Após a realização da Terceira Conferência Anual do setor de saúde no Brasil, com dez empresas do setor e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), os analistas do Morgan Stanley concluiram que há evidências macroeconômicas fortes e fundamentos específicos da indústria que tornam o setor muito atrativo. De acordo com o banco, todas as empresas participantes devem se beneficiar de crescimento no top line, e devem se aproveitar de vantagens de escala para melhorar suas operações e margens.
Os analistas Javier Martinez Cerdan e Esteban Schreck acreditam ainda que o segmento de planos de saúde deve surpreender positivamente o mercado e que as consolidações continuam como um tópico importante, sendo possivelmente um dos principais drivers do segmento em 2010.
Dasa (DASA3)
A vantagem competitiva da empresa é ser a provedora de serviços de larga escala de baixo custo. Os gestores da DASA reafirmaram o guidance para 2010 e 2011 e afirmaram que a margem Ebitda (relação percentual entre geração operacional de caixa e receita líquida) é sustentável no longo prazo.
Uma possível aquisição dos Laboratórios Pardini, que tem papel central no processo de consolidação, poderia mudar a dinâmica do mercado, e os analistas acreditam que a DASA poderia extrair mais sinergias do que o Fleury, além de pretender pagar múltiplos maiores. Uma fusão entre DASA e Fleury "faz sentido", na opinião dos analistas, e o CEO da empresa acredita que a criação de valor para os acionistas seria maximizada se essa fusão acontecesse dentro de um ano. Entretanto, Cerdan e Schreck destacaram que o principal desafio, nesse caso, seria a integração das culturas das empresas.
Cremer (CREM3)
A habilidade de continuar crescendo com pouco investimento, aliada a forte geração de fluxo de caixa torna o case atrativo. Os gestores estão focados em melhorar as operações, ganhando market share e introduzindo produtos no mercado.
O alto ROIC (retorno sobre capital investido) e dividend yield de 8% em um negócio resiliente sugere retorno de capital através de dividendos "extraordinários".
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)
De acordo com o órgão regulador, o MLR (Medical Loss Ratio, que é a porcentagem paga pelos planos de saúde aos médicos) do setor deve reverter tendência de alta vista em 2009 (decorrência da gripe suína e avanço dos custos de importação de produtos), para níveis normais de 70% a 80%. Já a onda consolidação na indústria deve continuar.
Sul América (SULA11)
A equipe do Morgan Stanley vê "um futuro brilhante pela frente após fortes resultados em 2009", e cita a maior penetração esperada dos seguros, resultado da expansão do PIB brasileiro. Outro driver importante para a empresa é a redução do IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) até 31 de março, benéfico para o negócio de seguro de carros.
Por fim, os analistas afirmam que a Sul América deve continuar usando oportunidades de cross-selling dentro do seu portfólio, sendo que o segmento dentário seria o maior beneficiado.
Droga Raia
Terceira maior empresa privada da rede de farmácias, com 4% do market share, a Droga Raia não possui ações listadas em bolsa, e pode fazê-lo, mas não há pressões devido a recentes investimentos, em 2007, pro parte dos fundos Gávea e Pragma. A empresa afirmou que não acredita em consolidação entre os principais players no curto prazo.
A companhia afirmou ainda que é uma das únicas duas empresas que conseguiu, com sucesso, reproduzir o crescimento em novas lojas, mantendo alto ROIC.
Amil (AMIL3)
Top pick dos analistas para o setor, a empresa está performando abaixo do mercado e da indústria desde a aquisição da Medial, com receio de que a Amil não consiga reverter rapidamente as operações da Medial. "Acreditamos que um forte resultado no primeiro trimestre consiga apagar as dúvidas sobre a força da aquisição da Medial e a posição de liderança da Amil no mercado", afirmam os analistas.
Durante a conferência, o CEO da empresa reafirmou aos investidores seu comprometimento em criar a líder no setor no Brasil. Para a equipe do Morgan Stanley, a empresa implementou medidas simples para melhorar a rentabilidade da Medial, que devem aparecer no balanço da companhia ainda em 2010.
Odontoprev (ODPV3)
A potencial transação entre o Bradesco e a Ibi no México deve melhorar ainda mais o canal de distribuição da Odontoprev, expandindo a marca para fora do Brasil. A empresa ainda mecionou que a margem de Ebitda em 20% a 21% é sustentável.
Drogasil (DROG3)
Os analistas destacam o forte crescimento financeiro e do market share, com a empresa crescendo mais rapidamente que os pares em 2009. Para a equipe, a empresa deve continuar focando forças no varejo, e é esperado que continue mostrando bom crescimento em 2010 e nos próximos anos.
Fleury (FLRY3)
Com claras iniciativas de expansão, o objetivo da empresa é ter presença em regiões com mais de 1 milhão de membros de planos privados de saúde. Os analistas veem oportunidades de expansão no estado de Minas Gerais e nos arredores de Brasília, e afirmam que a estratégia da empresa deve manter altos o ROIC e as margens do Fleury.
Profarma (PRFM3)
Atualmente utilizando 70% de sua capacidade, os analistas acreditam que o percentual pode chegar a 100% em dois anos, enquanto as despesas gerais e administrativas devem ser mais diluídas em função de maiores volumes em 2010.
A companhia também deve se beneficiar do aumento na venda de genéricos, o que pode levar a melhores margens. Para os analsitas, a Profarma terá um papel importante em ajudar na consolidação das varejistas, uma vez que funciona como um "banco" para muitas, ajustando sua necessidade de capital de giro.