terça-feira, 6 de janeiro de 2009

IPTU e IPVA: vale a pena usar crédito ou investimento para ter desconto à vista?

Por: Flávia Furlan Nunes

Começo de ano é temporad
a de pagamento de impostos. O IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) começa a ser pago na próxima sexta-feira (9), enquanto que os boletos para o IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) serão postados a partir do dia 15 de janeiro. Quem paga em uma só parcela ganha desconto.

Por isso, muitos bancos já se adianta
ram e lançaram linhas de crédito para os interessados em pagarem esses impostos à vista, aproveitando os descontos oferecidos. Mas será que vale a pena se endividar para pagar menos?

De acordo com o professor de Economia e Finanças da Fucape e FGV, Paulo César Coimbra, é importante avaliar os descontos que são oferecidos, uma vez que alguns não são atrativos a ponto de justificar o empréstimo. Na outra ponta, é bom analisar qual o preço que se pagará para a tomada do empréstimo.

Vale ou não a pena
Na cidade de São Paulo, o desconto oferecido no IPTU é de 6%, o que significa que uma conta fictícia de R$ 100 passaria a R$ 94. Se for tomado um empréstimo de R$ 94 para pagamento à vista, com juros de 4,5%, ao final de um mês, o cliente terá pago R$ 98,23.

"Ele terá um desconto de R$ 1,76. É como se a pessoa estivesse pagando os R$ 98,23 em vez de R$ 100. Então, se for por um mês a duração do empréstimo, é vantajoso", disse Coimbra.

Agora, quando analisado o IPVA, cujo desconto é de apenas 3% (em São Paulo) no pagamento à vista, tomar um empréstimo com juros de 4,5% não vale a pena. Se o imposto for de R$ 100 - exemplo hipotético -, com o desconto, ele fica em R$ 97. Tomando o empréstimo de R$ 97 para pagar o imposto à vista, em um mês, a pessoa pagaria R$ 101,36, acima do valor inicial, o que significa que não compensa a tomada do crédito e vale mais a pena parcelar o pagamento do imposto.

Pontos a considerar
Além de analisar o quanto economizará ao tomar o empréstimo, a pessoa tem que considerar os riscos de não conseguir arcar com aquele empréstimo até o final do mês. "Porque o ideal é que a pessoa já vá guardando o décimo terceiro para esses impostos, que não pegam ninguém de surpresa. Todos sabem que têm que pagar no começo do ano".

Por isso, se estamos falando de uma pessoa que extrapolou nos gastos de final de ano, ou que teve um gasto emergencial muito alto, como com saúde, o risco de se tomar o empréstimo é muito alto. Principalmente no caso de saúde, uma vez que muitas doenças são recorrentes. O melhor é fazer o parcelamento.

Tirar de um investimento
Questionado sobre se vale a pena tirar a quantia de um investimento para arcar com os tributos, para aproveitar os descontos, Coimbra disse que a resposta é sim, dependendo da modalidade de investimento.

No caso de fundos DI e da caderneta de poupança, por exemplo, ele disse que a rentabilidade mensal não passa de 1%. "Em vez de pagar os juros de 4,5% num empréstimo, pague a si próprio o valor de 1%. É como se tivesse tomando um empréstimo de si mesmo. Isso não compromete o investimento, se a pessoa depois se comprometer a repor o valor", afirmou Coimbra, completando que não faz sentido ter um investimento e tomar um empréstimo.

Coimbra disse acreditar que recorrer ao investimento vale a pena, ao invés de tomar um empréstimo, mesmo com o pagamento de taxas para saque da quantia desejada.

De acordo com o especialista, é difícil para o brasileiro pensar dessa maneira, já que existe a cultura de fazer um investimento e deixar render, sem mexer para nada. Então, em um momento de dificuldade financeira, o que acontece é que se recorre a empréstimos, que acabam tendo juros mais altos do que o rendimento da aplicação, mesmo com as taxas cobradas.