quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Estrategista aposta em rali de mais 5% a 10% nos mercados em curto prazo

A visão de que o pior da crise já passou é amplamente aceita pelos analistas, contudo, a questão que ainda se faz presente aos investidores é como e quando os mercados deverão retornar aos padrões de normalidade. Para o fundador e presidente do Barber Finantial Group, Dean Barber, os mercados deverão subir no curto-prazo, mas enfrentarão dificuldades em um horizonte mais distante.

"Poderá haver bons ganhos nos próximos dois ou quatro meses. Talvez um novo aumento de 5% a 10% em todos os tipos de mercados", disse Barber em entrevista à CNBC. "Mas para o longo-prazo, muitas dificuldades estarão à frente e as principais em nossa visão estão nos mercados de crédito".

O executivo destaca que está preocupado acerca da falta de atitude do governo norte-americano para reduzir os níveis de dívida no país, principalmente das indústrias e das famílias. Barber também segue cauteloso quanto à elevada taxa de desemprego nos EUA, que recentemente atingiu o maior patamar desde 1986, acima dos 10%.

"Para as companhias continuarem apresentando lucros, elas deverão se apoiar nos ombros dos consumidores, que, por sua vez, necessitam de um emprego para poder gastar", avaliou.

Governo dos EUA
Com opinião semelhante, o fundador e estrategista chefe de investimentos do Channel Capital Research, Douglas Roberts, também vê uma tendência de bull market no curto-prazo, mas se preocupa com o fato de o governo norte-americano estar sendo o principal driver para a recuperação econômica dos Estados Unidos.

"Mesmo se você der uma olhada nos números do PIB (Produto Interno Bruto), verá que o indicador dos gastos do consumidor foi regido pelos programas do governo, então a verdadeira questão é até quando isso irá durar? Eu não vejo nada que, depois dos programas do governo, deverá levar a economia de volta ao nível que estava", concluiu.

Enquanto o governo dos EUA continua a estimular a economia, indicadores seguem mostrando números positivos. Nesta semana, a venda de casas novas e a renda individual dos cidadãos norte-americanos superaram as projeções dos analistas, assim como a confiança do consumidor do país em novembro. Além disso, um volume bem menor que o esperado foi registrado no número de pedidos de auxílio-desemprego durante a última semana.

Entre os setores preferidos por Roberts para investimentos de curto-prazo, estão os de tecnologia e planos de saúde, já os papéis de utilities não agradam o executivo. Por sua vez, Barber também recomenda as companhias de planos de saúde, assim como as do setor de energia e bens de consumo.