quarta-feira, 30 de junho de 2010

No semestre, ouro lidera ranking dos investimentos e bolsa fica na lanterna

Forte aversão ao risco afastou investidores das ações

Roberta Scrivano, do Economia & Negócios

Pelo terceiro mês consecutivo, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) ficou na lanterna do ranking dos investimentos. Em junho, o principal índice da bolsa perdeu 3,35%. O ouro, por sua vez, ficou no topo da listagem com valorização de 2,92%, também pela terceira vez seguida. A repetição, segundo especialistas, é por conta do aumento de aversão ao risco, sobretudo nos investidores estrangeiros, ocasionada pelas turbulências econômicas mais recentes. No semestre, o Ibovespa acumula queda de 11,16%. O ouro, soma alta de 19,52%.


"Ouro é investimento seguro e vai bem porque há incerteza sobre os desdobramentos dos problemas europeus. A bolsa é outro lado da moeda: há risco e as incertezas afastam os investidores", explica Marcelo Guterman, professor de finanças do Insper (ex-Ibmex São Paulo).


O cenário de queda na bolsa reforça, na opinião de especialistas, que as ações devem ser encaradas como investimento de longo prazo. "Cinco anos, no mínimo", diz o educador financeiro Mauro Calil. Para quem se enquadra nesse perfil, a desaceleração do Ibovespa configura um bom momento para entrar ou ampliar o valor investido na bolsa. "É hora de começar a fazer compras gradativas, conforme os preços continuem a se depreciar", sugere Fábio Colombo, administrador de investimentos.


As duas ações mais líquidas do mercado acionário brasileiro - Petrobrás PN e Vale PNA - recuaram mais que o Ibovespa. Petrobrás PN caiu 9,26% e Vale PNA, 11,2%. A queda na cotação da petrolífera, no entanto, não tem a ver somente com a baixa do mercado, mas também à postergação da capitalização, que estava prevista para ocorrer no início do segundo semestre.


Na segunda posição do ranking estão os títulos indexados ao IGP-M, com rentabilidade de 0,85% em junho e de 5,68% no ano. Especialistas recomendam a modalidade para diversificação de portfólio.


Os investimentos de menor risco, como os fundos de renda fixa e os DI, tiveram rendimentos de 0,71% e 0,63%, respectivamente, em junho. Esse tipo de aplicação não é impactado pela turbulência internacional, mas pelo comportamento da taxa básica de juros (Selic), definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). "Quanto mais alta a taxa, melhor a rentabilidade dessas modalidades", afirma Rogério Bastos, da consultoria FinPlan.


A alta nos fundos de renda fixa e DI roubam a atratividade da tradicional caderneta de poupança, que mostrou rentabilidade de 0,56% em junho e 3,23% no ano. "Quem está na poupança faz bom negócio se mudar para um fundo DI", completa Bastos.


Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) de até R$ 5 mil tiveram o pior rendimento dentro da renda fixa, subindo 0,44%. Por serem oferecidos a pequenos investidores, estes títulos costumam ter taxas não tão atrativas.