Em meio aos diversos pontos que podem dar errado em 2009, o economista da Merrill Lynch também divulgou algumas previsões - claramente mais negativas do que o consenso. A começar pela afirmação de que "as esperanças por uma recuperação no segundo semestre deste ano provavelmente irão decepcionar nos próximos meses".
Outra expectativa é de que o PIB sofrerá uma pressão de US$ 1 trilhão neste ano. Isso porque a poupança baseada na renda e não mais em ativos impactará o gasto do consumidor, levando a perdas de US$ 350 bilhões no PIB, que irão somar-se às perdas de US$ 650 bilhões devido ao crescimento da taxa de desemprego para 8% e redução da renda individual.
Por fim, a instituição ainda prevê uma queda maior nos mercados acionários, baseada na análise de bear markets anteriores. "Nossas métricas sugerem que nós apenas passamos a marca dos 40% dessa recessão e o mercado acionário tipicamente atinge a mínima na marca dos 60%", afirma Rosenberg. Segundo ele, mesmo que essas previsões se provem muito pessimistas, a equipe de análise da Merrill Lynch permanece convencida de que os preços dos imóveis ainda devem cair 15%.
O que pode dar errado em 2009, ano em que grande parte dos analistas prevê uma recuperação da economia dos EUA? É nessa pergunta que o economista-chefe da Merrill Lynch, David Rosenberg, baseia seu mais recente relatório sobre a economia do país. Apesar de trazer implícitos diversos argumentos, a resposta é bastante simples. Segundo o economista, o risco é que o consenso possa estar errado mais uma vez.
"Nesta mesma época do ano passado, o consenso previa um crescimento anualizado de 1,3% para o PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre de 2008 (que na verdade foi de 0,9%), 1,9% para o segundo trimestre (que foi de 2,8%), 2,3% para o terceiro trimestre (que foi de -0,5%) e 2,6% para o quarto trimestre (parece que será de -6% ou possivelmente pior)", avalia Rosenberg.
Para o economista da Merrill Lynch, um dos grandes problemas da comunidade econômica é sua tendência otimista, que já se mostrou errada em 2008. Para este ano, o consenso indica uma contração de 2,4% do PIB norte-americano no primeiro trimestre e crescimento de 0,5%, 1,3% e 1,8% nos subsequentes. Mais pessimista, a Merrill Lynch prevê dados positivos apenas no primeiro trimestre de 2010.
O que pode dar errado
Entre as principais preocupações de David Rosenberg está o aumento da taxa de poupança dos cidadãos norte-americanos, levados principalmente pelo maior desemprego, redução da renda real e, acima de tudo, destruição da riqueza. Conforme os cálculos da instituição, até o quarto trimestre de 2008, as perdas de riqueza somavam US$ 13 trilhões.
Embora o Federal Reserve já tenha expandido seu balanço geral para mais de US$ 2 trilhões e possa ultrapassar os US$ 3 trilhões com a continuidade da injeção de capital, o cenário retratado pelo economista indica que os pacotes de estímulo do governo dos EUA provavelmente servirão apenas para amortecer os problemas.
Outro ponto ressaltado por Rosenberg é o papel que a deflação terá ao longo deste ano. Esse é um tema que, segundo a Merrill Lynch, será muito mais importante do que muitos imaginam, impulsionado pela queda nos preços dos imóveis, aumento da taxa de poupança da população e desequilíbrio entre oferta e demanda. "Este ciclo deflacionário pode ter ainda dois anos pela frente", afirma o economista.
Projeções pessimistas
Em meio aos diversos pontos que podem dar errado em 2009, o economista da Merrill Lynch também divulgou algumas previsões - claramente mais negativas do que o consenso. A começar pela afirmação de que "as esperanças por uma recuperação no segundo semestre deste ano provavelmente irão decepcionar nos próximos meses".
Outra expectativa é de que o PIB sofrerá uma pressão de US$ 1 trilhão neste ano. Isso porque a poupança baseada na renda e não mais em ativos impactará o gasto do consumidor, levando a perdas de US$ 350 bilhões no PIB, que irão somar-se às perdas de US$ 650 bilhões devido ao crescimento da taxa de desemprego para 8% e redução da renda individual.
Por fim, a instituição ainda prevê uma queda maior nos mercados acionários, baseada na análise de bear markets anteriores. "Nossas métricas sugerem que nós apenas passamos a marca dos 40% dessa recessão e o mercado acionário tipicamente atinge a mínima na marca dos 60%", afirma Rosenberg. Segundo ele, mesmo que essas previsões se provem muito pessimistas, a equipe de análise da Merrill Lynch permanece convencida de que os preços dos imóveis ainda devem cair 15%.