Por Luciana Monteiro
Setembro deve ser um mês decisivo para a bolsa brasileira. A capitalização de até R$ 150 bilhões da Petrobras, se realmente vier a mercado, pode destravar o Índice Bovespa, já que a estatal representa 12% do indicador. A operação disputará com o cenário externo e a eleição presidencial as atenções dos investidores.
Se a oferta sair e for um sucesso, com uma forte procura, o papel deve subir e, com isso, o Ibovespa pode, enfim, registrar uma alta um pouco mais consistente. Caso, no entanto, ela não saia ou a adesão dos atuais acionistas fique abaixo da esperada, os efeitos negativos devem puxar o referencial para baixo.
O otimismo na bolsa registrado em julho, quando o Índice Bovespa subiu 10,80%, deu lugar aos temores com relação ao crescimento americano e mundial, levando o indicador a encerrar agosto com desvalorização de 3,51%. No ano, a queda do indicador soma 5,02%.
Pode-se dizer que o mês passado foi marcado por uma certa mudança de foco dos investidores. Antes bastante atentos aos efeitos da crise na Europa dado o alto endividamento de alguns países da região, os investidores voltaram a se concentrar no fraco ritmo de crescimento da economia americana.
Os dados que mais chamaram a atenção dos investidores foram a queda das vendas de imóveis usados nos Estados Unidos, de 27,2%, e a redução nas vagas do mercado de trabalho, que perdeu 131 mil postos. Agora, a expectativa recai sobre o mercado de trabalho em agosto, que será divulgado na sexta-feira.
A capitalização da Petrobras vem travando a bolsa e, enquanto a operação não sair, a bolsa dificilmente vai andar, avalia Alexandre Póvoa, presidente da Modal Asset Management. "E, quando se olha para os fundamentos das economias lá de fora, as chances de problema são muito grandes", diz o executivo. A liquidez, no entanto, está abundante e, a qualquer sinal de melhora, os investidores acabam saindo às compras. "Com isso, o mercado fica preso a uma banda."
Lá fora, o Índice Dow Jones teve o pior mês de agosto desde 2001, com queda de 5,45%. Isso significa que os papéis voltados para a economia interna conseguiram segurar um pouco uma queda maior do Ibovespa. Enquanto o cenário lá fora continua difícil, internamente, os números mostram que a economia vai bem, lembra André Caminada, sócio da Victoire Brasil Investimentos. "As grandes empresas da bolsa dependem mais dos fundos globais, que buscam uma tendência, e dado o cenário, a situação para a maioria delas deve continuar indefinida", diz.
Como os papéis de grandes empresas, principalmente ligadas ao setor de commodities, vêm apanhando, muitas ações do segmento se mostram excelentes oportunidades para longo prazo, avalia Caminada. "Independentemente do processo de capitalização, faz todo o sentido comprar Petrobras neste momento e 'esquecer' por uns dois ou três anos", diz. Ele afirma que é difícil dizer qual o momento ideal para entrar na bolsa, mas o atual período se mostra uma excelente oportunidade.
Os fundos compostos somente por ações da Petrobras perdem em agosto, até o dia 26, 8,62%. No ano, a perda é de 29,26%. O prejuízo deve diminuir um pouco levando em conta a valorização de 1,68% dos papéis ordinários (ON, com voto) entre os dias 27 e 31. No caso de Vale, as carteiras têm queda de 5,62% em agosto até dia 26 e de 7,39% no ano. A boa notícia é que, entre os dias 27 e 31, as ONs subiram 2,22%.
Os números divulgados ao mercado acabam provocando análises díspares. Portanto, é de se esperar que isso acabe se traduzindo ainda em muita volatilidade para a bolsa, avalia André Carvalhaes, sócio do escritório de aconselhamento financeiro Beta Advisors. Ele cita como exemplo o PIB dos EUA, que veio bem em agosto, mas abaixo do esperado - cresceu a uma taxa anualizada de 1,6% no segundo trimestre, menos que a taxa anterior, de 2,4%. Para alguns, isso pode ser interpretado como algo até positivo, pois os estímulos dados pelo governo devem continuar, explica. Para outros, no entanto, se o governo precisa continuar com os estímulos, é sinal que realmente as coisas não vão bem.
Na incerteza, o apetite do investidor externo por risco diminui, o que reduz o investimento em ações no Brasil. Faltando apenas dois pregões para o fechamento do mês, o saldo de investimentos estrangeiros na Bovespa estava negativo em R$ 850,6 milhões em agosto, resultado de compras no valor de R$ 30,923 bilhões e de vendas de R$ 31,774 bilhões. No ano, o resultado está negativo em R$ 282 milhões até 27 de agosto.
As operações de fusões e aquisições também marcaram o segmento corporativo. A Embratel, por exemplo, fez uma oferta de compra das ações preferenciais (PN, sem direito a voto) da Net. Além dela, se destacou a união da TAM com chilena LAN. A Dasa, por sua vez, adquiriu laboratório MD1.
As empresas estão atualmente com o maior nível de caixa, o que pode significar que mais operações de fusões e aquisições devem ocorrer, diz Carvalhaes. O volume em operações de fusões e aquisições deve ser recorde neste ano, superando o desempenho de 2007, quando o segmento movimentou R$ 136,5 bilhões.
Com relação à eleição presidencial, a maioria dos analistas já dá como certa a eleição de Dilma Roussef e a continuidade da política econômica atual. A provável participação do ex-ministro Antonio Palocci no novo governo é vista também como um compromisso de diálogo com o mercado, dizem executivos.
Setembro deve ser um mês decisivo para a bolsa brasileira. A capitalização de até R$ 150 bilhões da Petrobras, se realmente vier a mercado, pode destravar o Índice Bovespa, já que a estatal representa 12% do indicador. A operação disputará com o cenário externo e a eleição presidencial as atenções dos investidores.
Se a oferta sair e for um sucesso, com uma forte procura, o papel deve subir e, com isso, o Ibovespa pode, enfim, registrar uma alta um pouco mais consistente. Caso, no entanto, ela não saia ou a adesão dos atuais acionistas fique abaixo da esperada, os efeitos negativos devem puxar o referencial para baixo.
O otimismo na bolsa registrado em julho, quando o Índice Bovespa subiu 10,80%, deu lugar aos temores com relação ao crescimento americano e mundial, levando o indicador a encerrar agosto com desvalorização de 3,51%. No ano, a queda do indicador soma 5,02%.
Pode-se dizer que o mês passado foi marcado por uma certa mudança de foco dos investidores. Antes bastante atentos aos efeitos da crise na Europa dado o alto endividamento de alguns países da região, os investidores voltaram a se concentrar no fraco ritmo de crescimento da economia americana.
Os dados que mais chamaram a atenção dos investidores foram a queda das vendas de imóveis usados nos Estados Unidos, de 27,2%, e a redução nas vagas do mercado de trabalho, que perdeu 131 mil postos. Agora, a expectativa recai sobre o mercado de trabalho em agosto, que será divulgado na sexta-feira.
A capitalização da Petrobras vem travando a bolsa e, enquanto a operação não sair, a bolsa dificilmente vai andar, avalia Alexandre Póvoa, presidente da Modal Asset Management. "E, quando se olha para os fundamentos das economias lá de fora, as chances de problema são muito grandes", diz o executivo. A liquidez, no entanto, está abundante e, a qualquer sinal de melhora, os investidores acabam saindo às compras. "Com isso, o mercado fica preso a uma banda."
Lá fora, o Índice Dow Jones teve o pior mês de agosto desde 2001, com queda de 5,45%. Isso significa que os papéis voltados para a economia interna conseguiram segurar um pouco uma queda maior do Ibovespa. Enquanto o cenário lá fora continua difícil, internamente, os números mostram que a economia vai bem, lembra André Caminada, sócio da Victoire Brasil Investimentos. "As grandes empresas da bolsa dependem mais dos fundos globais, que buscam uma tendência, e dado o cenário, a situação para a maioria delas deve continuar indefinida", diz.
Como os papéis de grandes empresas, principalmente ligadas ao setor de commodities, vêm apanhando, muitas ações do segmento se mostram excelentes oportunidades para longo prazo, avalia Caminada. "Independentemente do processo de capitalização, faz todo o sentido comprar Petrobras neste momento e 'esquecer' por uns dois ou três anos", diz. Ele afirma que é difícil dizer qual o momento ideal para entrar na bolsa, mas o atual período se mostra uma excelente oportunidade.
Os fundos compostos somente por ações da Petrobras perdem em agosto, até o dia 26, 8,62%. No ano, a perda é de 29,26%. O prejuízo deve diminuir um pouco levando em conta a valorização de 1,68% dos papéis ordinários (ON, com voto) entre os dias 27 e 31. No caso de Vale, as carteiras têm queda de 5,62% em agosto até dia 26 e de 7,39% no ano. A boa notícia é que, entre os dias 27 e 31, as ONs subiram 2,22%.
Os números divulgados ao mercado acabam provocando análises díspares. Portanto, é de se esperar que isso acabe se traduzindo ainda em muita volatilidade para a bolsa, avalia André Carvalhaes, sócio do escritório de aconselhamento financeiro Beta Advisors. Ele cita como exemplo o PIB dos EUA, que veio bem em agosto, mas abaixo do esperado - cresceu a uma taxa anualizada de 1,6% no segundo trimestre, menos que a taxa anterior, de 2,4%. Para alguns, isso pode ser interpretado como algo até positivo, pois os estímulos dados pelo governo devem continuar, explica. Para outros, no entanto, se o governo precisa continuar com os estímulos, é sinal que realmente as coisas não vão bem.
Na incerteza, o apetite do investidor externo por risco diminui, o que reduz o investimento em ações no Brasil. Faltando apenas dois pregões para o fechamento do mês, o saldo de investimentos estrangeiros na Bovespa estava negativo em R$ 850,6 milhões em agosto, resultado de compras no valor de R$ 30,923 bilhões e de vendas de R$ 31,774 bilhões. No ano, o resultado está negativo em R$ 282 milhões até 27 de agosto.
As operações de fusões e aquisições também marcaram o segmento corporativo. A Embratel, por exemplo, fez uma oferta de compra das ações preferenciais (PN, sem direito a voto) da Net. Além dela, se destacou a união da TAM com chilena LAN. A Dasa, por sua vez, adquiriu laboratório MD1.
As empresas estão atualmente com o maior nível de caixa, o que pode significar que mais operações de fusões e aquisições devem ocorrer, diz Carvalhaes. O volume em operações de fusões e aquisições deve ser recorde neste ano, superando o desempenho de 2007, quando o segmento movimentou R$ 136,5 bilhões.
Com relação à eleição presidencial, a maioria dos analistas já dá como certa a eleição de Dilma Roussef e a continuidade da política econômica atual. A provável participação do ex-ministro Antonio Palocci no novo governo é vista também como um compromisso de diálogo com o mercado, dizem executivos.