Por: Camila F. de Mendonça
“Eles são a classe C de amanhã”. A afirmação do sócio-diretor do instituto de pesquisas Data Popular, Renato Meirelles,sobre a classe D parece óbvia. Contudo, considerando o cenário econômico de alguns anos atrás, seria difícil imaginar uma ascensão tão acentuada desse segmento da população como é possível verificar hoje.
Com aumento da renda, expansão e ampliação do acesso ao crédito e maior conscientização dos jovens da classe D sobre a importância da educação, esses consumidores passaram a ter outras prioridades e começam a entrar no universo de consumo aos poucos. E quem são esses consumidores? O que querem e quais as oportunidades que eles oferecem aos setores da economia?
A classe D representa 32,3% dos brasileiros e soma um contingente de 68 milhões de consumidores distribuídos de modo heterogêneo pelo País: 56,5% dos brasileiros da região Nordeste e 50% dos que vivem na região Norte estão nesse segmento. No Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a classe D representa 30,7%, 31,2% e 37,3% da população dessas regiões.
Para as empresas, as oportunidades são grandes. Neste ano, pela primeira vez, a classe D deve superar a B em poder de compra. A massa de renda do primeiro segmento deve somar R$ 381,2 bilhões, contra R$ 329,5 bilhões da classe B. Os dados mostram que o poder de compra da base da pirâmide só perde para o da classe C, que deve ficar em R$ 427,6 bilhões neste ano.
Além disso, em 2010, a classe D já superou a B no consumo de alguns grupos de produtos, como em alimentação dentro do lar, vestuário e acessórios, móveis, eletrodomésticos e eletrônicos para o lar e medicamentos.
O consumidor da classe D
Para o Data Popular, a classe D apresenta uma grande mobilidade social. Até novembro do ano passado, 30% dos consumidores desse segmento migraram para a classe C, 15% caíram para a classe E e 55% mantiveram-se na D. Nesse período, 16% dos consumidores da classe E subiram para a classe D.
Apesar de ter mais dinheiro no bolso, esse consumidor ainda não conhece os mecanismos do universo do consumo. Levantamento do Data Popular mostra que, enquanto os consumidores acostumados com esse universo buscam produtos exclusivos e que os diferencie – como é o caso dos consumidores das classes A e B – os da classe D têm outras prioridades. “Esse segmento consome como um modo de inserção social”, explica Meirelles.
Por isso, mesmo com renda de até três salários mínimos, 16% das classes D e E têm carro, 28% têm lava-roupas e 34%, aparelho de DVD. Esses produtos, assim como outros, explica Meirelles, representam essa busca pelo “pertencimento”.
Ao contrário dos outros segmentos, a base da pirâmide tende a ser mais fiel a um produto ou uma marca, se eles suprirem suas expectativas. Por isso que está na classe D o maior potencial de fidelização. “Primeiro, esse consumidor amplia o número de produtos, depois, ele começa a enxergar a qualidade”, afirma Meirelles. Para a classe D, determinado item precisa apresentar vantagens concretas – caso contrário, não entra no carrinho.
O carrinho desse segmento, inclusive, está cada ano mais cheio. O levantamento mostra que a quantidade média de produtos que a base da pirâmide coloca no carrinho passou de 21 em 2002 para 38 neste ano, considerando as classes D e E – um aumento de 17 itens. Já as classes A e B estão comprando neste ano 15 itens a mais. Em média, são 45 produtos, contra 30 em 2002. Nessa conta, a classe C também cresceu menos, pois colocou 13 itens a mais no carrinho no período.
Na hora de passar no caixa, pedir desconto é considerado normal entre esses consumidores. O levantamento do instituto mostra que a classe D tem orgulho do desconto, ao contrário de outros segmentos, que ainda se sentem vexados de pechinchar.
Ferramentas do universo do consumo
O mundo das vitrines atrai a base da pirâmide, mas eles ainda se sentem muito desconfiados com as ferramentas de que esse mundo dispõe, como o crédito, por exemplo. O levantamento do Data Popular mostra que as classes D e E se sentem mais desconfortáveis ao usar o cartão de crédito e a contrair empréstimos.
Segundo os dados, 38,4% dos consumidores da classe E e 32,1% dos da classe D se sentem no mínimo desconfortáveis quando utilizam o cartão de crédito. Os dados revelam ainda que 82,8% dos consumidores da classe E e 80,8% dos consumidores da classe D se sentem desconfortáveis ou muito desconfortáveis quando pedem dinheiro a uma financeira.
Para Meirelles, tais desconfortos advêm do fato de a base da pirâmide ainda não conhecer nem o cartão de crédito nem os meios para se contrair empréstimos. E esse desconhecimento gera insegurança. Apesar disso, 23% dos consumidores das classes D e E possuem cartão de crédito.
E por mais inseguros que eles sejam quanto aos mecanismos do consumo e do crédito, eles sabem que ter conta em banco é um facilitador de todo esse sistema. Os dados mostram que 25% desse segmento tem conta-corrente.
O futuro da classe D
O aumento dos rendimentos e da oferta de crédito para a baixa renda não influenciou apenas o consumo. A percepção que os jovens desse segmento têm sobre a educação é outro fator que ajudará na ascensão da base da pirâmide.
Aliás, a educação é vista por esse segmento como um dos principais fatores de ascensão: 80% dos jovens das classes D e E acreditam que a escola tem muita utilidade na sua vida, contra 64% das classes A e B. Entre as mulheres, os percentuais aumentam, sendo 84% nas classes de baixa renda e 65% nas de alta renda.
Para se ter uma ideia da importância que a baixa renda dá a esse item, em números absolutos, a quantidade de crianças da classe D cursando escolas particulares é maior do que o número de crianças das classes A e B.
Em percentuais, das 5,3 milhões de crianças de escolas privadas, 11% são da classe E, 17% da classe D, 33% da C, 22% da B e 16% da A. Como consequência, também aumenta o número de jovens de baixa renda que buscam o ingresso em universidades e faculdades.
Esses jovens serão a classe C, B e A de amanhã, já que, comparando as escolaridades, eles serão mais informados que seus pais. Somado a isso, esses jovens já são, hoje, mais independentes do que os jovens de alta renda. Isso porque, desde cedo, eles assumem responsabilidades. A consequência é um maior poder de decisão desse jovem e maior número de novas famílias consumindo.
“Eles são a classe C de amanhã”. A afirmação do sócio-diretor do instituto de pesquisas Data Popular, Renato Meirelles,sobre a classe D parece óbvia. Contudo, considerando o cenário econômico de alguns anos atrás, seria difícil imaginar uma ascensão tão acentuada desse segmento da população como é possível verificar hoje.
Com aumento da renda, expansão e ampliação do acesso ao crédito e maior conscientização dos jovens da classe D sobre a importância da educação, esses consumidores passaram a ter outras prioridades e começam a entrar no universo de consumo aos poucos. E quem são esses consumidores? O que querem e quais as oportunidades que eles oferecem aos setores da economia?
A classe D representa 32,3% dos brasileiros e soma um contingente de 68 milhões de consumidores distribuídos de modo heterogêneo pelo País: 56,5% dos brasileiros da região Nordeste e 50% dos que vivem na região Norte estão nesse segmento. No Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a classe D representa 30,7%, 31,2% e 37,3% da população dessas regiões.
Para as empresas, as oportunidades são grandes. Neste ano, pela primeira vez, a classe D deve superar a B em poder de compra. A massa de renda do primeiro segmento deve somar R$ 381,2 bilhões, contra R$ 329,5 bilhões da classe B. Os dados mostram que o poder de compra da base da pirâmide só perde para o da classe C, que deve ficar em R$ 427,6 bilhões neste ano.
Além disso, em 2010, a classe D já superou a B no consumo de alguns grupos de produtos, como em alimentação dentro do lar, vestuário e acessórios, móveis, eletrodomésticos e eletrônicos para o lar e medicamentos.
O consumidor da classe D
Para o Data Popular, a classe D apresenta uma grande mobilidade social. Até novembro do ano passado, 30% dos consumidores desse segmento migraram para a classe C, 15% caíram para a classe E e 55% mantiveram-se na D. Nesse período, 16% dos consumidores da classe E subiram para a classe D.
Apesar de ter mais dinheiro no bolso, esse consumidor ainda não conhece os mecanismos do universo do consumo. Levantamento do Data Popular mostra que, enquanto os consumidores acostumados com esse universo buscam produtos exclusivos e que os diferencie – como é o caso dos consumidores das classes A e B – os da classe D têm outras prioridades. “Esse segmento consome como um modo de inserção social”, explica Meirelles.
Por isso, mesmo com renda de até três salários mínimos, 16% das classes D e E têm carro, 28% têm lava-roupas e 34%, aparelho de DVD. Esses produtos, assim como outros, explica Meirelles, representam essa busca pelo “pertencimento”.
Ao contrário dos outros segmentos, a base da pirâmide tende a ser mais fiel a um produto ou uma marca, se eles suprirem suas expectativas. Por isso que está na classe D o maior potencial de fidelização. “Primeiro, esse consumidor amplia o número de produtos, depois, ele começa a enxergar a qualidade”, afirma Meirelles. Para a classe D, determinado item precisa apresentar vantagens concretas – caso contrário, não entra no carrinho.
O carrinho desse segmento, inclusive, está cada ano mais cheio. O levantamento mostra que a quantidade média de produtos que a base da pirâmide coloca no carrinho passou de 21 em 2002 para 38 neste ano, considerando as classes D e E – um aumento de 17 itens. Já as classes A e B estão comprando neste ano 15 itens a mais. Em média, são 45 produtos, contra 30 em 2002. Nessa conta, a classe C também cresceu menos, pois colocou 13 itens a mais no carrinho no período.
Na hora de passar no caixa, pedir desconto é considerado normal entre esses consumidores. O levantamento do instituto mostra que a classe D tem orgulho do desconto, ao contrário de outros segmentos, que ainda se sentem vexados de pechinchar.
Ferramentas do universo do consumo
O mundo das vitrines atrai a base da pirâmide, mas eles ainda se sentem muito desconfiados com as ferramentas de que esse mundo dispõe, como o crédito, por exemplo. O levantamento do Data Popular mostra que as classes D e E se sentem mais desconfortáveis ao usar o cartão de crédito e a contrair empréstimos.
Segundo os dados, 38,4% dos consumidores da classe E e 32,1% dos da classe D se sentem no mínimo desconfortáveis quando utilizam o cartão de crédito. Os dados revelam ainda que 82,8% dos consumidores da classe E e 80,8% dos consumidores da classe D se sentem desconfortáveis ou muito desconfortáveis quando pedem dinheiro a uma financeira.
Para Meirelles, tais desconfortos advêm do fato de a base da pirâmide ainda não conhecer nem o cartão de crédito nem os meios para se contrair empréstimos. E esse desconhecimento gera insegurança. Apesar disso, 23% dos consumidores das classes D e E possuem cartão de crédito.
E por mais inseguros que eles sejam quanto aos mecanismos do consumo e do crédito, eles sabem que ter conta em banco é um facilitador de todo esse sistema. Os dados mostram que 25% desse segmento tem conta-corrente.
O futuro da classe D
O aumento dos rendimentos e da oferta de crédito para a baixa renda não influenciou apenas o consumo. A percepção que os jovens desse segmento têm sobre a educação é outro fator que ajudará na ascensão da base da pirâmide.
Aliás, a educação é vista por esse segmento como um dos principais fatores de ascensão: 80% dos jovens das classes D e E acreditam que a escola tem muita utilidade na sua vida, contra 64% das classes A e B. Entre as mulheres, os percentuais aumentam, sendo 84% nas classes de baixa renda e 65% nas de alta renda.
Para se ter uma ideia da importância que a baixa renda dá a esse item, em números absolutos, a quantidade de crianças da classe D cursando escolas particulares é maior do que o número de crianças das classes A e B.
Em percentuais, das 5,3 milhões de crianças de escolas privadas, 11% são da classe E, 17% da classe D, 33% da C, 22% da B e 16% da A. Como consequência, também aumenta o número de jovens de baixa renda que buscam o ingresso em universidades e faculdades.
Esses jovens serão a classe C, B e A de amanhã, já que, comparando as escolaridades, eles serão mais informados que seus pais. Somado a isso, esses jovens já são, hoje, mais independentes do que os jovens de alta renda. Isso porque, desde cedo, eles assumem responsabilidades. A consequência é um maior poder de decisão desse jovem e maior número de novas famílias consumindo.