quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Caso compra dos ativos da Arcelor saia, Usiminas deve se beneficiar no longo prazo

Um rumor surgido no final de janeiro é reacendido pelo mercado. Investidores ainda trabalham com a possibilidade de compra dos ativos do grupo ArcelorMittal no Brasil pela Usiminas (USIM3, USIM5). A Arcelor negou qualquer chance de um acordo acontecer, mas não convenceu.

Para os analistas do Bradesco, o grupo nunca fecharia o negócio em tempos normais, mas já declarou a necessidade de reduzir sua base de custos, o que reabre a possibilidade.

Caso o negócio venha a se concretizar, traria importantes sinergias para a Usiminas. Entre outros fatores, a localização da unidade da Arcelor foi muito elogiada, além do fato que, para o Bradesco, o acordo supriria a necessidade da siderúrgica brasileira investir US$ 5,7 bilhões em uma nova planta de chapas.

Tomando por base estas considerações, a avaliação do negócio é positiva para o banco. Mas somente no longo prazo. À primeira vista, um negócio entre Usiminas e Arcelor traria instabilidade para as ações da primeira no curto prazo.

Ruim no curto prazo, positivo no longo prazo
O problema diz respeito a valores. O Bradesco trabalha com a possibilidade de que o máximo que a Usiminas pode pagar gira em torno de US$ 10 bilhões, preço aproximadamente 6,2 vezes a geração de caixa da companhia projetada para 2010. Foi considerado caro demais. Uma análise mínima seria de US$ 7,4 bilhões, correspondente a 5,3 vezes a geração de caixa projetada para 2010.

A incerteza em relação ao valor tende a alimentar instabilidade de curto prazo à ação. Com base nisto, o Bradesco vê a possibilidade de negócio com sugestão de reduzir exposição às ações da Usiminas. Ainda assim, a perspectiva positiva de longo prazo do negócio limita uma recomendação de ficar completamente fora dos ativos.