quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Investidor deve aproveitar fragilidade para refazer posições, afirma Citi

Por: Vitor Silveira Lima Oliveira
InfoMoney


Em resposta à volatilidade enfrentada pelo investidor no mercado de ações doméstico até meados de 2010, os analistas do Citigroup destacaram os principais temas de investimento do segundo semestre e suas expectativas para a dinâmica do mercado.

Considerando a capitalização da Petrobras (PETR4) como um divisor de águas, os analistas advertem os que perseguem os ralis para que esperem "ao menos até que esse processo seja claro", afirma a equipe de analistas liderada por Matthew Hickman, em relatório.

Por outro lado, a recomendação dos analistas é que os investidores aproveitem os períodos de fragilidade para reconstruir suas posições.

Posicionamento
A dificuldade para definição de uma tendência no mercado está inserida em um contexto amplo, que dialoga com os problemas encontrados pela economia global - como elevado endividamento público e baixo crescimento na Europa -, ao mesmo tempo em que as perspectivas de longo prazo para países emergentes, como o Brasil, são animadoras.

Com dificuldades para definir um cenário, os investidores têm adotado uma postura mais inquieta. "Ultimamente, nós temos visto rotações repentinas entre setores", aponta o relatório, diagnosticando como causas a ausência de boas teses de investimentos no mercado, em meio à busca incessante pelos melhores fundamentos.

Moda x Fundamentos
O mercado brasileiro passou por movimentos repentinos no mês de julho, expressos pela forte volatilidade em papéis de bancos e bens duráveis, apontam os analistas da instituição. No caso do setor financeiro, em apenas sete dias de negociação, houve um salto do terceiro pior para o terceiro melhor desempenho entre os componentes do índice MSCI Latin America.

"Embora investidores que estavam com exposição acima da média ao setor financeiro tenham se beneficiado, lembramos que a mesma posição não teria rendido retornos em todo o primeiro semestre de 2010", destaca a equipe do Citi. Os fundamentos não mudaram do dia para a noite.

Como admitem os próprios analistas, a rotação setorial e a movimentação rápida torna mais difícil a busca pela performance superior à de mercado, em um ambiente "com poucos temas de investimento consistentes para este ano".

Quando entrar?
Se mesmo nas grandes ondas positivas, muitos investidores ficam receosos em relação ao momento certo de surfar, o que dizer de um momento repleto de incertezas e à espera da capitalização da Petrobras?

Como um ralo de bilhões de dólares, a gigante brasileira tem o potencial de drenar recursos por todo o globo. Contudo, a falta de informações precisas ao investidor sobre o processo de capitalização - como o preço do barril de petróleo cedido pelo governo à empresa - e de definição de regras para a exploração do pré-sal dificulta o cálculo dos impactos no mercado.

"Acreditamos que os investidores vão continuar cautelosos até a capitalização", conclui o Citi. Entretanto, os investidores não podem descartar completamente uma antecipação do movimento, uma vez que o movimento ocorrido com o setor financeiro poderá se repetir com o de gás e petróleo. Se nada mudar, espere até setembro.