terça-feira, 10 de agosto de 2010

Mais dez empresas podem fazer IPO, diz Mattos Filho

Brasil Econômico - Por Felipe Frisch/Bloomberg News

Sete empresas fizeram IPOs este ano no valor total de R$ 7,8 bilhões, de acordo com o site da CVM

A bolsa brasileira pode ter até dez novas empresas abrindo capital, diz José Eduardo Carneiro Queiroz, sócio do Mattos Filho Advogados, falando apenas de IPOs em que o escritório está atuando no momento.

"Devemos ter entre oito e dez IPOs do fim do terceiro trimestre ao último trimestre," disse ele em entrevista por telefone de São Paulo no dia 2 de agosto.

"Vamos começar a ter prestadores de serviços para setores, que estão se alavancando muito, vindo mais frequentemente para o mercado."

Entre esses prestadores de serviço, estarão companhias ligadas a infraestrutura para os setores de petróleo, varejo e financeiro, disse o advogado, que não citou o nome das empresas.

De acordo com ele, no varejo, estão empresas relacionadas a distribuição, logística e abastecimento, e, no financeiro, são empresas de fornecimento de dados, cobrança e distribuição.

Já as empresas ligadas a infraestrutura de estradas, portos, aeroportos e telecomunicações só devem ir a mercado, segundo Carneiro Queiroz, nos próximos "dois ou três anos".

Com expectativa de exploração do petróleo na camada pré-sal, a Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro, o volume de investimentos necessários é muito elevado para ser financiado "só com BNDES e outras fontes públicas", afirmou ele, referindo-se ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Além de ações, o mercado de dívida está aquecido, segundo o sócio do Mattos Filho. Ele disse ainda que o escritório tem hoje em andamento 40 emissões de vários setores, incluindo empresas fechadas.

"É um mercado sempre maior do que o de ações e não fechou. Pelo contrário. O setor de energia, que tem fluxo de caixa estável e demanda enorme por investimentos, tradicionalmente se financia com dívida."

No fim de julho, o escritório perdeu dois sócios, Carlos Mello e Rodrigo Junqueira, e dez advogados de mercado de capitais para o Linklaters.

Segundo Queiroz, a área ainda tem 40 advogados e nove sócios "com capacidade de atender as demandas" e pode contratar profissionais "ao longo do tempo".

Ofertas em análise e realizadas

Segundo o site da Comissão de Valores Mobiliários, há seis pedidos de ofertas iniciais em análise, sendo dois do setor de petróleo, das empresas HRT Participações em Petróleo e Repsol Brasil, unidade brasileira da espanhola Repsol YPF.

A Sonae Sierra Brasil, ligada à empresa portuguesa de desenvolvimento de shopping centers Sonae Sierra SGPS, também tem pedido de IPO em análise.

A Wtorre Empreendimentos Imobiliários e a Brasil Insurance Participações e Administração estão com pedidos em análise e interrompidos temporariamente, a primeira até 18 de agosto, e a segunda até 22 de outubro. A outra com pedido em análise é a Autometal.

Sete empresas fizeram IPOs este ano no valor total de R$ 7,8 bilhões, de acordo com o site da CVM. Todas essas ofertas iniciais foram nos quatro primeiros meses do ano. Em maio, junho e julho não houve ofertas iniciais.

A Aliansce Shopping Centers captou R$ 672 milhões, em janeiro, e a Multiplus, R$ 723,8 milhões, em fevereiro. Em março, foram três operações, inclusive a maior delas, da OSX Brasil, que captou R$ 2,818 bilhões, abaixo dos R$ 10 bilhões inicialmente esperados.

Também em março foram as IPOs da BR Properties, de R$ 1,075 bilhão, e da Primav Ecorodovias, de R$ 1,368 bilhão.

Em abril, vieram as ofertas de Julio Simões Logística, de R$ 494,5 milhões, e Mills Estruturas e Serviços de Engenharia, de R$ 425,9 milhões.