terça-feira, 10 de agosto de 2010

BM&F Bovespa supera Nova York em opções sobre ações

Mariana Segala (msegala@brasileconomico.com.br)


Os dados do primeiro semestre compilados pela Federação Mundial de Bolsas (WFE, na sigla em inglês) indicam que a BM&F Bovespa está conseguindo conquistar espaço frente às suas concorrentes.

O destaque, por enquanto, está no mercado de opções. A bolsa brasileira encerrou o semestre como a segunda do mundo em número de contratos de opções sobre ações negociados.

Foram mais de 424 milhões de opções, segundo a WFE, um aumento de 80% em relação ao mesmo período do ano passado - cifra que a colocou atrás apenas da Chicago Board Options Exchange (CBOE), bolsa americana especializada no segmento.

No ranking anual de 2009, a BM&F Bovespa ficou na quarta posição na negociação de opções. Neste ano até julho, conseguiu bater bolsas americanas como a International Securities Exchange (ISE), primeira colocada no ano passado, e a Nasdaq.

Na contagem mensal, a BM&F Bovespa chegou a liderar o ranking da WFE em março.

"Nosso mercado foi liderado, obviamente, pelas opções sobre ações da Petrobras e da Vale, que são, individualmente, as mais negociadas no mundo", diz o presidente da BM&F Bovespa, Edemir Pinto.

No ano passado, o número de opções sobre as ações preferenciais classe A da Vale e sobre as preferenciais da Petrobras representou, respectivamente, 7,4% e 7,2% do total de contratos negociados no mundo, segundo levantamento da Associação Internacional do Mercado de Opções (Ioma, na sigla em inglês), em conjunto com a WFE.

Além do aumento no número de opções negociadas, também contribuiu para o pequeno salto da BM&F Bovespa o fato de as bolsas estrangeiras terem vivido um momento de retração nas operações desse segmento.

"O volume de negócios com ações caiu muito nos EUA neste ano, levando junto o mercado de opções", avalia o analista da Equity Research Desk, Bernardo Mariano.

Na bolsa brasileira, ocorreu o contrário - captando, talvez, os volumes saídos dos outros cantos do mundo.

Indicadores

Em outros quesitos, no entanto, as estatísticas da WFE mostram que a BM&F Bovespa ainda tem muito a crescer.

A bolsa brasileira não chega a aparecer entre as "cinco mais" de segmentos como a negociação de contratos futuros de índices ou de opções sobre índices.

Também está longe de ter representatividade nas operações com fundos de índices (ETFs), produtos securitizados ou bônus.

A bolsa também não figurou entre as dez maiores em número de ofertas iniciais (IPOs), mas ficou em décimo lugar em valores levantados em IPOs (US$ 3,8 bilhões no semestre).

Perdeu posição no valor de capitalização das empresas listadas no pregão - caiu do nono lugar em 2009 para o décimo no semestre passado.

"Isso está relacionado com o tamanho da economia brasileira e o número de empresas de capital aberto, ainda pequeno por aqui", explica o analista da corretora Ágora, Aloisio Lemos.

A BM&F Bovespa também não entrou na lista das bolsas com maior volume de operações eletrônicas com ações, o que deve mudar, na avaliação de Lemos, com os esforços da bolsa em conquistar investidores de alta frequência.